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Liderança, gestão de pessoas e propósito: Simon Sinek e suas teorias comentadas por Andrea Iorio.

"Existem apenas duas maneiras de influenciar o comportamento humano: você pode manipular, ou inspirar."

sIMON sinek

No podcast de hoje, vou analisar e comentar  3 frases do Simon Sinek que falam de liderança, gestão de pessoas e propósito. Esses são temas que me deixam acordado a noite, e que acho fundamentais nos negócios. 

Com certeza, falar sobre Simon Sinek é sempre uma honra e…cá pra nós, um desafio. Afinal, a história dele não é nada monótona, só para vocês entenderem: Sinek nasceu em Wimbledon, no Reino Unido e, quando criança, viveu em Joanesburgo, África do Sul, Londres e Hong Kong antes de se estabelecer nos Estados Unidos. 

Uma bagagem boa o suficiente para um jovem começar a questionar algumas falsas “certezas”, não é mesmo?

Foi justamente por isso, que logo após se formar em antropologia cultural, ele se matriculou na faculdade de direito e rapidamente percebeu que não era para ele, então abandonou a faculdade e entrou no mundo corporativo, onde arranjou empregos em  grandes agências de publicidade e marketing como a Euro RSCG e Ogilvy & Mather. 

Como profissional de marketing, ele procurava constantemente uma maneira melhor de fazer as coisas. Ele ouviu muitas coisas como “não é assim que fazemos por aqui” , mas a sua criatividade lhe permitiu encontrar novas maneiras de realizar tarefas e entregar projetos. Mas depois de alguns anos e bastante frustrações, em 2002, ele deixou o ramo de publicidade e fundou sua própria empresa de marketing. Mas mais que pareça, não é exclusivamente por isso que Sinek se tornou mundialmente conhecido. 

 

Ao longo de sua carreira de marketing, ele notou que havia um padrão na forma em que os melhores conversavam com o público. Eles comunicavam campanhas de marketing da mesma maneira, organizavam as informações da mesma forma….tinha algo em comum ai. E entre nós, podemos dizer que se tem uma referência em criar e popularizar teorias aparentemente chatas para públicos enormes, para mim é ele….e não duvido que esse background de marketing o ajudou a se tornar popular como ele é hoje.

Foi quando ele anotou suas observações e teve sua principal ideia – O Círculo Dourado. SIM, você COM CERTEZA já ouviu falar do famoso Círculo Dourado. Afinal, dentre os 5 livros que Sinek escreveu, o primeiro deles, o “Comece com o  porquê”, publicado em outubro de 2009, já apareceu nas listas de best-sellers do Wall Street Journal e do The New York Times. No podcast resumo e discuto bastante algumas teorias desse grande autor e, ao longo dele, vamos abordar essas e outras curiosidades de Sinek!

 

A frase com que quero começar é uma que eu adoro, que fala sobre propósito, em que ele diz:

“Cada pessoa, cada organização no planeta, sabe exatamente o 100% do que faz.

Alguns sabem como eles fazem, chame isso de proposta de valor diferenciada, ou seu processo proprietário, ou seu principal argumento de venda. Mas poucos, muito poucos sabem porque eles fazem o que fazem. E sim, o “Porque” não quer dizer “dar lucro”. É um resultado, é sempre um resultado. Com o “por que” eu quero dizer:”qual o seu propósito? Qual é o seu motivo? Qual é a sua crença? Por que sua organização existe?” Bem, como resultado, do modo como pensamos, agimos, nos comunicamos é de fora pra dentro. Óbvio, vamos das coisas mais claras às mais confusas. Mas os líderes inspirados, as organizações inspiradas, pouco importa o tamanho, o que fazem, mas todas pensam, agem e se comunicam de dentro pra fora.”

Eu acho essa frase fundamental porque no mundo corporativo, nada disso mais importante. E ao final, empresas não são nada mais do que coletivos de pessoas. Sem eles, empresas seriam apenas um conjunto de instrumentos jurídicos. Fictícios. Sem alma. Sem propósito.

E o que dizer sobre a teoria do Círculo Dourado, se não que ela é tão conhecida que dificilmente acho alguém que não a conheça, no mundo de negócios?  “As pessoas não compram o que você faz, mas o porque você faz” Provavelmente você a conhece também e concorda comigo que o jeito com que o Simon explica um conceito tão profundo com apenas 3 círculos desenhados num pedaço de papel, é simplesmente…muito louco!

