PODCAST

Inovação, aprendizado constante e excelência: Steve Jobs, suas ações e pensamentos comentados por Andrea Iorio.

“Decidir o que não fazer é tão importante quanto decidir o que fazer. Isso é verdadeiro para companhias e também para produtos.”

STEVE JOBS

No podcast de hoje, vou analisar e comentar  3 frases do Steve Jobs que falam de inovação, da importância do aprendizado constante, e de liderança.

Falar sobre Jobs inspira, fascina e faz a gente questionar algumas atitudes que ele tomou ao longo da vida.  Agora, é importante entender, concordar e respeitar que ele foi uma das figuras mais admiradas da indústria da tecnologia. Afinal, Steve Jobs co-fundou a Apple, foi demitido da própria empresa e voltou para transformá-la em uma referência mundial em vários setores e a primeira empresa a superar o valor de mercado de 1 trilhão de dólares. Eu nem consigo imaginar esse monte de dinheiro….e você?.  Ainda que seja considerado um gênio, o que é inegável, o seu temperamento e a forma com que tratava vários dos funcionários, contribuiu para criar uma imagem um tanto controversa de Jobs.

Um bom enredo pra gente começar, não é mesmo?

Mas o que nem todo o mundo sabe , é que Steve Jobs era adotado, não possuía curso superior, e que antes da de fundar a Apple trabalhou na Atari (quem tem a minha idade certamente já brincou com um dos jogos deles). E pra descrever melhor que tipo de pessoa era o Steve Jobs, vale contar mais essa história que  acho que ajuda a tentar entender a forma como Jobs pensava: em 1980, ele conheceu o designer japonês Issey Miyake, que desenhou uniformes para fábricas da Sony. Jobs não só gostou da ideia, como sugeriu o mesmo para a Apple, mas ela foi completamente rejeitada. , Quase que retrucando, então o executivo pediu pra Miyake fazer uma roupa só para ele que fosse uma espécie de marca registrada ou identidade: ele ficou com mais de 100 unidades do mesmo agasalho. 

Branding Persona em 1980? Eu acho que ele inovou nisso também, pois bem antes do Zuckerberg vestir só camisetas cinzas, o Steve Jobs já era conhecido por suas camisas pretas turtleneck e pelo sapato New Balance.

Mas vamos ao nosso: nesse episódio do podcast resumo e discuto bastante algumas frases desse gênio da tecnologia e, ao longo dele, vamos abordar essas e outras curiosidades de Steve Jobs!

A frase com que quero começar é uma que eu acho fantástica, quando ele apresenta o primeiro Iphone, de uma maneira completamente diferente: 

“Em 2001, introduzimos o primeiro Ipod, e isso não mudou apenas a forma na qual todos nós ouvimos música. Mudou toda a indústria da música.
Bem, hoje, estamos introduzindo três revolucionários produtos desta classe. O primeiro deles é um ipod de tela cheia com controles de toque. O segundo, é um celular revolucionário, e o terceiro é uma internet inovadora. São dispositivos de comunicações para três coisas. Um Ipod que controla tudo com um toque, um celular revolucionário e uma forma inovadora de se comunicar na internet. Ipod, celular e um navegador de internet.  Ipod, celular e um navegador de internet. Entendeu? Estes não são três dispositivos separados. Este é um dispositivo, e estamos chamando isso de Iphone. Hoje, a Apple irá reinventar o celular.”


Sinceramente? Eu acredito que o Steve Jobs tenha sido uma das mentes mais brilhantes na área de negócios da história, e muito provavelmente a mais brilhante das últimas décadas (ao final, ele APENAS construiu do zero a empresa que primeira na história alcançou o marco de valer mais de um trilhão de dólares, no dia 2 de Agosto de 2018) não tanto pela inteligência  (óbvio, ele devia ter um QI muito alto mas eu até duvido que ele tenha gasto minutos preciosos da vida dele para fazer um teste de QI…assim como ele não era um muito bom aluno), mas por outros fatores. Por exemplo, o raciocínio lógico e teórico dele era ímpar.  

