PODCAST

Oprah: GPS emocional, motivação e servir ao próximo, comentados por Andrea Iorio (participação da Juliana Goes).

"Compreenda que o direito de escolher seu próprio caminho é um privilégio sagrado. Use-o. Insista nas possibilidades".

Oprah winfrey

Oprah Winfrey é uma apresentadora de televisão, atriz e empresária norte-americana, vencedora de múltiplos prêmios Emmy por seu programa The Oprah Winfrey Show, o talk show com maior audiência da história da televisão norte-americana.

De fato, é  incontestável o sucesso dela em todas as áreas da sua vida. Por isso separei 3 frases dela que falam de propósito, motivação e sucesso.


É impossível não reverenciar a trajetória dela, para chegar aonde chegou, Oprah  teve que sobreviver a uma  infância pobre, marcada pela violência sexual e preconceito.   

Hoje, ela possui uma fortuna de US$ 2,6 bilhões e, além de ser uma das mulheres mais influentes da TV americana, Oprah é a única negra dentre as 70 mulheres mais poderosas do mundo, ocupando 20ª posição do ranking. Além disso, na lista das mulheres mais ricas dos EUA – dentre as que fizeram fortuna por conta própria -, ela é a única negra a ocupar uma das 25 primeiras posições – estando em 6º lugar atualmente.

Bom, para entender um pouco a razão de tanto sucesso, nada melhor do que ouvir a própria Oprah, falando sobre propósito nessa primeira frase!

“Tem líderes auto-realizados que entendem qual pode ser sua contribuição para mudar o mundo. Você só pode fazer isso se você conhecer a si mesmo. Você não pode fazer isso, a menos que reserve um tempo para realmente saber quem você é e por que está aqui. 

Existe um momento supremo de destino para todos, e você não pode alcançá-lo, a menos que tenha um nível de autoconsciência para se conectar ao que, no caso, seria a voz interior ou o instinto. Eu chamo isso de seu G.P.S. emocional. Um sistema que permite que você tome as melhores decisões por si mesmo. E toda decisão que me beneficiou na vida veio de mim ouvindo a voz interior primeiro, sabe? E toda vez que entrei em uma situação em que estava com problemas, é porque não a ouvi.”

Calma. Antes de você logo me dizer que sou repetitivo no Podcast pois quem me acompanha deve ver chegando a velha conhecida Inteligência Emocional, deixe eu te dizer duas coisas: primeiro, nunca é demais falar de Inteligência Emocional pois é uma das coisas mais importantes nos dias de hoje, assim que vou repetir um pouco do que se trata. E segundo, tema desse trecho é apenas um dos pilares da Inteligência Emocional, ou seja o auto-conhecimento. 

Vamos lá, pra refrescar a memória: a Inteligência Emocional, que foi popularizada pelo Daniel Goleman, nos anos 90, tem 5 pilares, ou seja auto-conhecimento, auto-gestão, auto-motivação, empatia, e capacidade de se relacionar com os outros. 

O primeiro pilar é justamente o que a Oprah nos fala no audio: auto-conhecimento é a base dos líderes realizados, e que nos permite alcançar o momento supremo do destino…que momento é esse? Não experimentei mas parece tão doce, lindo e paradisíaco, que peço por favor: Oprah, nos mostre o caminho!

A Ju Goes, também tem uma visão do quão importante é o autoconhecimento,  confere só:

Na verdade o caminho não é muito lindo nem doce nem paradisíaco mas libertador. O autoconhecimento me possibilitou reconhecer os meus pontos fortes, ele acolheu os meus pontos não tão forte, sem falar de ponto fraco, que mais me permitiu me satisfazer melhor, fazer escolhas melhores, porque eu entendo qual é a minha essência e o que é válido para mim, quais são as minhas verdades e como que a minha busca pode ser baseada nisso. A gente se despe de camadas de falsa proteção, a gente deixa de fazer aquilo que o mundo dita como sendo uma verdade e você faz a sua verdade. Então esse meu GPS emocional me fez escolhas muito mais felizes muito mais autênticas e assumir essa auto responsabilidade de que eu sei o que é melhor para mim.

E certamente, Oprah teve caminho a se fazer para desenvolver autoconhecimento. 

