PODCAST

Yuval Noah Harari: Covid-19, privacidade e Inteligência Artificial comentados por Andrea Iorio.

"Este é o melhor motivo para estudar história: não para poder predizer o futuro, e sim para se libertar do passado e imaginar destinos alternativos."

Yuval noah harari

Yuval é um professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade e também de Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã. Seu último lançamento é 21 Lições para o Século 21.  

Um fato curioso sobre ele, é que em em 2015, Sapiens foi selecionado por Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para seu Clube do Livro online. Zuckerberg convidou seus seguidores a lerem o que ele descreveu como “uma grande narrativa sobre a História da civilização humana”. Agora, pra mim o lado mais interessante disso tudo foi que o Zeuckerberg recentemente convidou o Yuval para um bate-papo que acabei assistindo depois no YouTube, e na hora que eles discordam, tenho que admitir: o Yuval destrói intelectualmente o tio Zuck!

Além disso, a linha de pesquisa praticada por ele gira em torno de questões abrangentes, tais como: qual a relação entre história e biologia? Existe justiça na história? As pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo?

Perguntas que, além de profundas, nos deixam bastante ansiosos pelas suas respostas, afinal, são temas bastante interessantes e relevantes!  

Na primeira frase escolhida para esse episódio, ele fala sobre o Covid-19 e a importância da informação durante uma entrevista para o Luciano Huck. Confere só!

“A coisa mais importante do mundo para lidar com essa epidemia é a informação. 

 

A grande vantagem dos humanos contra os vírus, é que nós podemos cooperar de diversas maneiras que os vírus não podem.   O vírus na China não pode aconselhar um vírus no Brasil sobre como infectar pessoas. Mas os médicos na China podem aconselhar os médicos no Brasil. Agora o governo brasileiro agora enfrenta dilemas que o governo coreano enfrentou, dilemas que o governo de Taiwan enfrentou há dois meses. Logo, pode-se pedir conselhos à eles, podemos confiar na experiência deles. 

Eu acho que uma das coisas boas dessa crise, é que você vê a grande maioria das pessoas, em tempos de crise, ainda confiar na ciência.  Mais do que qualquer outra coisa”

Um pouco antes do pico do Covid numa Itália fortemente afetada por ela, desembarcaram dezenas de médicos Chineses no país, numa missão de ajudar a Itália a restringir as medidas, e compartilhar conhecimento para minimizar o impacto da pandemia. As fotos obviamente viralizaram nas mídias sociais italianas, dividindo a população: ajuda desinteressada, ou missão com finalidade política?

Nós não vamos adentrar na política, e por isso deixaremos essa pergunta em aberto.

Mas certamente aquelas imagens nos fazem refletir sobre o papel da cooperação, primeiro para combater a crise, e segundo para reconstruir o mundo pós-Covid 19. 

Certamente será um mundo diferente, até o ponto que em uma live recente promovida pela revista Exame e apresentada pelo André Esteves, do BTG Pactual, o Thomas Friedman, incrível jornalista do New York Times que era o entrevistado, disse que teremos que dividir o mundo novamente o mundo em BC e AC, ou seja Before Coronavírus e After Coronavírus…ou seja irá definir um momento que será estudado em todos os livros de história como o grande divisor de águas da era moderna. Como será o AC, o After Corona? 

Ele diz que mesmo sendo impossível de prever, ele será determinado pela competição de dois fatores, duas forças exponenciais: ou seja a lei de Moore, e a Lei de Kovitz.

A Lei de Moore, criada pelo Gordon Moore cofundador da Intel em 1965, diz que a capacidade de processamento dos microchips dobra a cada 24 meses, e por um lado ela representa a exponencialidade do mundo digital e de fato nos lembra da necessidade de inovação, particularmente na área de vacinas e de tratamento para o vírus. Ao mesmo tempo, estamos tendo que bater de frente com a Lei de Kovetz, que basicamente diz que se eu tenho o Coronavírus e eu o transmito a mais 3 pessoas, e cada dessas pessoas o transmite para mais três, e o fazemos por dez ciclos, rapidamente chegamos a 59 mil pessoas de forma exponencial também – mas uma exponencialidade causada por Mãe Natureza, e não pelo Digital. Digital contra Mãe Natureza: quem irá ganhar? 