A capacidade de ler pessoas e entender o que elas queriam mesmo não sabendo que queriam, era sensacional. E a capacidade de se conectar emocionalmente aos outros (o que não significa que ele fosse simpático e empático, frequentemente pelo contrário) gerou uma habilidade de conectar criatividade com tecnologia que nem o Bill Gates tinha: ao final enquanto o Steve Jobs criou o iPhone, o Bill Gates criou o…Zune!.

Eu acho terrível zoar o Bill Gates porque, primeiro ele é um cara que admiro muito também, e segundo, porque quem sou eu, mas não podia deixar passar essa…

Graças a essa capacidade de ler e entender pessoas, ele conseguia criar produtos que agradavam, interfaces que fossem amigáveis e mensagens de marketing que conectam.

Mas Ele não necessariamente ouvia as pessoas (muito pelo contrário), mas sabia antecipar o que queriam.  Por exemplo, justamente na época anterior ao lançamento do Iphone, ele ficou de saco cheio de fazer focus group para ver o que as pessoas queriam. “Chega”, ele disse certo dia. Ele só via pessoas pedindo smartphones maiores, com um teclado maior…e sabe porque? Porque o BlackBerry era dominante na época, e as pessoas eram influenciadas pelo produto que usavam. Ele não, ele conseguia ir além. 

Olha o que ele fez com o iPhone, e que conseguiu representar de forma perfeita na apresentação do trecho anterior: combinou 3 produtos existente  em 1 novo e inimaginável, inovando de forma radical mas ao mesmo tempo mantendo elementos de familiaridade. 

Que gênio! 

E sobre essa relação entre novidade e familiaridade, estava lendo recentemente um livro do Derek Thompson, chamado Hitmakers, que explica quais os traços em comum dos produtos, ou obras de artes como filmes, músicas e outros que mais fazem sucesso, é uma combinação de novidade com elementos de familiaridade.

Vamos falar de Star Wars por exemplo. Bom, mesmo sendo uma das franquias de filmes que mais faturou na história, com mais de 40 bilhões de dólares acumulados na última época, eu ainda não consigo gostar – fã, não fique bravo comigo!

Mas enfim, se você perceber, Star Wars não é nada mais do que uma inspiração ao Flash Gordon, seriado de sucesso dos anos 50. Bom, em 1971 o George Lucas tentou comprar os direitos de um filme de Flash Gordon, mas não conseguiu: a King Feature Syndicate, que detinha os direitos, preferiu vender a um diretor mais renomado na época, o meu conterrâneo Federico Fellini…sem desistir, o George Lucas escreveu a própria história baseada nisso, juntando Flash Gordon, filmes do faroeste, filmes de guerra e política internacional no mesmo caldo do cozido de Star Wars.

Isso nada mais é do que uma confirmação da teoria MAYA, do Raymond Loewy, provavelmente o pai da propaganda moderna, que chegou da França nos Estados Unidos órfão em um navio em 1919, e que desenhou a decoração do Air Force One a pedido do Kennedy: a teoria Most Advanced yet Acceptable. Nela, ele abordava a tensão entre o interesse das pessoas em serem surpreendidas e sentirem-se confortáveis. Ele dizia que ö consumidor é influenciado em sua escolha de estilo por dois fatores opostos: a atração pelo novo, e a resistência aquilo com que não está familiarizado.

Ao apresentar o Iphone combinando esses 3 elementos, o Steve Jobs juntou duas peças: explicou de forma clara para os consumidores porque usar o produto e quais os elementos de familiaridade que iam conectar com eles, e ao mesmo tempo gerar o efeito surpresa das pessoas inicialmente acreditar que se tratava de 3 produtos diferentes em vez que 1. 

