PODCAST

Ray Dalio: meritocracia, aprender com erros e recuperação pós-Covid comentados por Andrea Iorio.

"Maturidade é a capacidade de abrir mão de boas oportunidades para ir atrás de oportunidades ainda melhores."

RAY DALIO

Raymond Thomas Dalio é um bilionário americano, gerente de fundos de hedge e filantropo que atua como co-diretor de investimentos da Bridgewater Associates, fundo de investimento que ele fundou em 1975 em Nova York.

Ele nasceu em Nova York, estudou na Universidade de Long Island antes de receber um MBA da Harvard Business School em 1973. Dois anos depois, em seu apartamento, Dalio lançou o Bridgewater. Em 2013, o Bridgewater foi listado como o maior fundo de hedge do mundo .   Em 2020, a Bloomberg  classificou Ray Dalio como a 79ª pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em com uma fortuna estimada e 17,7 bilhões de dólares. Além disso, Dalio é o autor do livro de 2017 : Princípios: Vida e Trabalho , sobre gestão corporativa e filosofia de investimento . Foi publicado na lista de mais vendidos do New York Times , onde foi chamado de “evangelho de transparência radical”.

Para vocês terem ideia, o desejo de Dalio pelo mercado financeiro surgiu ainda na juventude, quando ele realizou um investimento bem-sucedido em uma companhia aérea. Vou explicar, aos 12 anos de idade, isso mesmo, 12 anos, Ray realizou seu primeiro investimento, na época ele comprou ações da Northeast Airlines por 300 dólares. E o mais interessante de tudo foi que ele se deu bem apenas por sorte, pois ele contou já velho que o critério para ele comprar aquelas ações foi que eram as mais baratas no mercado…assim que ele pensou: com isso, vou conseguir comprar mais e ficar mais rico! Olha que engraçado!


Pois bem, falamos bastante dele e acho que nada melhor do que ouvi-lo! Por isso, na primeira frase desse episódio, separei um trecho em que Ray fala sobre meritocracia! Escuta só!

“Eu queria criar uma meritocracia de idéias. Em outras palavras, não uma autocracia na qual eu lideraria e outras seguiriam. E não uma democracia em que os pontos de vista de todos fossem igualmente valorizados. Mas eu queria ter uma meritocracia de idéias na qual as melhores idéias vencessem. E, para fazer isso, percebi que precisaríamos de veracidade radical e transparência radical. O que quero dizer com veracidade radical e transparência radical é que as pessoas precisam dizer o que realmente acreditam, e precisam poder ver tudo. E literalmente gravamos quase todas as conversas e deixamos todo mundo ver tudo, porque se não fizéssemos isso, não poderíamos realmente ter uma  meritocracia de ideias. Para ter uma meritocracia de ideias, você precisa deixar as pessoas falarem e dizerem o que querem. Só para lhe dar um exemplo. Este é um e-mail de Jim Haskell, que trabalha comigo, e foi disponibilizado para todos na empresa. 

“Ray, você merecia um D-menos por seu desempenho hoje na reunião. Você não se preparou nada bem, porque não havia como você estar mais desorganizado.”

 Isso não é ótimo? Isso é ótimo. 

É ótimo porque, antes de tudo, eu precisava de um feedback assim. Eu preciso de feedback assim. E é ótimo porque se eu não permitir que Jim e pessoas como Jim expressem seus pontos de vista, nosso relacionamento não seria o mesmo. E se eu não tornasse isso público para todo mundo ver, não teríamos uma meritocracia de ideias.”

Eu falo muito de vulnerabilidade nesse podcast, então vamos começar com uma admissão: eu sou péssimo em termos de transparência radical. Sou um cara muito político, e sempre tento amenizar os conflitos com a boa lábia que tenho, mas acaba que perco o poder da transparência e do, que aqui no Brasil, aprendi ser chamado de papo reto. 