Queria, de verdade,  por um dia revezar com ele e passar um dia na cabeça desse cara…já não sei se ele se daria tão bem na troca! A única vantagem talvez seria que ele pudesse se dar bem no tatame…mas só isso mesmo de ganho! 

Agora, fala pra mim de verdade:você já se perguntou por que estamos aqui, nesse planeta? Qual o significado de nossas vidas? Qual o seu propósito? Você pode não perceber, mas nos perguntamos isso todo dia, desde o começo dos tempos. Meu ancestral, 2000 anos atrás lá na Roma de Júlio César, se perguntava isso.  Eu tenho certeza que você se pergunta isso.

Saber o que nos move dá um rumo e um foco à sua vida que você nunca teria imaginado. Mas de frequente o propósito fica escondido, e é preciso procurá-lo bastante…

Nos meus workshops eu uso a teoria do círculo dourado para definir o propósito e consequentemente a missão das empresas que me contratam. E acredite, por muito tempo, mesmo usando esse método , eu não o usei pra definir o meu de propósito…parece um paradoxo, mas não é! É porque eu queria fugir, de tão assustador querer mergulhar a fundo em você mesmo e se fazer perguntas difíceis, e explorar áreas obscuras de você, o seu passado e o que você espera do futuro. 

Recentemente tomei coragem, e identifiquei o meu propósito profissional como o de desmistificar a crença de que transformação digital é um assunto apenas de tecnologia, mas que é um assunto principalmente humano. Óbvio que muito disso vem da minha educação que é principalmente das humanas. Na Itália fiz uma escola chamada Liceu clássico, onde estudei Latim, grego antigo e história da arte…e acredita que aí aprendi muito sobre o mundo digital que estava por vir? Digo estava, porque era na época da primeira onda da internet….e não vou muito mais entrar em detalhe porque assim vou entregar minha idade.

Por exemplo, em minhas aulas de obras de arte me deparei que um dos homens mais digitais que existiu, mesmo que isso seja uns 6 séculos atrás: Leonardo da Vinci. Ao ser inventor, artista e cientista, entre outras, ele sintetiza uma das maiores competências que são fundamentais na era digital: o fato de ter flexibilidade cognitiva. O Simon Sinek tem também muito disso: em suas teorias, ele passa com naturalidade de neurociência e fisiologia, com a descrição por exemplo dos hormônios que nos fazem sentir felizes de forma coletiva, como a oxitocina e a serotonina, para teorias de negócios puras, até a antropologia, nos explicando como mudou nossa capacidade de se relacionar ao longo do tempo…acho isso fantástico, e é mais um motivo pelo qual adoro os livros do Simon Sinek: você sempre se vai surpreender e aprender coisas sobre áreas que não tem conexão aparente. Olha essa conexão que ele faz entre os 3 níveis do círculo dourado e a biologia: 

Sinek diz que sua ideia não é nova; é baseado nos inquilinos da biologia. Se você observar uma seção transversal do cérebro, ela será dividida em três componentes principais que se correlacionam perfeitamente com o Círculo Dourado. A camada externa – o neocórtex corresponde a ‘o quê’. É responsável por nosso pensamento racional, linguagem e é analítico. As duas seções do meio formam nosso cérebro límbico e correspondem a ‘como’ e ‘por que’. Eles são responsáveis por nossos sentimentos, confiança e lealdade. Eles governam todo o nosso comportamento, tomada de decisão e não têm capacidade de linguagem. Quando nos comunicamos de fora para dentro, podemos entender, no entanto, isso não direciona o comportamento. Quando nos comunicamos de dentro para fora, no entanto, estamos conversando diretamente com a parte do cérebro que controla o comportamento.

E como isso aplica aos negócios? Também acho fundamental percebermos os exemplos que o Simon Sinek traz, como é o caso da Apple como uma empresa que começa pelo Porquê. Ele diz que ao final a Apple não fiz apenas “fazemos ótimos computadores. São fáceis de se usar, com um design bonito e fáceis de usar. Quer comprar um?” 