A verdade é que o fator que vai fazer a gente sair dessa crise mais fortes é nossa capacidade de colaboração. E é esse o argumento central do Yuval Harari no trecho anterior, da cooperação através da informação. 

Recentemente li um artigo incrível do Yuval no Financial Times. O título era The World After Coronavírus, ou seja o Mundo Após o Coronavírus. Nele, fala que as grandes escolhas a se tomarem a nível mundial agora são 2: escolher entre controle totalitário de informações e privacidade e empoderamento do cidadão, e disso iremos falar na segunda parte do podcast. E a segunda escolha é entre isolacionismo nacionalista ou cooperação e solidariedade global (que atenção, porém não significa globalização, estamos falando de duas coisas diferentes). 

Seria spoiler dizer que ele naturalmente vai pelo lado da cooperação? Meio óbvio, né Andrea? Essa não é surpresa para ninguém.

Mas o interessante é entender: porque colaboração ganha de isolação? E não apenas para resolver a pandemia, mas também para resolver a crise econômica que está nascendo como consequência.

Primeiramente, para ganhar do vírus temos que compartilhar informação, e como o Yuval diz no vídeo essa é uma das vantagens que seres humanos têm a respeito do vírus – só que essa troca de informações pode apenas funcionar em um espírito de colaboração. Aqui precisamos de vulnerabilidade pelos países com dificuldades, assim como a vontade desinteressada de ajudar os outros pelos países que já saíram da crise – seja em termos de pesquisa médica para vacinas, testes, e remédios, assim como na frente econômica: dada a natureza global e interconectada da economia mundial, sem cooperação o resultado seria uma crise mais profunda ainda, com a disrupção de cadeias de suprimentos, de valor e de viagens. Ou seja, precisamos de um plano global e coordenado de forma rápida, ele diz no artigo. Mas parece que estamos paralisados, não é?

E a verdade é que o isolacionismo parece uma boa alternativa porque você consegue tomar com maior rapidez as suas decisões, o que é atrativo no curto prazo – mas irá gerar conflitos ainda maiores no longo prazo. O risco é esse. Cooperação, então. 

E esse não é um tema novo para ele, pois vem batendo nessa tecla há um tempo, já desde o famosérrimo TED Talk deles sobre o Porque os Humanos Lideram o Mundo, de 2015. Bom, famosérrimo nao sei, foi visualizado 1.7 milhões de vezes o que não é dos mais vistos, ainda que provavelmente a metade daqueles views sou eu, de tanto que assisti e reassisti. 

O tema central dele é que fundamentalmente nossa ascensão ao controle desse planeta foi determinada pela nossa capacidade de cooperação de forma flexível e em larga escala. Vamos focar um momento nesse ponto: larga escala. Ou seja, sempre nós avaliamos a nível individual e tentamos entender o que eu tenho de tão especial e que me faz superior a outra espécie animal. E isso é errado. Porque num nível individual, a gente não é tão diferente de um chimpanzé, que é o exemplo que ele faz na palestra. Ele diz que se você estiver sozinho numa ilha deserta com um chimpanzé, muito provavelmente é o chimpanzé que vai se dar melhor e ter chance de sobreviver! OU seja, a grande diferença não é em um nível individual, mas em um nível coletivo: enquanto a maioria das espécies animais cooperam em pequena escala, pois é baseada em um conhecimento íntimo um do outro. OU seja, se numa ilha deserta você coloca 1000 pessoas e 1000 chimpanzees, aí já a cooperação dos humanos vai ganhar da outra especie que nao sabe cooperar nessa escala. Mas calma, porque nós conseguimos e eles não? O Yuval nos responde de forma brilhante: graças a nossa imaginação! Só a gente consegue criar e acreditar em histórias, e na medida que todos acreditam na mesma história, você obtém cooperação.

Olha isso aplicado ao mundo dos negócios: esse é o motivo pelo qual empresas e líderes que conseguem compartilhar uma visão clara do longo prazo, prosperam e juntam os times em prol de um objetivo comum de negócio.