Sofri muito disso com isso no Groupon: por não ser muito direto, acontecia que a maioria das pessoas interpretava meus feedbacks da forma que queria, e consequentemente eu perdia o respeito do meu time. Eu lembro ainda que passei por um super treinamento de alguns dias assim que entrei na empresa, onde aprendemos a dar feedbacks a sanduíche: você abre com um elogio, depois aponta para o aspecto negativo, e depois elogia novamente. Ai praticamos bastante, e lembro que eu fiz uma dinâmica com o Douglas, que tinha entrado na mesma época que eu e ia ser gerente de Cuiabá, enquanto eu ia pra BH. Praticamos e me saí super bem: nota máxima, pelas meninas do time de T&D. 

E daí, meu primeiro dia na rua: um fracasso. Realmente meus direcionamentos não chegavam e meus feedbacks eram meio que considerados piadas. Eu não conseguia ser direto na vida real, simples assim.  E durante quase o tempo todo no Groupon, eu dormia igual criança a noite: ou seja, acordando a cada três horas chorando.

Não fiz muito progresso ao longo do tempo, admito. 

Alguns anos depois, enquanto eu estava em Los Angeles para nossos encontros trimestrais do Tinder, distribuíram para todo o mundo uma cópia de um livro com capa vermelha: não era o Good to Great do Jim Collins, do qual falamos em outro episódio, e que tem uma capa super reconhecível e vermelha. Não, era de uma autora até então desconhecida para mim, a Kim Scott, do título: Candor Radical: seja um chefe foda sem perder a humanidade. Wow! Primeiramente fiquei meio assustado por esse “sem perder a humanidade” pois…que tipo de práticas deveriam estar nesse livro? Tortura? Parecia que esse fosse até uma forma de pedir desculpas por fazer algo ruim…ah, eu fiz isso mas com humanidade tá? rs.

Mas quando eu abri o livro e comecei a ler, entendi que não tinha nenhuma prática sádica nele, mas sim formas objetivas de como ser um líder ou comunicador que não é por um lado exageradamente agressivo ou de outro perigosamente empático e político, como eu. 

E o que eu realizei era que eu sempre me contava desculpas para não ser direto com as pessoas. 

Lembro de um caso de um vendedor na época do Groupon que vou chamar aqui de João. Ele tinha sido contratado há pouco tempo, e tinha a experiência necessária e o perfil para performar super bem. Contratamos ele animados que pudesse fazer a diferença. Bom, após alguns meses a performance dele estava péssima. Mas eu tinha dificuldades em ser direto e transparente com ele, porque meio que me contava um monte de desculpas para não tocar no assunto. Primeiro, o João era super gente boa, simpático e a gente se dava super bem: isso me fazia querer manter essa vibe boa e não querer tocar em assuntos difíceis para não botar o clima para baixo. Até porque meu medo era que ele levasse o feedback pelo lado pessoal: e convenhamos, no Brasil e na Itália, países que conheço bem, isso acontece bastante pelo fato da esfera pessoal e do trabalho se misturar bem mais do que em outros países.  Então o que acontece muito aqui é quando você diz “o seu trabalho está ruim”, a pessoa ouve “eu sou ruim”. 

Inclusive acho que no Brasil isso é ainda mais forte do que na Itália. Não queria que isso acontecesse. Segundo, sendo que as credenciais dele no currículo quando o contratamos eram ótimas, eu sempre ficava me contando a história que essa era apenas uma fase. E essa fase estava começando a durar bastante. E terceiro, de frequente era eu que resolvia as bombas que o Alexandre deixava ou era eu que retomava as negociações que ele deixava no meio, porque eu sentia que isso era mais rápido e assertivo do que retreinar ele….aí fiquei empurrando com a barriga, e chegamos a um ponto de não volta: para não demitir, eu tinha que realoca-lo para trabalhar as contas de Betim e Contagem, e não mais de BH. Preocupado com qual teria sido a reação dele, eu simplesmente nao falei nada e numa sexta à tarde após ele ter saído do escritório, transferi toda a carteira dele no Salesforce para outros executivos de vendas, e coloquei ele nas contas de Betim e Contagem.