E ele faz isso com uma oratória e capacidade de apresentação ímpar. Eu, como palestrante profissional, fico assistindo discursos de grandes oradores no Youtube por horas, e pra mim o Steve Jobs é um daqueles para quem sempre volto. 

Para mim, os maiores elementos de oratória que ele combina são:

  • Um bom senso de humor
  • Minimalismo com frases curtas e diretas
  • Capacidade de contar histórias
  • Transpirava paixão pelo que fazia

E de alguma forma, mesmo que não fosse para apresentar produto nenhum, mas para inspirar os recém formados da turma de Stanford em 2005, ele sintetizou essas características na seguinte frase, que vem do discurso onde ele também falou a mais famosa frase “Stay Hungry, Stay Foolish”. 

“E muito do que eu encontrei seguindo a minha curiosidade e intuição se mostrou de valor incalculável mais tarde. Vou dar um exemplo: O Reed College naquele tempo oferecia a melhor formação em caligrafia do País. Em todo campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta, foi maravilhosamente caligrafado a mão. Como eu tinha largado o curso e não tinha mais que assistir as aulas normais, eu decidi fazer as aulas de caligrafia para aprender a fazer isso. Aprendi sobre fontes com e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que de fato torna uma caligrafia bela. Era lindo, histórico, artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode capturar, e eu achei isso fascinante. Nada disso tinha sequer um lampejo de aplicação prática na minha vida, mas dez anos depois, quando estávamos projetando o primeiro Macintosh, tudo voltou para mim, e nós colocamos tudo isso no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse caído naquele curso na faculdade, o Mac nunca teria múltiplos tipos de letras ou fontes proporcionalmente espaçadas. E como o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse deixado a faculdade, eu teria caído naquela aula de caligrafia, e os computadores poderiam não ter a maravilhosa tipografia que têm. É claro que era impossível conectar os pontos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois. Mais uma vez, você não pode conectar os pontos olhando adiante. Você só pode conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que de alguma forma se ligarão no seu futuro. Você tem que confiar em alguma coisa, sua força de vontade, destino, vida, karma, o que for. Porque acreditar que os pontos vão se ligar vai lhe dar a confiança para seguir o seu coração, mesmo quando ele te levar fora do caminho, e isso vai fazer toda a diferença.”

Eu sei o que você está pensando….caligrafia? What the fuck…porque ele foi fazer caligrafia?? Eu também me perguntei logo isso, mas depois lembrei que eu também tomei uma decisão semelhante, na época da faculdade, quando na faculdade de economia eu comecei a estudar…árabe!


Ai que realmente a reação de todo mundo foi a mesma que você deve ter tido ao ouvir que o Steve Jobs foi fazer um curso de caligrafia: POR QUE? Mas o interessante é que muitas vezes se você não necessariamente seguir um caminho que só faz sentido, você gera conhecimentos ou se prepara para um futuro que ainda é uma incógnita. E se você tiver a habilidade incrível que o Steve Jobs tinha (e que eu gostaria de ter emprestada dele) de juntar peças aparentemente desconectadas e pular de forma instintiva, inesperada e mágica entre elas, você vai conseguir realmente desenvolver um perfil que sabe se adaptar e aproveitar as oportunidades com rapidez. 

Olhe ao caso dele: essas conexões não aparentes do Steve Jobs eram geradas pela intuição, não necessariamente pelo rigor analítico. Até porque se a vida dele tivesse apenas seguido decisões racionais e lógicas, ele provavelmente nunca teria estudado caligrafia. Ele estudou Budismo Zen quando era mais novo, e a partir daí começou a valorizar mais experiência do que análises empíricas. Ele não necessariamente estudava dados ou métricas como um robô, mas tinha intuições e sensações do que o esperava na frente. Ele aprendeu a criticar o que ele definia de Pensamento Racional Ocidental, na época que foi pra Índia de mochilas na época que deixou a faculdade…ele costumava dizer que as pessoas no interior da India nao usam o Intelecto como nós o usamos, mas usam a própria intuição”. 