E trazendo mais um exemplo específico do mundo dos negócios, acho que o Cooperativismo é justamente a concretização disso. Estava recentemente no telefone com o Luiz Claudio Silva, uma das autoridades do mundo do Cooperativismo e diretor da revista MundoCoop, e ele estava justamente me relembrando da forma que o Cooperativismo nasceu: a partir de uma grande crise. E isso faz total sentido! No meio da Revolução Industrial na Inglaterra, em 1844, 28 pessoas se juntaram em Rochdale, no Lancashire, Inglaterra, para formar a primeira cooperativa do mundo ao montar o próprio armazém para ganhar escala e minimizar os custos…e olha até onde isso chegou: hoje o cooperativismo está atrás do 48% da produção agrícola no Brasil, que representa 21.8% do Pib brasileiro….ou seja, o cooperativismo no agronegócio representa 10% do PIB Brasileiro! E ainda não estamos considerando as cooperativas de crédito, e dos outros segmentos….olha nos negócios um exemplo concreto de como a cooperação traz resultado.

Agora, nos abordamos apenas uma das duas perguntas principais a se fazer diante da crise, mas ainda fica em aberto a outra: controle das informações ou privacidade do cidadão? Esse é um tema muito complexo que o Yuval aborda neste próximo audio.

“Quero dizer, este algoritmo que o sistema de saúde sabe quase tudo sobre você. Portanto, é provável que uma das maiores batalhas do século 21 seja entre privacidade e saúde. E acho que a saúde vai ganhar. A maioria das pessoas estará disposta a renunciar a uma quantidade muito significativa de privacidade em troca de uma assistência médica muito melhor. Agora precisamos tentar aproveitar os dois mundos para criar um sistema que nos ofereça um atendimento de saúde muito bom, mas sem comprometer nossa privacidade. Mantendo-os sim, você pode usar os dados para me dizer que há um problema. E então devemos fazer isso ou aquilo para resolvê-lo. Mas não quero que esses dados sejam usados para outros fins sem que eu saiba, nós podemos alcançar esse equilíbrio.”

Recentemente estava fazendo o teste de uma plataforma de streaming de palestra online com os times da Oi, pois o dia seguinte iria falar com todos os colaboradores da empresa diretamente desde a sala da minha casa, e estávamos com uns problemas técnicos. 

Ai eu perguntei: “Pessoal, porque não vamos usar o Zoom para a palestra?”.

Os times me responderam que o Zoom não cumpria as exigências de segurança informática da empresa. E eu ouvi a mesma respostas em várias outras empresas onde palestrei virtualmente nas primeiras semanas da crise, como o BTG Pactual, a Motorola e o grupo Anima Educação. Sempre usamos plataformas diferentes e sempre pelo mesmo motivo.

Bom, tem razão para isso.

Nos primeiros dias de Abril, o CEO da Zoom, o Eric Yuan, publicamente pediu desculpas pelas falhas em proteger informações confidenciais dos usuários, que provavelmente até lá ficar embaixo do radar mas que com o crescimento exponencial da plataforma assim que a crise pegou, veio a tona de forma mais evidente. E que crescimento! Só em Março, eles tiveram 200 milhões de usuários ativos diários…é muita coisa!

Mas vieram a tona falhas no sistema de encriptação, assim como foi descoberta que uma feature compartilhava dados com o Facebook….e já sabemos que em termos de privacy, a reputação do Tio Mark está meio ruim né? Essas descobertas fizeram o valor da ação do Zoom cair de 24% na mesma semana!

Porém, mesmo assim a gente continua a usar. 

A gente continuo a usar o Facebook, ou se não o facebook o Instagram e o Whatsapp pois admitamos, o Facebook meio que já era (eu pelo menos não uso há anos), mesmo com os escândalos que tiveram, a partir do Cambridge analytica.

E olha o paradoxo: em todas as pesquisas sobre privacidade, a maioria das pessoas, de fato todas, sempre respondem que SIM, valorizam a própria privacidade. Pense bem você: vai me dizer que não? Ao mesmo tempo, a maioria dessas pessoas continuam a utilizar os serviços que ameaçam a própria amada privacidade. O nome desse fenômeno? é chamado de Paradoxo da Privacidade. 