Mas Andrea, isso é o que toda empresa de computadores sabe e pode dizer, não é verdade?

Pense bem, o que ela te diz é: “em tudo que fazemos, nós estamos desafiamos o status quo das coisas. Sim, nós pensamos diferente, e se você for usar nosso produto, você também é como a gente”.

Wow, mensagem 10 mil vezes mais poderosa.

Tem várias outras  empresas que começam pelo porquê, como a Patagônia , a companhia aérea Virgin, e quando falamos da Disney,  acho bastante bastante forte o tema do propósito.

Mas voltando para a Apple, empresa que conversa bastante com públicos mais novos, vou te contar que uma pergunta que sempre me fazem é: Mas Andrea, o que será que a geração Z acha disso? Será que aplica a eles também? Digo que sim, eu acredito que a geração Z inclusive está a cada vez mais atenta ao tema do Propósito.

Ao final, um recente estudo da McKinsey define a geração Z da geração da verdade: ou seja não tem mais como esconder deles, como empresa, a verdade nua e crua do que a empresa faz, de como trata os funcionários, e de fato o propósito! Seja como consumidores , mas ainda mais como funcionários: estatísticas da Deloitte que o motivo número 1 de escolha da geração Z na hora de um emprego é se o líder abraça causas sociais e ambientais de forma genuína ou seja… está conectado com um propósito maior!

Bom, exploramos bastante essa parte de propósito – vamos agora mais a fundo no tema de liderança apresentado pelo Simon Sinek com essa frase. 

“É sempre muito bom saber que sim, juntos podemos enfrentar os perigos que estão lá fora. O que eu quero dizer é, é muito difícil enfrentarmos os perigos por dentro das nossas empresas, se os nossos líderes não nos permitem um espaço para nos sentirmos seguros dentro de nós mesmos. Sendo assim, nós somos forçados a exercer as nossas próprias forças para nos proteger do outro e acabar, dessa forma, nos expondo.  Além disso, temos diversas preocupações pessoais que nos atormentam diariamente e, se preocupar com o que o seu chefe vai pensar do fato de você não estar investindo energia apenas nos negócios e produtos que você está tentando desenvolver, não ajuda em nada. Não apenas em em seu trabalho, não em criatividade, mas apenas tentando se manter seguro. E isso é destrutivo pessoal e profissionalmente.

De fato, a responsabilidade da liderança tem duas coisas pra determinar quem entra e quem não entra nessa área segura.  Ou seja, em primeiro lugar são os seus valores e crenças. Já a segunda coisa é decidir o quão grande é isso, o quão grande fazemos o círculo de segurança.

É importante que o círculo de pertencentes seja feito para ir além de executivos de alto escalão. Ele precisa se estender até ao estagiário e permitir que ele possa circular com segurança. De fato, os grandes líderes de uma organização, estendem o círculo para que os profissionais mais Juniores percebam que eles fazem parte também. E essa é a melhor forma de liderar.”

Aqui o Simon Sinek nos fala que entre as principais responsabilidades de um líder,  talvez a mais importante,é de criar o que ele chama de Círculo de Segurança, ou em Inglês o Circle of Safety.Já deu pra notar que ele adora círculos para explicar coisas né?  Desde os 3 círculos do Círculo Dourado, até chegar nessa teoria.

Mas então, o que  é um círculo de Segurança?

É esse lugar dentro das empresas, onde você se sente seguro que nenhuma politicagem, nenhuma meta de curto prazo ou nenhum medo faça você entregar abaixo do seu potencial. 

 Para melhor explicar a importância do Círculo de Segurança, o Simon Sinek conta a seguinte fábula do Esopo, que inclusive já tinha me deparado na época do colégio na Itália quando estudei Grego Antigo.  

Um leão costumava rondar um campo no qual quatro bois costumavam habitar. Muitas vezes ele tentou atacá-los; mas sempre que ele se aproximava, eles giravam as caudas um para o outro, de modo que, de qualquer maneira que ele os aproximasse, era recebido pelos cornos de um deles. Por fim, porém, eles brigaram entre si, e cada um foi pastar sozinho em um canto separado do campo. Então o Leão os atacou um por um e logo acabou com todos os quatro.

– Esopo, século VI a.C.

 

Consegue perceber a importância? 