E foi na intuição que ele escolheu caligrafia, sem saber porquê e o que o esperava.

Foi na intuição que eu estudei árabe: comecei fazendo um curso em um centro de estudos perto da Estação Central de Milão, e sem saber eu estava já me preparando a ter o intercâmbio na Universidade Americana do Cairo, no Egito, onde acabei desenvolvendo meu TCC que foi sobre o processo de integração econômica dos países do Norte da África com a União Europeia. Hoje moro no Brasil e posso dizer que eu precisei estudar árabe? Não, mas que ele foi fundamental para eu ter experiências de vida que me tornaram quem eu sou hoje, sim, absolutamente. 

O mesmo aconteceu quando, no começo do meu trabalho no Tinder, eu me matriculei em um curso de desenvolvimento de linguagem Java. Confesso que ainda mais nas primeiras aulas não entendi nada, e ao final durante meus anos de Tinder nunca tive que entender de código, mas isso me ajudou, no futuro , a ser investidor anjo pois eu pude fazer perguntas técnicas com maior assertividade. 

Por muito tempo também me perguntei porque eu estudava latim e grego antigo no colégio….até que entendi que facilitou muito meu aprendizado de outros idiomas, como hoje me ajuda a interpretar os filósofos gregos e romanos que por exemplo resgato quando leio sobre estoicismo, por exemplo. 

Mas do que estamos falando, quando descrevemos essa capacidade de juntar as peças aparentemente desconectadas? Eu chamo isso de Flexibilidade Cognitiva, da qual falo longamente no meu livro “6 Competências para Surfar na Transformação Digital”. A flexibilidade cognitiva é a capacidade que nosso cérebro tem de pular com rapidez entre várias áreas do conhecimento, e de ter múltiplos pensamentos de forma contemporânea….será que é a explicação biológica desse tal de fenômeno da intuição?

Acredito que sim.

Quando ele diz que era impossível conectar os pontos ao olhar pra frente, na época que ele decidiu abandonar a faculdade e fazer aula de caligrafia, mas isso se faz claro dez anos depois quando desenvolveu o Macintosh.

Então, não se frustre se está indeciso sobre o que fazer.

Não tenha medo de fazer algo diferente. 

Não ache que tudo que você faz tenha que fazer sentido. 

Igual diz o Steve Jobs nesse discurso, “você tem que confiar que os pontos de alguma forma se conectam no futuro. Você tem que acreditar em algo como força de vontade, destino, karma. Porque acreditar que as peças irão se conectar no futuro, vai lhe dar a confiança de seguir o seu coração mesmo quedado ele te leva fora do caminho traçado”. 

E na pior das hipóteses, você coloca esse conhecimento, situação, experiência na gaveta e nunca se sabe se vai aproveitar dele mais tarde na vida…e ainda no processo, você desenvolve essa flexibilidade cognitiva que o mundo precisa!

E sabe porque ela é importante? 

Porque em um mundo a cada vez mais interconectado, com efeitos de redes, e que te dá a oportunidade de inovar e gerar valor exponencial a partir da CONVERGÊNCIA de tecnologias diferentes, nós temos que seguir ao mesmo passo. 

Estava justamente lendo há pouco, voltando de San Francisco onde fui encontrar uns investidores para o Filmr, o mais novo livro do Peter Diamandis – e olha, tive a sorte de achar ele no aeroporto no mesmo dia do lançamento dele! Ele chama The Future is Faster than You Think, ou seja o Futuro é Mais rápido do que Você Imagina, e fala-se muito de convergência, entre várias tecnologias óbvio, como por exemplo a combinação de AI, IoT e sequenciamento genômico, que está transformando o mundo da saúde, assim como da combinação de tecnologia com novos hábitos do consumidor que gera negócios do crescimento exponencial.