No começo da carreira, ela foi rebaixada de uma posição de co apresentadora quando era jornalista em Baltimore, no Maryland. Isso fez a Oprah repensar o chamado dela, pois na época ela já sabia que o chamado dela era inspirar pessoas através da TV. Esse rebaixamento foi chave para entender melhor a razão que ela não se sentia realizada – mas o interessante é que ela sentia o mesmo 25 anos depois, quando estava tendo o famoso Talk Show dela em TV nacional desde Chicago: ela sentia que devia fazer mais para viver em conexão com o propósito dela. Ela começou a se sentir mais feliz e conectada quando aprendeu a ouvir a própria voz interior, ou seja em ser conectada com o propósito dela. Algo que ela faz para tirar, digamos, essa voz de dentro pra fora é a cada dia, de manhã, escrever seus pensamentos, sentimentos e ideias em um diário: a experiência de olhar para uma página em branco e preenchê-la com o que está dentro dela, tem sido uma ótima forma de se conectar com o próprio GPS interior. 

Mesmo que eu não tenha o hábito de manter um diário regular, escrevo praticamente todos os dias para as redes sociais mas o interessante é que a maioria fica para mim mesmo. Ou seja, nunca publicado. Ou porque não acho relevante ou de qualidade suficientemente boa, ou porque tenho vergonha, ou porque é profundo e pessoal demais: e mesmo não publicando, o efeito é incrível: te reconecta consigo mesmo pois ainda mais quando sabe que não terá o julgamento dos outros, você solta tudo aí.

Alguns anos atrás o meu amigo Edu Grossman, que além de country manager do Smule, o app de karaokê que bomba no Brasil, é um dos caras com quem mais me conecto a nível profundo, me contou de algo que ele fazia: ele pegava uma folha branca e uma caneta, e fechando os olhos e entrando em um estado quase meditativo, ele deixava a Mão dele guiar a caneta, sem pensamentos, e depois olhava e relia o resultado: às vezes era um texto, às vezes um desenho, às vezes uma combinação dos dois…mas certamente a constante era que sempre achava uma surpresa! Eu confesso que mesmo ele tendo me recomendado bastante, nunca acabei fazendo mas já que esse podcast é sobre Metanoia, ou seja sobre pensar e fazer diferente…acho que vou experimentar! Você faça também, mesmo que não seja dessa forma, mas escrevendo com o intuito de escrever para você mesmo. 

Quando estava finalizando de escrever o meu livro “6 Competências para Surfar na Transformação Digital” da Editora Planeta, cheguei ao último capítulo, que tem o título de “O que nos aguarda”.  Certamente foi uma parte introspectiva. Falei sobre a crise do significado do que é ser humano diante do crescimento da Inteligência Artificial, e da Sociedade 5.0, um conceito que conheci em abril de 2019 quando tive a honra de palestrar em um evento que contou com a participação dos principais Chief Information Officers (CIOs) do Brasil, no IT Forum, na linda Praia do Forte (BA). E aprendi imensamente. A começar pela palestra de abertura, ministrada pela consultora japonesa Yoko Ishikura, professora emérita da Universidade de Hitotsubashi, em Tóquio. Ela falou de um conceito desenvolvido por ela e que, agora, faz parte dos planos de reformas do governo japonês, que é o da Sociedade 5.0. Um plano fascinante, que cativou muito meu interesse, e que definir como “ambicioso” é pouco.  A definição do conceito de Sociedade 5.0 é de “uma sociedade focada no ser humano, que equilibra o avanço econômico com a resolução de problemas sociais por meio de um sistema que integra o ciberespaço e o espaço físico”. De alguma forma meio premonitória, a crise do Covid veio para amplificar esses traços…será que a Sociedade 5.0 é o que nos espera? Uma sociedade mais local, mais sustentável, mais transparente e onde cuidamos melhor da saúde, física e mental? 

Eu espero muito que sim, mas voltando ao conceito do autoconhecimento, imagine o quanto fui desafiado a pensar sobre o que eu queria do mundo que nos aguarda, além de descrever o que os especialistas igual a professora Ishikura descrevia. Inclusive, muitos desses pensamentos não cabiam no livro, seja por questões de tamanho, seja por questões mesmo de porque nao necessariamente cabiam em um livro sobre negócios. Mas mesmo guardados para mim mesmo, me ajudaram a entender o que espero desse mundo que está por vir. 