Por muito tempo me perguntei porque eu estudei 5 anos de grego antigo…agora entendi! 

 Bom, o único que pode criar esse círculo de segurança é o  líder, pela posição que ele está. Além de escolher as 2 característica desse Círculo, como comentou na  frase, o círculo nasce a partir do exemplo e da demonstração de vulnerabilidade do líder. Não é um acaso que o livro sobre Liderança do Simon Sinek chama Leaders Eat Last, ou seja os Líderes Comem por Últimos, se referindo a algumas práticas do exército americano onde os militares de mais alto escalão costumam esperar que todas as tropas tenham se alimentado bem, para comer elas mesmo. Isso faz o líder descer do pedestal, e criar um ambiente de cooperação e sucesso.

Mas qual o mecanismo atrás disso?

Vou te contar através de um exemplo. Vamos supor que sexta a tarde você sai para um Happy Hour depois do trabalho, exagera um pouco com a cerveja e faz o erro de mesmo assim pegar o carro…pessoal, não dirijam após beber! Tinha que reforçar, e esse é um exemplo a não seguir – ai você é parado na lei seca e precisa dar um jeito para retirar o carro. Nessa altura do campeonato, são 2 da manhã e você liga pra aquele amigão de confiança, que você sempre pode contar, que estava cochilando em casa e mesmo assim troca de roupa, pega um Uber até você e te salva dessa: se eu perguntar para ele porque ele fez isso de sacrificar o sono dele e a sexta a noite dele, eu aposto 1000 Euros que ele vai responder “Porque o Fulano teria feito o mesmo para mim”.

Óbvio que esse é um exemplo bobo, mas você sempre ouve essa resposta em casos mesmo de pessoas arriscando a própria vida, até para salvar desconhecidos. Por que?

Porque quem faz, tem a confiança que os outros vão fazer por ele. E por isso que criar um círculo de confiança é fundamental para fomentar a colaboração na empresa. Não é?

Também realmente acho  essa frase muito interessante porque nasce de algumas das teorias mais importantes da antropologia e evolução humana- que outro autor que eu amo, e que de certa forma tem ponto de vistas comuns com o Simon Sinek, ou seja o Yuval Harari, autor do Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21. Ele fala, em um famoso TED talk, que o principal fator de sucesso do ser humano, comparado com as outras espécies animais, foi o fato do ser humano saber colaborar de forma flexível em larga escala. Isso devido a nossa capacidade de acreditar em histórias, em narrativas, que ao final, ao meu ver, não seria diferente do que ao acreditarmos nas missões, valores, cultura e, novamente propósito da empresa. E quem dita isso é o líder! 

 

Através de certos comportamentos, não apenas porque os valores estão escritos.

O cofundador do fundo de Venture Capital, Andreseen Horowiitz, que inclusive recentemente investiu na Loft aqui no Brasil, e fez deles o primeiro Unicórnio brasileiro de 2020, escreveu um livro que está nas minhas últimas leituras preferida, do título What You do is Who You Are, ou seja O Que você Faz é quem Você é. Nele, o Ben Horowitz explica porque é o que você faz que determina sua cultura. Explica melhor, Andrea. Bom, vou fazer um exemplo que ele traz: praticamente todos os Venture Capital do mundo tem entre os valores deles “respeitar o empreendedor”….ou seja, de fato criar um Círculo de Segurança pra ele, no ato prático! Mas o comportamento de 99% desses fundos não corresponde á priorização do empreendedor que eles se propuseram: no Andreesen Horowitz, para cada minuto de atraso de uma reunião com empreendedores, os funcionários do VC pagam uma multa de 10 dólares! Eu concordo que seja uma regra até um pouco exagerada, mas o que quero dizer é que os comportamentos são os que criam o Círculo de Segurança, não apenas dizer que o empregado é a prioridade  em um quadro da parede e depois não corresponder com os fatos. 

 Óbvio que depois disso, muitas empresas querem implementar esse Círculo de Segurança….muitas pessoas me perguntam; “Andrea, como posso incrementar essa “filosofia”na minha empresa?”  