Agora, pergunto para você que está me ouvindo: você acha que ele estava feliz na segunda feira de manhã, quando ele chegou no escritório e abriu o Salesforce? E não digo tanto pelo fato de ter sido transferido para Betim e Contagem, mas pelo fato que eu nem sequer avisei ele? Bom, nem preciso falar que ele estava furioso e que isso certamente atrapalhou muito mais da relação com ele do que se eu tivesse sido direto! E você acha que ele era transparente comigo, assim como os outros membros do time, sendo que eu não era com eles? Pela propriedade transitiva, e pelo princípio da reciprocidade, a resposta é um NÃO em caixa alta! E aí que começou o problema das reuniões fantasma, onde o pessoal inventava ter ido para reunião enquanto ficou em casa…ou até casos de contratos falsos! Como dá pra criar um ambiente de alta performance se a gente não preenche nem o pressuposto da transparência, que é o grande ponto de partida de qualquer relação humana? 

Então a gente viu da fala do Ray Dalio que uma transparência radical é o ponto de partida para uma meritocracia de ideias. O que é isso?

Vamos começar pelo que não é.

Não é nem uma autocracia, nem uma democracia. 

E aqui eu volto com minhas referências de grego antigo: seja autocracia, meritocracia e democracia tem o mesmo sufixo: kratos, ou seja poder. A diferença entre essas palavras é quem detém o poder: autos é de si mesmo, ou seja uma pessoa só detém o poder em uma autocracia. Democracia é o poder do povo, de Demos, povo. E meritocracia combina o prefixo meritum, que de forma meio óbvia significa…mérito! 

Então vamos lá: 

Qual o problema inerente de uma autocracia nos negócios? Se o líder toma uma decisão errada, a empresa inteira vai com ele. E também rapidamente desmotiva os colaboradores por não terem voz e consequentemente se perguntarem qual o papel deles.

Qual o problema de uma democracia nos negócios, mesmo que essa frase possa soar perigosa pois democracia é o sistema que por sorte rege nossos países: é que demora muito no tempo de reação, ao ter que envolver todo o mundo no processo de decisão. 

A Zappos, empresa fundada pelo Tony Hsieh, vai até além e se proclamou uma HOLACRACIA: sistema organizacional onde a autoridade e a tomada de decisão é distribuída a uma holarquia de grupos auto-organizados. Eu nunca experimentei mas não sei se funcionaria também não na maioria dos casos.

Mas gostei da ideia da Meritocracia de ideias. No livro dele, Principio, o Ray Dalio explica como cada ideia que os times trazem a tona é avaliada com nota pelo resto do time de forma transparente, e isso leva a uma cultura onde as grandes ideias ganham.

Mas ideias sozinha não leva a inovação nem ao sucesso, a gente cansou de dizer nesse podcast.

O que a gente precisa mesmo é de executar, e com isso chegam os erros. E é justamente nesse próximo trecho que o Ray Dalio nos explica como aprender de verdade a partir dos erros. 

“Bem, eu aprendi com meus erros. Em outras palavras, meu instinto é… você vai lá e faz uma aposta: aí eu tive apostas certas, e apostas erradas. E o que eu fazia toda vez que cometia um erro, era que mesmo que eles se tornavam erros dolorosos, com o tempo, percebi que refletir sobre esses erros me daria soluções. O que eu fazia era dizer: por que cometi esse erro? E eu aprendia com esse erro, eu escrevia em uma regra. Então, o que foi útil para mim foi colocar esses princípios como regras, aí depois eu coloco em algoritmos, em outras palavras, equações. E o que aprendi ao fazer isso foi que se eu adotasse meus critérios de decisão, esses princípios, e depois os testasse ao longo do tempo, ganharia uma perspectiva fantástica. Eu posso testá-los nos últimos 100 anos, por exemplo. Eu poderia testá-los em diferentes países e aprenderia como essas regras funcionam. E ao colar todas essas regras juntas e vendo esses algoritmos, o computador poderia replicar meu pensamento, mas na verdade poderia pensar melhor do que eu, porque o que ele podia é  processar mais informações. Poderia processá-las mais rápido. E poderia processá-las menos emocionalmente. Então era como ter um G.P.S.  que estava ao meu lado enquanto eu também tomava minhas decisões, como se você estivesse dirigindo um carro e ambos estivessem funcionando. E ter isso ao meu lado foi, você sabe, inestimável.Ele aprenderia. Eu aprenderia. E juntos construímos isso.”