E sabe, do meu ponto de vista, o fator que faz a sua empresa mudar de foco no produto para foco no cliente? é justamente a flexibilidade cognitiva, pois na medida que você foca no produto você é especialista, mas na medida que você foca no cliente, que tem várias frentes de atuação, hábitos, etc, você tem que aplicar a flexibilidade cognitiva para se dar bem. 

E o mundo de hoje, um mundo de invenção e inovação, pede uma combinação de humanas com ciência – conectando arte com tecnologia, poetas com desenvolvedores, de alguma maneira. E essa era a especialidade do Steve Jobs! Ele dizia que “sempre me considerei uma pessoa das humanas, mas gostava de engenharia eletrônica. Ai eu li em algum lugar que um dos meus heróis, o Edwin Land, fundador da Polaroid, disse sobre a importância das pessoas ficarem na interseção das humanas e ciência, e decidi que era isso que eu queria”.  

E cá pra nós, o único jeito de desenvolver Flexibilidade Cognitiva é…sair da zona de conforto! Tirar a bunda da cadeira, e fazer, testar, experimentar, falhar, fazer de novo, viajar, falar com pessoas, ler, ouvir e criticar. 

Bom, a terceira frase, é sobre liderança, tema que muita das vezes botou em cheque o líder que Jobs era, e como a sua liderança era vista pelo seu time.

“As melhores pessoas sabem se autogerenciar: elas não precisam ser gerenciadas. Uma vez que elas souberem o que fazer, elas irão achar uma forma de fazê-lo. Elas não precisam ser gerenciadas mesmo. O que elas precisam é uma visão comum, e essa é a definição de liderança. Exercer liderança significa ter uma visão, e ter a capacidade de articular essa visão de tal forma que as pessoas ao seu redor a  entendam, e achem um consenso em torno dessa visão compartilhada. Nós queríamos pessoas que fossem excelentes de forma extrema no que faziam, mas que não fossem necessariamente aqueles profissionais maduros e com experiência, mas que tivessem na ponta dos dedos e na própria paixão um ótimo entendimento do status das mais recentes tecnologias, e do que podíamos fazer com essas tecnologias, e queríamos trazer isso para muitas pessoas. A melhor das condições se gera quando você junta um núcleo duro de umas dez pessoas extraordinária, pois elas se auto gerenciam e controlam quem entra nesse grupo, e é por isso que eu considero a parte mais importante do meu trabalho recrutar.”

Bom, a fala do Steve Jobs tá linda nesse trecho, mas cá entre nós, Se você perguntar para a maioria das pessoas que trabalharam com o Steve Jobs sobre o estilo de liderança dele, eles dirão que era quase impossível de se trabalhar. Meio arrogante, duro, nem sempre ouvia ativamente e pouco colaborativo. O estilo dele era meio autocrático (pense por exemplo quando na frase ele diz que é preciso ter um núcleo de 10 pessoas…meio cúpula né?).

Ao final, quando na frase ele diz que “as melhores pessoas se auto-gerenciam, e não precisam ser gerenciadas”, bom, do meu ponto de vista, ele está falando de si mesmo kkk. Até porque após ter trazido o Sculley da Pepsi para a Apple, logo após rendeu a vida dele um inferno, mostrando que era ingerenciável mesmo. Mas também é inegável que esse estilo de liderança funcionou! Trouxe resultados, e até as pessoas que trabalhavam com ele, reconheciam isso.

Ele tinha um poder de convencimento ímpar, até o ponto que ele decidiu criar em torno de si um Campo de Realidade Distorcida, ou – em inglês – um Reality Distortion Field – que é um termo emprestado, olha lá, de Star Trek! (Não de Star Wars, do qual falei já a longo). 

Esse campo era um aura de carisma, confiança e persuasão, que fazia com que fosse impossível evitar de se entregar para ele. Era assim que ele conseguia fazer os times deles alcançar metas e prazos impossíveis…um pouco como o Elon Musk faz com seus times, a colocar prazos impossíveis de se cumprir. 