 Bem, uma forma de implementar isso na sua empresa, por exemplo, é você tratar os outros não só da forma que você gostaria de ser tratado, mas da forma que eles gostariam de ser tratados! Pode parecer banal, mas não é: para isso, você tem que fazer algo que muitas vezes parece uma tarefa impossível, no meio do estresse do dia a dia de trabalho: perguntar para o seu colega: “Como você está?”, “Como você está se sentindo?”. Muito mais difícil do que pedir uma entrega, ou de realizar uma tarefa, não é?

 Vivi a importância do Círculo de Segurança quando eu trabalhava no Groupon, onde comecei em 2011: entrei em um momento de crescimento forte da empresa, e como gerente comercial, era muito cobrado por metas e existia uma competição forte dentro da organização. O Círculo de Segurança não era forte, quase que pelo contrário: a minha sensação era de insegurança, instabilidade e tinha medo de expressar minhas opiniões para ser ridicularizado. Tenho certeza que você se sentiu assim já em algum lugar, ou se sente assim hoje – e não está sozinho: segundo pesquisa do Fredy Machado, 90% das pessoas no Brasil estão infelizes no próprio emprego e mesmo trazendo bons resultados para a empresa no curto prazo, vivia o meu dia a dia no emprego com ansiedade, estresse, e sempre buscando outras oportunidades no mercado.

De acordo com Amy Edmondson, uma das principais pesquisadoras da Harvard Business School sobre o tema, a segurança psicológica “cria percepções das conseqüências de assumir riscos interpessoais em um contexto específico como um local de trabalho”. O risco para mim (na situação acima) foi prejudicial para mim. minha credibilidade. Se não me sentisse confortável sendo completamente vulnerável, teria sido uma experiência embaraçosa e lamentável.

Edmondson identificou a importância da segurança psicológica nas áreas de colaboração no local de trabalho e trabalho em equipe. Os membros da equipe psicologicamente seguros “sentem-se confiantes de que ninguém na equipe irá envergonhar ou punir alguém por admitir um erro, fazer uma pergunta ou oferecer uma nova idéia”.

Agora, no Tinder para mim isso foi muito diferente, e consequentemente a empresa prosperou muito (enquanto o Groupon teve uma trajetória de declínio, também devido a isso): A gente se sentia empoderado e protegido, e isso fazia a criatividade fluir: lembro que chegava a trazer ideias malucas a reuniões, como a ideia de por exemplos espalhar “matchzômetros” pelas principais cidades durante o Carnaval para medir matches. Matchzômetro? Andrea, você é maluco, deve estar pensando.

Bom, deixa explicar o que é um matchzômetro: a gente iria calcular em tempo real o número de matches dados em uma determinada área geográfica, e exibi-los em tempo real pelos painéis digitais da cidade. A Clear Channel, empresa de mídia Out of Home, comprou essa maluquice, e mesmo que não tenha sido implementado por outros motivos, a diretoria global do Tinder também.

Ou seja, quando você implementa um Círculo de Segurança, você consegue empoderar os seus times ao ponto deles darem o melhor e trazer resultados importantes de negócio. 

Agora, mesmo que feliz e se sentindo dentro de um Círculo de Segurança, você não pode exagerar com o trabalho. Tem que saber separar e equilibrar vida profissional e pessoal. Na próxima frase, o Simon nos explica como, e porque.

“Na verdade, sou muito bom em tirar um tempo para mim mesmo, onde eu consigo me desconectar e descansar a minha mente. Sim, eu sou um bom defensor das pessoas que gostam e sabem aproveitar suas férias. Porém, é importante saber distinguir o perfil dessas pessoas, até porque, conhecemos bastantes pessoas que, ainda  quando estão de férias, se mantém online o tempo todo. Ou seja, é claro que elas não estão totalmente de férias, ainda que estejam indo a praia ou algo do tipo.

Na verdade, nessa época da idade moderna, se tornou muito comum tirarmos  férias e termos zero noites de descanso, o que acaba sendo muito prejudicial, tanto para as empresas como para os indivíduos também. De fato, estamos em um ciclo que requer muito cuidado. Explico, muito de nós já passamos pela situação de recebermos um e-mail em um fim de semana e ficamos aflitos para respondê-los antes da segunda-feira. Claro, sempre há exceções e quando vou estar de férias, digo a minha equipe que estou de férias. Se houver alguma situação de emergência, estarei apto para ajudar, entretanto é importante entender que  francamente, qualquer pessoa que está de férias ou tira um day off, e fica dando checks no trabalhando regularmente, deixa evidente a desconfiança na sua equipe.”