Recentemente estava numa live com o Pedro Englert, CEO da StartSe: uma grande honra, pois tinha lido muito sobre ele no livro Na Raça do Guilherme Benchimol, e tinha meio que um temor reverencial por ele. Ai no papo, que foi ótimo aliás, eu falei meio que uma banalidade: falei “os erros são fundamentais para evoluir”.

Ai ele me corrigiu: “Só se você aprender com eles, né?”. 

Fiquei de cara. é Verdade! Do que adianta errar, se após o erro você apenas esquece e segue pra frente como se nada tivesse acontecido. Quase tentando esconder né, como aquelas coisas que a gente tem vergonha. Pelo contrário, precisamos mostrar ao mundo nosso erro pra aprender com ele…ou se não ao mundo, pra gente. 

Ah, e tem mais uma adição a essa frase, que no caso nao vem do Pedro mas vem do Jim Collins: o erro é preciso apenas se você sobreviver a ele…quanta verdade tem nessa frase!

Mas sobre o aprendizado que nasce do erro, quero contar uma história que demonstra a importância de refletirmos sobre os erros.

Em 2015 ou 2016, eu ainda trabalhava no Tinder, e me deparei com um aplicativo chamado Stey. Era tipo um Snapchat, inclusive muito mais intuitivo, e totalmente desenvolvido no Brasil. 

Inclusive quero contar mais sobre a forma com que acabei conhecendo e virando amigo dos fundadores do aplicativo. Enquanto trabalhava no Tinder, eu tinha uma ideia de desenvolver dentro do grupo um aplicativo de relacionamento onde paquera baseado em vídeo ou seja você postava stories os outros as viam e podiam curtir ou menos. O vídeo depois sumia e você precisava constantemente publicar pra poder ter Seus matches. E assim que eu baixei O Stey, adorei. Logo pensei que devia conversar com os fundadores desse aplicativo para entender o que dava pra fazer juntos. Aí eu descobri em um artigo na imprensa o nome dos fundadores pois eles tinha feito uma festinha de lançamento, e achei eles: Fernando e Ricardo Whately. E logo igual qualquer um eu fui no LinkedIn e procurei por Ricardo: achei o perfil mas vi que não tinha o aplicativo marcado no perfil, porém trabalhava em uma produtora de vídeo e logo pensei com certeza era ele, não deve ter atualizado o perfil. Tinha um número de telefone no perfil do LinkedIn e logo liguei, enquanto estava no viva voz do carro no meio do trânsito da Barra da Tijuca. Eu lembro como se fosse hoje,  O Ricardo atendeu e assim que ele confirmou ser o Ricardo Whately, Eu logo comecei com monólogo sobre o potencial que o aplicativo tinha de transformar o mundo dos relacionamentos, e expliquei porque era importante eles terem uma reunião comigo para uma potencial parceria o aquisição. Depois de uns 10 minutos e só eu falando, o Ricardo me falou “ta bom Andrea isso tudo é muito legal mas eu tenho uma dúvida. O que é esse tal esse aplicativo Stey que você está falando? Porque eu nunca ouvi falar!”. Eu fiquei pasmo: como assim? Quantos Ricardo Whately pode ter no Brasil que trabalham com vídeo? Aí ele me falou que de vez em quando as pessoas se confundiam mesmo, e que ligavam pra ele ao procurar o primo dele, xará dele. “Eu acho que ele está trabalhando com aplicativo mesmo, liga lá que deve ser ele que você ta procurando mesmo”. Enfim, entre uma coisa é outra acabei falando com o Ricardo certo, e não rolou nada: na época a parceria não foi pra frente.