Na luz disso, consegui entender muito melhor sobre mim mesmo, e uma vez que você mergulha em si mesmo, você chega a bater na porta do seu propósito. Olha aí um velho conhecido deste podcast! O Propósito! E uma vez que tiver descoberto o seu propósito, você precisa alinhar a sua personalidade com ele. Ai as coisas vão pegar fogo mesmo, como nos diz a Oprah nesse novo trecho.

“Quando você alinhar a sua personalidade com a sua alma, e olha que todo mundo a tem, alinhe também a sua personalidade com seu propósito e ninguém poderá atingi-lo. E você acorda todos os dias e, pronto, você está em chamas, você está empolgada: “Oh, meu Deus, vamos lá para outro dia…”.  Entenda, todo mundo tem um propósito. Então, o seu objetivo é descobrir qual é ele. Seu verdadeiro trabalho é descobrir por que você está realmente aqui e depois começar a botar isso em prática. É isso.”

Como conto no episódio 1 do Podcast, sobre o Simon Sinek, que é bastante centrado no tema do propósito, do qual ele é super especialista, por muito tempo não soube qual era o meu propósito.  E antes de adentrarmos em qual é o meu propósito, vamos falar da importância dele nos negócios e na vida. Pergunta: A que estão relacionados os fatores que trazem a motivação intrínseca de um ser humano com um trabalho, uma atividade ou um projeto? Eu respondo: a uma verdadeira necessidade de direcionar nossas vidas, de aprender e criar novas coisas e de fazer o melhor de nós mesmos. Se tivéssemos que resumir a busca de nossa vida em uma palavra, eu diria que estamos falando de propósito. Propósito é um elemento que faz parte da gente desde que pisamos neste planeta, e se reforça à medida que tentamos constantemente criar coisas que melhorem o mundo ou que nos permitam viver além do que nos possibilita nossa vida terrena. Que nos permitam deixar um legado. O propósito é importante para o mercado em dois sentidos. Primeiro porque ele é apontado como o principal fator por trás de ótimas performances de colaboradores. Segundo porque, à medida que sua companhia tiver um propósito claro, seus negócios conseguem engajar funcionários e consumidores em torno da sua causa, permitindo ao seu negócio prosperar. Só quem já teve a sensação de que o tempo voou enquanto realizava uma atividade em que conseguiu criar algo muito valioso sabe o que é viver a emoção de estar em fluxo, ou flow. Esse conceito foi primeiramente descrito pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi para explicar um estado mental altamente focado em que a pessoa está imersa na sua atividade. Alcançar esse estado da mente não é fácil. É preciso que haja ali uma motivação intrínseca e o desejo de desenvolver objetivos como crescimento e desenvolvimento pessoal e autonomia. A consequência de chegar nele, no entanto, é recompensadora. Viver o fluxo nos torna mais felizes e, por consequência, mais produtivos. Não acredita nisso?

Um estudo publicado em 2015 pela Universidade de Chicago se dedicou a provar que os investimentos em bem-estar patrocinados por empresas realmente traziam aumento de produtividade. Para a pesquisa foram realizados 3 experimentos distintos com um grupo de 700 pessoas. Os pesquisadores escolheram indivíduos aleatoriamente e mostraram um clipe de comédia de dez minutos ou forneceram lanches e bebidas. Em seguida, eles fizeram uma série de perguntas para garantir que os “choques de felicidade”, como são mencionados no relatório, tornassem os assuntos felizes. Quando foi confirmado o que fizeram, os pesquisadores deram a eles tarefas para medir seus níveis de produtividade. O experimento mostrou que a produtividade aumentou em média 12%, chegando a 20% nos grupos de controle, e neles todas as pessoas selecionadas aleatoriamente se consideravam felizes. Um quarto experimento foi então realizado para perceber o contrário. Pessoas que passaram por grandes choques do mundo real (como luto ou doença familiar) apresentavam as taxas mais baixas de produtividade. Segundo o estudo, o nexo causal entre a infelicidade e a diminuição da produtividade registrava um efeito duradouro de cerca de dois anos. 

O Karl Moore, professor da Universidade de Oxford, tem uma frase muito legal que diz: “Carreiras com significado surgem quando um vê a conexão entre o próprio propósito e o papel que ele desempenha na empresa”. Perfeito! E eu diria mais, então baseado no que a Oprah nos conta no áudio: vidas com significado surgem quando a própria personalidade está conectada com o seu propósito!