Eu adoro esse trecho do Simon Sinek, porque ele toca em 2 temas que são fundamentais para mim: a necessidade de se desconectar, para esvaziar a mente como eu gosto de dizer, e também os perigos da microgestão e o impacto negativo na motivação em seus times. 

Vamos começar pelo primeiro. 

Recentemente publiquei um livro pela Editora Planeta, o “6 Competências para Surfar na Transformação Digital”. Eu escrevi ele durante meu último ano no Tinder e meus primeiros meses na L Oreal, mas a  ideia do livro nasceu em um lugar que eu amo: a Chapada dos Veadeiros. Eu passei um final de semana lá. Em São Jorge. Meu lugar preferido na terra. Sozinho. Celular desligado.

100% contato com a natureza. O que aconteceu?

Foram entre os dias mais criativos da minha vida. Eu andava pelas trilhas com um caderninho na mão, parando volta e meia para anotar pensamentos.

Foi incrível.

Sabe por que?

Porque consegui esvaziar a mente, igual como se nossa mente fosse um copo cheio no dia a dia e que consegue absorver a novidade apenas se conseguirmos esvaziá-lo.  Eu consegui desenvolver o livro porque, se no meu dia a dia a minha mente é igual essa xícara, nós precisamos separar momentos para esvaziar o conteúdo e adotar essa mente de iniciante.

Até porque, Alvin Toffler diz que, no futuro, o  analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender.  Nada mais importante então de se desligar, de fato! Nós não podemos tirar férias meio conectados, porque isso nos impossibilita esvaziar a cabeça e pensarmos de forma estratégica sobre nossas vidas e nossas carreiras. Ninguém quer isso!

 O segundo ponto é onde ele fala de microgestão, porque se de fato você precisa constantemente checar o que a sua equipe tá fazendo, você tá mostrando pra eles que você não confia neles. Sobre esse tema, resgatei um tweet de 2014 do mesmo Simon Sinek que diz que “Um chefe que micro-gerência é como um treinador que quer entrar no jogo. Os líderes orientam e apóiam, e depois se sentam para torcer do lado de fora ”.

E eu, particularmente, acho quase impossível não concordar com isso, até por ter vivido isso na pele.

Em 2011, quando o Groupon me fez proposta de me juntar a empresa como gerente comercial em Belo Horizonte, pensei que talvez eles tivessem se enganado: eu não tinha experiência nem comercial, nem em gestão de pessoas…como puderam fazer uma proposta como essa para um cara que foi apresentado para eles através de contatos comuns no LinkedIn? Bom, eu topei a loucura.

E confesso: nos primeiros 6 meses, eu devo ter sido o pior gestor de sempre, de cada membro da minha equipe. Extremamente inseguro, eu tinha a obsessão de checar constantemente o status das negociações da equipe, chegando a medir até o número de ligações feitas por dia e sempre cobrando mais. Inútil dizer, que os resultados não estavam chegando. E não só isso, mas outra coisa estava se indo embora junto aos resultados financeiros: a saúde do meu time!

Descobri isso certo dia quando uma menina do meu time me pediu pra conversar, ao chegar no escritório com olheiras e olhos cheios de lágrimas: ela não estava conseguindo dormir ultimamente por causa de estresse, e naquela mesma noite ela teve um pesadelo: eu estava correndo atrás dela em um hotel abandonado, e quando ela se trancou num quarto, eu não parava de bater na porta dela. Meio Jack Nicholson no Iluminado, não é? Aí ela acordou mega assustada, e disse “chega!”.

Bom, não é necessário ser um expert em interpretação de sonhos para entender que…eu tava pressionando ela demais. Chegou no limite, e assim como ela, eu disse, chega!

Marquei no mesmo dia uma reunião de time, e pedi pra todo mundo ser extremamente aberto comigo. Foi um dos dias mais desmoralizantes da minha vida: ouvi entre as piores coisas que você possa pedir como profissional. Mas ao mesmo tempo foi um dos dias mais importantes da minha vida: entendi que ao microgerenciar, estava matando toda pequena partícula de autoconfiança que meu time tinha, assim como estava queimando qualquer tipo de relacionamento com eles.