Mas mantivemos contato, e uns 2 anos depois, no fim de 2018, o Ricardo me mandou uma mensagem pelo LinkedIn perguntando se queria saber mais sobre o novo projeto deles. O Stey tinha sido descontinuado, e eles agora estavam com a ideia do Filmr. Bora falar? Aí marcamos um papo, e tivemos uma das reuniões mais curiosas que tive até hoje: eles marcaram em uma sorveteria (eu fiquei me perguntando se era o lugar certo, até eles chegarem) assim como descobri que o Ricardo e Fernando são gêmeos praticamente perfeitamente iguais e simplesmente não fazia ideia de com quem eu estava falando….isso apenas se começou a se resolver após meses de trabalho juntos e amizade. Me alonguei bastante pra chegar ao ponto principal dessa história: ou seja que o tema prioritário daquela reunião , ao meu ver, era entender o que não tinha dado certo no Stey e se certificar de que os erros não fossem repetidos dessa vez. Aí perguntei muito sobre a experiência anterior e achei incrível a clareza nas respostas sobre o que tinha dado errado, em uma grande admissão de vulnerabilidade, e sobre o que seria feito diferente dessa vez. isso foi chave para eu entrar no negócio, e o resto seguiu: hoje tem uma equipe de mais de 20 pessoas e após ter faturado mais de 4 milhões de reais em 2019, o app está continuando a crescer ainda mais globalmente e hoje tem o país número 1 de receitas como os Estados unidos. 

A reflexão nos erros e a clareza de como aconteceram e o que os causou é fundamental para evolução: não é suficiente  o erro em si. Pois se a gente inclusive não refletir e repetir o erro, aí não seríamos menos do que loucos pois segundo Einstein a definição de folia era que você fizesse a mesma coisa esperando fosse resultados diferente. 

O Ray inclusive diz de forma muito sábia que se não for ele a fazer o erro, ainda pode aprender ao estudar a história e refletir nos erros dos outros! E ele é muito consistente na análise da história que ele sempre faz, pois quem o acompanha constantemente sabe que ele sempre usa exemplos da história. 

Mas como lembrar de todos os fenômenos históricos, e definir modelos, ou como ele gosta de chamar, Princípios, não é possível com um cérebro humano só. É aí onde precisamos da tecnologia. E olha só: a Bridgewater Associates, o hedge fund do Ray Dalio, foi um dos pioneiros no uso de supercomputadores e inteligência artificial para criar modelos preditivos da economia e de instrumentos financeiros. Ou seja, a tecnologia ajuda para aprender melhor com os erros pois consegue conectar pontos aparentemente desconectados em larga escala, novamente resgatando fenômenos históricos. 

E até como confirmação disso, nesses últimos dias eu estava lendo um texto que ele fez para o Linkedin sobre Dinheiro, Divida e Crise, e o mais interessante foi que ele começou a análise da crise atual a partir da descrição do que aconteceu na Grande Depressão de 1929. Amante de história, não é mesmo?  E já que tocamos no tema da crise, vamos ouvir agora o Ray Dalio nos contando quais são ao ver dele os 2 tipos de empresas que vão se sobressair melhor durante e na retomada pós-crise.