 A Ju Goes aqui nos conta melhor como checar se nossa personalidade está alinhada com nosso propósito:

“Sabe um negócio chamado ego? Quando o ego está regendo a gente, quando a gente está no mundo das ambições demasiadas, das vaidades ou querendo provar alguma coisa para alguém. Muitas vezes são escolhas e comportamentos que vão nos levar a escolhas que nos distanciam desse propósito. Eu acho que com autoconhecimento, que eu até brinquei que não é linda nem paradisíaco, porque você vai ter que olhar para suas sombras. Entende? Mas isso é importante porque você também vai aprender a dizer não, a entender aquilo que não necessariamente é para você, que não é agregador de valor, aquilo que não vai estar alinhado com a sua contribuição. Então eu acredito que sabendo o que não é para você e não digo isso no sentido de se limitar não, é de se libertar. Você vai fazendo escolhas que tem mais sinergia com aquilo que você realmente veio fazer nesse mundo, e vai exercendo melhor esse propósito que basicamente é a sua capacidade de se doar e fazer o seu melhor de se entregar.”

Até porque na medida que a gente não se comportar de forma alinhada com nosso propósito, isso não seria diferente do que o Ben Horowitz fala no livro dele hat You do is Who You Are…quem lembra do Ben Horowitz? Foi protagonista do episódio anterior a esse, é justamente fala da necessidade da cultura da empresa ser moldada pelas ações, e não pelos slogans lindos na parede da sala de reunião. A mesma coisa é o propósito: de nada adianta a gente ter um certo propósito, e as nossas ações, o conjunto das quais define nossa personalidade, não corroboraram. A gente precisa fazer o que chamam de “Walk the Talk”, ou seja praticar o discurso.

E eu? Como todos, eu também me pergunto com frequência: “qual o meu propósito?”; “o que consigo devolver para o mundo?”. Falamos anteriormente como essa pergunta faz parte da natureza humana e é impossível deixá-la escapar. E, se me permite ser sincero, talvez eu ainda não tenha achado a resposta. Talvez nunca acharei. Mas se isso significar viver uma vida de constante exploração, olhos curiosos e mentes de iniciante, eu aceito o desafio. Com a publicação deste livro, meu propósito fica um pouco mais claro: ele passa por desmistificar a crença de que transformação digital é apenas um assunto técnico, reservado aos fóruns de tecnologia ou aos departamentos de inovação das grandes empresas. Ele é um assunto humano cuja discussão deve ser abordada pela sociedade como um todo, de forma democrática. Porque falar sobre transformação digital é falar, essencialmente, sobre o nosso futuro enquanto sociedade. E eu me proponho a levantar essa bandeira.

“Se você olhar para todas as pessoas mais bem-sucedidas do mundo, que elas saibam isso ou nao, elas têm esse paradigma de servir. Todo mundo está falando sobre Mark Zuckerberg e IPO. Servir. Jay Z,um rapper:para o mundo, para as pessoas, através da música. Por muitos anos, estava realmente feliz por estar na TV e as pessoas paravam e diziam: Oh, você na TV? Sim, estou na TV. Eu gosto de estar na TV. É um bom trabalho. E foi nessa época que recebi meu doutorado honorário de Spelman por volta de 1993. Portanto, não sei se isso tem algo a ver com isso. Pensei em mim como a Dra. Winfrey. Então voltei e dei uma longa olhada no que eu estava fazendo na TV e tomei a decisão de que não iria mais estar apenas na TV, mas usaria a TV como plataforma, como força para o bem, e não ser usada pela TV. E eu vou lhe dizer. Minha decisão de fazer essa mudança significativa da forma como eu fazia na televisão, usando a televisão para servir, mudou exponencialmente minha carreira. Servir através da medicina ou através da arte, por exemplo,  usando o que quer que seja, você produz seu produto como uma maneira de retribuir ao mundo. Quando você muda o paradigma de tudo o que escolhe fazer para servir e você traz significado a esse sucesso, prometo que o mesmo irá seguir você. Servir e significado levam ao sucesso.”

No fim de 2016, eu estava voltando da Argentina carregando um livro embaixo do braço: era o “Dolores del Alma”, ou “Dores da Alma” em português, da amiga escritora Valéria Schapira. Eu tinha passado uma semana em Buenos Aires para um tour de imprensa pelo Tinder para dar entrevistas para algumas TVs e jornais locais, e ganhei o livro da Shapira quando fomos nos ver para bater um papo em um café de Palermo. 