A partir daquele dia, desci do pedestal, e aprendi a delegar a cada vez mais. Isso não foi sem noites cheias de pesadelos e crises de ansiedade no começo, mas ao longo do tempo os resultados a cada vez mais positivos de negócio me tranquilizaram.

Porém sempre fui um daqueles que sempre se cobra, e mesmo eu tendo aprendido a não me meter nas ferias do outro, não conseguia deixar de desconectar durante minhas férias. Até o dia em que, durante umas férias que tirei na época do Tinder, me propôs a participar de todos os calls semanais de time mesmo assim: só que escolhi ir pra Ásia, e isso dava em torno de 12 horas de diferença com Los Angeles. Segurei na primeira semana, mas quando na segunda vez, após ter esperado várias horas acordado em Hanoi no meio da noite, descobri que na hora o call foi cancelado, me recusei mesmo a conectar durante as férias – e desde então tem sido assim. Até porque cabe a pergunta: ao estar totalmente conectado, estava sendo produtivo?

Vamos lá, do meu ponto de vista, o conceito tradicional de produtividade, que é usar o mínimo de recursos para produzir o máximo possível, está falho. Essa definição foca demais em quantidade como prioridade.

Minha definição de produtividade é USAR O MÍNIMO DE RECURSOS PARA PRODUZIR O MÍNIMO NECESSÁRIO. Assim, focamos no que é importante: qualidade.

Às vezes, fazer o máximo possível simplesmente não é necessário, e isso pode sugar nossos recursos físicos e mentais. Temos que aplicar o minimalismo. Por exemplo, acho muito mais importante saber resumir a própria estratégia de um ano numa frase do que em um Powerpoint de 50 slides. Até porque, os decisores nunca vão ler tudo aquilo.

O que eu faço pra aplicar meu conceito de produtividade é, primeiramente, priorizar o que realmente importa. Depois, coloco, para mim e para equipe, deadlines curtos de entregas para que, assim, se passe menos tempo numa mesma tarefa. Se temos pouco tempo, nossa mente fica mais atenta e a qualidade final tende a ser melhor (a lei de Parkinson diz justamente que o volume de trabalho é consequência do tempo que se tem à disposição).

Bom, falamos de liderança, gestão de pessoas e propósitos, 3 temas que estão cada vez mais interconectados entre eles e são a chave para o sucesso pessoal e profissional de qualquer um de nós.  Nada disso se consegue sozinho porém: quero fechar esse nosso primeiro encontro de muitos com mais uma frase utilizada pelo Simon Sinek e que faz total sentido para tomar iniciativa nesses temas desde já.

“Se você tiver a oportunidade de fazer coisas incríveis em sua vida, eu recomendo fortemente que você convide alguém para acompanhá-lo.”

Eu escolhi essa frase por um motivo bem simples, ela diz muito sobre esse podcast. Ele, de verdade, é um projeto que tem uma importância muito grande pra mim, porque através dele, eu consigo estar cada vez mais acompanhado de vocês!

Por isso, comece a seguir esse Podcast, porque toda semana teremos conteúdos novos! Ah, e se você quiser sugerir novos temas, ou conversar a respeito dessa edição, me chama no linkedin ou no instagram, vai ser uma honra!

E como provocação final, quero que você reflita sobre as seguintes perguntas, que o Simon Sinek te faria em uma sessão de mentoria…quem dera, né?Qual seu propósito? Qual o propósito da sua empresa? Busque botar no papel em poucas linhas porque você faz esse trabalho, e logo menos terá impactos incríveis no seu negócio.

Você é um líder apenas porque tem mais tempo de casa e foi promovido para gerenciar uma equipe, ou de fato é um líder servidor, que cria um Círculo de Segurança? Pratique a empatia, para entender como os outros querem ser tratados, e nunca ofereça menos que isso.

Sabe delegar ou é um daquele gerentes chatos, igual eu era na época do Groupon? Se for, uma dica pra você: “let it  go”, como diz a princesa da Frozen…desapegue e monitore os resultados: vai ficar muito aliviado ao perceber que os resultados de negócio ficam ainda melhores!

E se isso não acontecer, estou aqui pra te ouvir. Vamos falar mais na semana que vem!

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