Quer uma confirmação? Olhe ao Facebook. Ao grupo, não apenas a plataforma em si. Em termos de privacidade, 2018 foi um ano terrível para o Facebook a partir do escândalo da Cambridge Analytica. Mas todos os dados mostram que em termos de retorno financeiro em Wall Street, foi um ano ótimo. O número de usuários ativos cresceu muito, a receita média por usuário cresceu de 19% a respeito de 2017, e a receita total do Q4 de 2018 foi 30.4% mais do que Q4 de 2017. Ou seja, em termos de privacidade a empresa foi um fracasso, e muito provavelmente aos olhos da maioria de nós e das pessoas preocupadas com privacidade…mas parece que de nada afetou em nosso comportamento! E olha que interessante: por muito tempo, se pensou que o paradoxo da privacidade foi porque a maioria das pessoas não entendem o jeito em que as informações podem ser utilizadas por grandes empresas, Governos e terceiros. Mas eu duvido muito isso. 

Eu acho que a cada vez mais pessoas irão escolher abrir mão da própria privacidade em termos de benefícios como personalização da experiência de compra, ou até como diz o Yuval no áudio acima, para ter uma saúde melhor. 

Mas é um processo gradual, e assustador. 

Olha só o que tem acontecido no mercado de aplicativos de relacionamento, um mundo que conheço bem por ter trabalhado no Tinder 5 anos. Escuta essa história. 

Em 2016, uma empresa Chinesa, a Beijing Kunlun Tech Co. Ltd., comprou 60% do Grindr, o maior e mais famoso aplicativo de relacionamento gay no mundo, que nasceu em Los Angeles, os Estados Unidos, por 93 milhões de dólares. No começo de 2018, comprou o restante 40% por 150 milhões de dólares. Ou seja, fez muito felizes os fundadores do app, entre outras coisas. Já existiram polêmicas relacionadas ao uso das informações privadas dos seus usuários, mas tudo explodiu quando o Governo Americano, através do próprio Comitê sobre Investimentos Estrangeiros, pediu que a empresa Chinesa vendesse a maior parte para não ter mais controle da empresa, sob preocupação que cidadãos Americanos pudessem ser chantageados através das informações sensitivas em mão da empresa chinesa. Ou seja, virou um caso de diplomacia internacional!

No caso do Tinder, teve um caso também em 2019, mesmo que eu não estava mais na empresa, fiquei acompanhando de perto a novela com o Governo Russo: o que aconteceu? A agência reguladora de comunicações da Rússia, a Roskomnadzor, pediu (eu acredito que obrigou, mais que tudo), ao Tinder de fazer parte de uma lista de sites e apps cujas informações o Governo Russo tem a possibilidade de acessar. Mesmo que o Tinder ainda parece ainda não ter compartilhado de fato os dados com a Rússia, o fato de ter topado estar nessa lista já denota uma complacência nesse sentido. Mas pra gastar palavras em defesa do Tinder, posso dizer que enquanto estava lá, se trabalhou muito duro para por exemplo implementar a GDPR, lei geral de proteção de dados europeia antes do tempo. Contextualizando para o tema do Yuval Harari, que de forma quase premonitória estava antecipando a grande questão saúde vs privacidade em uma entrevista de 2018, o grande problema agora é como implementar as linhas guias para evitar a escalação da pandemia, ou até para evitar mais contágios após a fase 2. Tem 2 grandes formas de conseguir isso: um é com o Governo monitorando as pessoas, e punindo os que quebraram as regras. Isso é possível pela primeira vez na história porque a tecnologia permite que todo mundo seja monitorado o tempo todo – e de fato essa é a forma principal através da qual a China e Coreia do Sul conseguiram combater a pandemia: através o monitoramento de smartphone, fazendo uso de câmeras de reconhecimento facial (que inclusive agora conseguem também reconhecer mesmo com máscara), e obrigando pessoas a checar a própria temperatura corporal e reportá-la, a China conseguiu gerenciar a situação usando a força. E isso não é limitado a Chia, mas o Israel também se utilizou tecnologia usada normalmente para trackear terroristas, para monitorar pessoas.