“Existem dois tipos de empresas que vão se sair bem dessa crise. Basicamente, existem aqueles que são estáveis, arroz com feijão, e não alavancadas. Você sabe, o equivalente à  Campbell Soup, aqueles que tem produtos que todo o mundo usa o tempo todo. E depois há os inovadores, os inovadores sobre os quais estamos falando. Aqueles que sabem se adaptar bem e inovar bem e não têm problemas no balancete. Em outras palavras, eles têm balancetes fortes. Aqueles que podem jogar o jogo sem esses problemas, serão ótimos vencedores. E sempre há novas invenções, nova criatividade que é a nova forma de se adaptar e que se torna uma empresa, se torna um empreendedor. E eles vão se sair bem. Além disso, aquelas empresas que sempre precisaremos. Essas são os 2 tipos de empresas que vão se dar muito bem.”

  1. A lista das empresas mais valiosas do mundo é a seguinte: 10. Novartis, 9. Toyota, 8. Merck, 7. NTT, 6. Intel, 5. Coca-cola, 4. Exxon Mobil, 3. Microsoft, 2. Shell, 1. General Electric.

Mas em 1997 uma empresa chamada Amazon fez a cotação na bolsa de valores. Outra empresa chamada Google ia nascer no ano seguinte, e o Facebook ainda ia demorar 7 anos para ver a luz do dia desde os dormitórios de Harvard. Na China, nem tinham passados dez anos desde os protestos da praça Tiananmen.

Agora pula para começo de 2020: a lista é a seguinte.

  1. ExxonMobil, 9. Johnson&Johnson, 8. Tencent, 7. Alibaba, 6. Facebook, 5. Berkshire Hataway, 4. Google, 3. Amazon, 2. Microsoft, 1. Apple 

Comentario número 1: aqui não está contemplada a Saudi Aramco pois não está listada na bolsa mas é estimada a uns 6 bilhões de dólares (agora já não sei devido a crise do preço do petróleo rs)

Comentário número 2: se você tivesse comprado 100 dólares de ações da Amazon em 1997, e fosse vender agora…bom, você estaria com em torno de 130 mil dólares agora: um aumento do 129,000% …pouca coisa né?

Bom, o meu comentário 3 é o seguinte: olha ai quem continua no ranking, na verdade poucas como a Microsoft, a ExxonMobil e de toda forma a Toyota continua a maior montadora do mundo. E essas são as empresas da primeira categoria que o Ray comenta: as “Campbell Soup” da situação, companhias com balancetes muito fortes e estáveis. 

E olha que interessante, sobre estabilidade: eu li recentemente um artigo de 2019 da Barron’s do titulo “Campbell Soup está quente agora porque estabilidade é o novo crescimento”

Mesmo que a ação da Campbell Soup, empresa super tradicional criada no século XIX e até hoje controlada pela maior parte pela família, tenha sofrido nos 5 anos anteriores, ela foi recompensada pelos investidores em 2019 porque a volatilidade e alto nível de endividamento de competidores como Anheuser Busch InBev e Kraft Heinz tem assustado os investidores neste mundo menos previsível. Então temos visto como os mercados tem recompensado por um lado players com um balancete forte e um bom fluxo de caixa. 

Por outro lado, o Ray Dalio aponta aos inovadores, as empresas com resiliência e espírito empreendedor como as que irão se dar bem na crise e depois. Olha para o ranking das top 10: você vê hoje a Amazon, apple, Tencent, Alibaba, Facebook, Google, e percebe como a maioria dessas empresas não existia até pouco tempo atrás, e de como provavelmente iremos ver shake-ups ainda maiores nos próximos anos – pois não necessariamente todas irão saber se adaptar.

E não vamos usar apenas o exemplo das top 10 empresas, mas mesmo que a gente fosse pegar a lista das top 500 da Fortune, ou fosse até analisar apenas o ecossistema brasileiro, a gente vai perceber como tem uma boa dose de renovação entre as companhias e que demonstra como as grandes crises fazem como uma seleção natural (vamos lembrar que desde 1997 até hoje tiveram pelo menos duas grandes crises antes da atual, ou seja a primeira bolha da Internet em torno do 2000 e a crise financeira e imobiliária de 2008), os inovadores estão aí brilhando. 