Ao final, esse Campo de Realidade Distorcida que determinou o estilo de liderança dele, nada mais era do que uma recusa a nível pessoal de aceitar limitações que ficassem no meio do caminho entre as ideais e sua execução, e que convencia ele que qualquer dificuldade fosse superável. E esse campo era tão forte que convencia os outros do mesmo: assim, a realidade interna se tornava a realidade externa!

Agora, mesmo que você já tenha entendido, tenho que fazer uma confissão: não sou fã do estilo de liderança do Steve Jobs. Acredito que estilos de liderança mais colaborativos e menos extremos, trazem mais resultados para as empresas.

Mas ao mesmo tempo, temos que admitir que essa característica do Steve Jobs fazia esse estilo de liderança funcionar – enquanto ele não funciona na maioria das empresas, que não tem um líder com o mesmo poder de convencimento. 


Para mim, a principal lição que podemos tirar dessa frase é o fato que o líder tem que ser visionário e recrutar bem ao se cercar de pessoas melhores do que ele, porque , como disse o Jobs, “as melhores pessoas, uma vez que sabem com clareza o que fazer, irão entender o como fazer sozinhas e não precisam ser gerenciadas”.

E em falarmos de líderes visionários, realmente tem exemplos de alguns que conseguiram gerar movimentos enormes de pessoas movidas por essa visão em comum: por exemplo o John F. Kennedy, que tinha uma visão de mandar o homem na lua, ou o Martin Luther King, que sonhava igualdade para todos. Efetivamente, talvez a principal qualidade do líder desde sempre tem sido de construir narrativas que juntassem e moverem pessoas, quase como uma Estrela Polar. Até porque se você fosse perguntar pra maioria das pessoas na época, nenhuma teria apostado um centavo que o homem teria chegado à lua: mas diante de uma visão clara e ambiciosa, tudo é possível.

E olha que ponte interessante com o episódio anterior do Metanoia Lab, sobre o Simon Sinek…ao final do que a gente está falando aqui é o Propósito, nada mais do que isso!

Na medida que o líder conseguir juntar as pessoas diante um propósito comum, uma visão comum se a gente quiser usar essa palavras, conseguirá levar a própria organização para outros patamares. 

Bom, falamos de inovação, flexibilidade cognitiva e liderança. Três  temas que estão cada vez mais interconectados entre eles e são a chave para o sucesso pessoal e profissional de qualquer um de nós. 

Por isso, quero fechar esse nosso segundo encontro com mais uma frase de Jobs que diz:

“Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida ou como um resultado que aponta uma nova direção.”

Eu escolhi essa frase por um motivo bem simples, ERRE e não tenha medo. Construa o seu acerto baseado na sua experiência, baseado nos seus erros.

Se a gente apenas ficar em nossa zona de conforto, simplesmente não teremos oportunidades de ver esse resultado que aponta a uma nova direção, mas a direção que seguimos será apenas aquela imposta por nossa rotina, nossos hábitos, nossa preguiça.

Até porque sem erros, não há inovação. Pense bem se o mundo fosse perfeito: simplesmente não existiria motivo para inovar, nenhum incentivo a buscar soluções.

Porém, arrisco dizer “por sorte” o mundo em que vivemos está cheio de lacunas, obstáculos, problemas que buscam ser resolvidos: o sofrimento que nasce deles é o que nos move a buscarmos soluções. 

Até porque não esqueça: é apenas o ser humano que sofre, que se sente incompleto, insatisfeito, que está programado a buscar soluções e consequentemente inovar.

O custo de ficarmos parados é o de um mundo sem inovação.

E como provocação final, quero que você reflita sobre uma única pergunta: Qual foi a última vez que você deixou de botar um plano em prática por medo de errar?

Pensa bem e, se quiser, me responde essa pergunta no meu linkedin ou perfil no instagram!

Nos vemos semana que vem! 🙂

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