 Até na empresa química do meu pai, a Italmatch Chemicals, que durante a crise na Itália continuou as operações com força por ser uma indústria fundamental e não ter sido fechada implementou medidas de segurança super restritas, e até contratou 10 pessoas a mais, agora me mandou pra rever a proposta de uma empresa de ioT italiana que poderia usar sensores para fazer as pessoas na empresa e na fábrica manter a distância de segurança…ou seja esses serviços serão a cada vez mais necessários, mas sempre colocam essa questão à tona: privacidade ou segurança? O grande problema é inclusive que fica difícil prever o futuro em termos de uso de dados: a Inteligência artificial a cada vez mais forte pode nos levar a cenários inimagináveis até agora. 

E é desse cenário futurista que o Yuval fala no livro dele Homo Deus, e que ele descreve nessa próxima frase.

“A inteligência artificial empurrará os humanos para fora do mercado de trabalho, e da mesma maneira que a revolução industrial do século XIX criou uma nova classe massiva. A classe trabalhadora de Auburn do proletariado. Assim, no século XXI, uma nova revolução industrial criará uma nova classe massiva. A classe das pessoas inúteis que não têm utilidade econômica porque a inteligência artificial os supera em quase todas as tarefas e trabalhos atuais. Pessoas que não estão apenas desempregadas, elas estão fora da forca de trabalho. Não há, não há empregos para dar a essas pessoas. Então, para começar com um exemplo simples, há dez anos, era relativamente aceito que os computadores e a inteligência artificial nunca seriam capazes de dirigir carros e veículos melhor do que os seres humanos em um laboratório sob condições neutras. Um computador pode dirigir um carro, mas não na vida real. Em situações em uma cidade real como Londres hoje, mais e mais especialistas estão chegando à conclusão oposta à visão oposta. É apenas uma questão de tempo e não muito tempo. Talvez em 10, 20, 30 anos, os humanos não dirijam veículos, porque a inteligência artificial será muito melhor dirigindo táxis, ônibus e caminhões e assim por diante do que seres humanos.”

Sabia que até o meio de 2019, em torno de 1 bilhão de dólares têm sido investidos em 25 startups de carro voador? Ou seja, em um negócio meio arriscado, não acha? Mas uns 10 veículos estão sendo testados, e outros sendo prototipados. O Larry Page, fundador do Google, foi um dos primeiros a apostar nessa tendência, investindo em 3 delas: Zee Aero, Opener, e Kitty HAwk. E players estabelecidos como Boeing, Airbus, e Embraer estão investindo em pesquisa nessa área. o Jeff Holden, o ex chefe de Produto do Uber, em Maio de 2018 até falou dos planos do Uber nesse sentido em uma conferência. Ele disse que o objetivo do Uber é demonstrar capacidade de carro voador em 2020, e de ter operações de carona aérea em operação em Dallas e Los Angeles em 2023. Será que veremos isso logo então?

 

A verdade é que, seja um carro voador, seja um carro autônomo, e de uma forma geral a inteligência artificial como o Yuval comenta, é melhor em um grande número de tarefas do que o ser humano.

De uma forma geral, à medida que a Inteligência Artificial consegue trabalhar com mais perfeição que nós, humanos, e ocupa também através da Alexa, por exemplo, o espaço de uma companhia mais presente do que somos para nossa família e nossos amigos, podemos considerar que o significado do que é ser “humano” está sendo desafiado pela primeira vez na história do mundo. O propósito para o qual viemos à Terra, o que e quem nos trouxe aqui e aonde queremos chegar – tudo muda de perspectiva.

E isso acontece especialmente na nossa vida profissional, na qual investimos a maior parte da nossa vida em geral. Ainda que um saldo positivo se apresente com a geração de mais empregos, com a substituição da força de trabalho pela automação e com a Inteligência Artificial, não viveremos essa mudança sem enormes custos e desafios. Até agora, estávamos acostumados com a máquina substituindo nossas capacidades físicas. Pela primeira vez, ela começa a substituir também as habilidades cognitivas e isso é assustador. Mas não será a primeira nem a última vez que viveremos a insegurança da incerteza.