O que inclusive não significa que eles vão ficar no topo para sempre. A Nokia já foi entre as empresas mais inovadoras do mundo, a Kodak também, a RIM que produzia o Blackberry também….o grande ponto aqui é que talvez o melhor cenário do mundo seria juntar os dois tipos de empresas que o Ray Dalio aponta, e fazer as inovadoras virarem “arroz com feijão”.

O grande ponto aqui é fazer as tuas inovações iniciais, que naturalmente crescem muito no começo mas depois desacelera, virarem as vacas leiteiras do seu processo de inovação: quando você consegue posicionar suas empresa ou seu produto com uma grande participação de mercado, você pode ficar menos preocupado com a taxa de crescimento dela e apostar em outras inovações, fazendo dela a sua segurança em termos de fluxo de caixa e margem. E isso não fui eu que inventei: quem fez administração, deve lembrar a matriz da Boston Consulting Group, também chamada de Growth Share matrix, ou matriz de Participação do Crescimento. 

Mas voltando aos exemplos do Brasil, recentemente fiz uma postagem no Linkedin que gerou uma repercussão incrível, tendo mais de 2600 likes e mais de 140 mil visualizações, onde eu opinava que a Ambev tenha sido até agora a empresa que melhor reagiu a crise. Até a Carla Crippa, VP de Corporate Affairs da Ambev me contactou inbox comentando sobre a viralização do post, e explicando melhor ainda porque e como conseguiram isso. Mas fundamentalmente no artigo eu conto que ao meu ver a Ambev foi a melhor empresa a reagir à crise: Desde produzir álcool gel na fábrica de Barra de Pirai, até o movimento

hashtag #ApoieUmRestaurante, desde as lives de Jorge e Mateus e Gusttavo Lima até palestras on-line para treinar seus times de casa, desde construir hospital em Boi Mirim com a Gerdau  e o Hospital Israelita Albert Einstein até crescer as operações do Zé Delivery, a Ambev fez mais rápido, em escala, em muitas frentes e inclusive bem executado. Várias outras empresas fizeram ótimas coisas também, entre as quais a Natura, as Lojas Riachuelo, o Itaú óbvio com a doação de 1 bilhão de reais, a Magalu, a Cacau Show entre outras , mas a Ambev teve o que eu chamo Fator Fast, chave para reagir às mudanças imprevisíveis. 

Obviamente tiveram milhares de profissionais envolvidos,e aqui vai meu aplauso para elas e todos times da Ambev.  Pois eles reagiram de forma proporcional a crise. E recentemente, em busca de um sentido a essa crise e quais saídas dela, fui explorar outras áreas do saber e fui pra area da fisica. E resgatei a 3a lei de Newton: olha que interessante, ela afirma que a toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto.

É isso que precisamos. É isso que o Ray Dalio ao final nos diz nessa frase. 

E é essa a chave para sair da crise.

Para encerrar esse episódio, separei mais uma frase do Ray Dalio  em que ele diz:

“Quase sempre existe um bom caminho que você ainda não descobriu. Procure até encontrar, em vez de se contentar com a escolha que está diante dos seus olhos no momento.”

 Calma. Nesse momento eu quero que você respire e reflita com a seguinte pergunta: Será que o meu sucesso é o resultado dos meus acertos ou dos meus erros? Se você acredita que a resposta seja os seus acertos, desculpa, mas preciso te falar que você está se contentando com a escolha mais fácil. Ou, como diz Ray, com a escolha que está diante dos seus olhos.


Agora, se você acha que o seu sucesso é consequência dos seus erros…quero que você se questione quais principais erros te fizeram acertar e quais erros você não conseguiu tirar nada de proveitoso. Talvez, se você fizer uma análise da sua trajetória, você irá conseguir extrair a chave para abrir novos caminhos de sucesso! O que acha?


Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade.  As melhores 5 respostas irão estar no podcast e também irão receber o meu livro “ 6 Competências para Surfar na Transformação Digital” de presente na sua casa.  Qualquer dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

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Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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