Estudos realizados pela McKinsey sobre a relação da tecnologia com o emprego ao longo da história mostram que a tecnologia vem reorganizando nossa vida em sociedade há pelo menos sete séculos – com mais força a partir da Primeira Revolução Industrial. Por causa disso, pelo menos uma vez por geração vivemos o pânico da possibilidade de os empregos que conhecemos desaparecerem. E a verdade é que eles desaparecem. Somem e milhares de pessoas ficam sem colocação no mercado de trabalho. É verdade também que, a longo prazo, as tecnologias fazem surgir novos empregos. Há alguns exemplos que marcam essa história. Uma delas é a do automóvel. Foi um processo gradual de décadas que fez com que o automóvel substituísse os cavalos e tratores e todas as pessoas necessárias para manejá-los. Mas foi também com o passar do tempo que a popularização do carro fez surgir os postos de abastecimento e oficinas mecânicas, e permitiu a exploração de outras regiões da cidade, agora mais acessíveis por causa da distância. Até mesmo o turismo ele fomentou, tornando mais possível ocupar espaços distantes que antes não frequentávamos.

Outra história é a da computação. A introdução do computador pessoal, depois a internet, e, por fim, a computação baseada em celulares fez com que cerca de 3,5 milhões de digitadores, secretários e fabricantes de maquinário para empresas das décadas de 1970 e 1980 perdessem seus empregos, segundo a McKinsey. Mas quantos outros milhões de empregos foram e estão sendo criados no mundo com o advento do digital? Desenvolvedores de softwares, desenvolvedores de aplicativos, cientistas da computação empregados, fabricantes de hardware, call centers para atendimento: a estimativa é que já se somam 19 milhões de empregos gerados pela indústria do “computador pessoal e da internet” nos Estados Unidos. Toda essa reorganização social do mercado de trabalho acontece porque o aumento em produtividade gerado pela tecnologia pode abaixar o custo de um item produzido. Com valor mais acessível, a demanda por ele cresce, e então mais empregos surgem. Vamos pensar, por exemplo, na indústria têxtil no século XIX e, novamente, na indústria automobilística no século XX: ao mesmo tempo em que de 1909 até 1915 o número de modelos T da Ford produzidos por trabalhadores aumentou de 8 para 21, o preço se reduziu mais do que à metade. Isso fez com que a demanda por carros aumentasse exponencialmente; como consequência, a Ford teve de contratar mais pessoas. Analisando 800 tipos de ocupação distintas, a McKinsey prevê que, até 2030, cerca de 375 milhões de pessoas terão que mudar de emprego e aprender do zero uma nova ocupação. A transição gigantesca e global acontecerá especialmente porque atualmente há mais gente exercendo empregos que estão declinando, como trabalhadores em linhas de produção, manufatura, caixas de supermercado e atividades que envolvam coleção e processamento de dados (que já são mais bem executados por máquinas). A dor da separação entre o mundo novo e o antigo, e todo o sofrimento que isso pode gerar a pessoas que não se adaptam à novidade, é real e, me parece, inevitável. Mas é preciso nos prepararmos também para os desafios. Um deles, por exemplo, é o da educação. As profissões que estão em declínio são aquelas que exigem um grau secundário de estudo (ou menos), ao passo que as novas carreiras que surgem demandam formações de graduação e diplomas universitários conquistados após quatro anos de estudos (ou mais). E esse descompasso gera um desencontro entre o que o mercado pede e onde a mão de obra está. Será importante – e talvez já urgente – dar às pessoas oportunidades de aprender habilidades técnicas para conseguir os empregos que estão acontecendo lá fora em um prazo minimamente razoável. Como o atual modelo de educação irá suportar essas demandas renovadas de reskilling global dos trabalhadores?

Esse é um questionamento e dor que tento resolver, mesmo que parcialmente, com esse Podcast.

Para encerrar esse episódio, separei mais uma frase do Yuval  em que ele diz:
“O problema crucial não é criar novos empregos. É criar novos empregos nos quais o desempenho dos humanos seja melhor que o dos algoritmos.”

Sim, quem me acompanha sabe o quanto eu acho importante evoluirmos e, de fato, participarmos da transformação digital com cada vez mais humanos fazendo parte dela. 

Você se acha preparado para a transformação digital? E finalmente, você sabe fazer seu trabalho melhor que um algoritmo?

Qualquer dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LinkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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