Assim que subi no avião de volta, abri o livro e comecei a ler para passar o tempo. Mas por minha surpresa, não consegui tirar os olhos das páginas e o devorei antes de pousar. Particularmente ficou marcada na minha cabeça um episódio trágico que a Valeria conta no livro, ou seja o terrível suicídio da própria mãe. 

E isso não saia da minha cabeça. Fiquei pensando: “Será que as pessoas que cogitam suicídio estão determinadas mesmo ou existe um arrependimento? E se a gente conseguisse permitir a eles ou elas mandarem um pedido de ajuda, o mais intuitivo possível, para avisar seus caros que estão prestes a fazer o ato, e  consequentemente salvar vidas?”. Bom, quando algo me prende tão profundamente, garanto que não fico parado. 

Pula um ano depois: um compromisso importante em setembro de 2017 me fez sair mais cedo no último dia do Rock in Rio, no meio do show do Red Hot Chili Peppers. Poucas coisas no mundo me fariam tomar essa decisão, admito. Mas essa era uma. No dia seguinte eu estaria, bem cedo, em um desses carrinhos de golfe dentro dos estúdios da Globo na companhia do meu amigo e colega Alessandro Telles. Eu já estava acostumado com a presença em programas de TV e veículos de imprensa, e estive no Fantástico no Dia dos Namorados daquele mesmo ano representando o Tinder. Mas dessa vez era diferente. Eu estava mais nervoso do que o normal.

Isso porque eu ia contar para a Fátima Bernardes – e como consequência para o Brasil todo – os motivos pelos quais idealizei o Ajuda Já, um aplicativo de prevenção a suicídios que o Alessandro Telles e o Renato Novaes me ajudaram a desenvolver, de forma totalmente voluntária. Esse foi o resultado do chamado a servir, mesmo que um pouco, através da tecnologia e dos contatos nesse mundo que eu tinha. 

Nunca gostei de falar muito de mim. E o que ia contar na TV aberta naquele dia era algo que dificilmente compartilhava com os outros. Imagine com o Brasil todo, então. Desde o começo da minha adolescência até o começo da minha vida adulta, tive que conviver com uma síndrome bipolar que intercalava ciclos de depressão e momentos de euforia, que às vezes duravam meses. Nunca foi algo fácil de lidar. Mas ao crescer e superar isso, e ao enxergar o poder da tecnologia trabalhando neste mercado, vi aí uma enorme oportunidade de entregar algo em troca para uma sociedade que me dá tanto.

Ao ver tantas pessoas sofrendo, e entendendo a dificuldade que muita gente tem de pedir ajuda na hora que está mais sem forças para lutar, nós três criamos um app que permite pré-cadastrar até 3 contatos de emergência de forma anônima (ou seja, eles não vão saber que você os colocou como contato de emergência), aos quais é enviado um SMS com um pedido de ajuda e localização para intervir e ajudar em casos de emergência, apenas apertando um botão que está na tela de celular. 

Esse é um app em que, paradoxalmente, o sucesso é medido pelas pessoas que não o baixaram e não sintam essa necessidade, mas que na verdade aproveita a força da tecnologia para resolver um sério problema humano. Sem ganhar um centavo – aliás, desembolsando a cada envio de mensagem –, mas aplicando nosso conhecimento em prol da sociedade. É muito difícil as pessoas falarem desse tema, então tenho tido pouco feedback sobre o impacto que ele provoca na vida das pessoas. Mas nunca irei me esquecer de algumas mensagens corajosas que de vez em quando recebo espontaneamente pelo inbox do Instagram, agradecendo pelo app ter ajudado a amenizar a ansiedade de não ter voz em momentos de enorme necessidade de ajuda.

Com o Zen, app de meditação do qual sou investidor e do qual a Juliana é cofundadora, também percebemos essa necessidade humana: com ele, ajudamos as pessoas a melhorarem, por meios alternativos, seus transtornos afetivos – que devido à sociedade moderna estão mais altos que nunca. Ainda mais no meio da crise! O Zen cresceu muito pois as pessoas estão tentando meditar mais, nesse momento de maior ansiedade, solidão e preocupação com o futuro, e também tem a chance de meditar mais pois estando em casa, conseguimos ter mais tempo à disposição. Domingo 5 de Abril 2020 foi um dia marcante para o Zen: a Apple o escolheu e destacou como App do Dia em mais de 137 países no mundo. E além disso, o Zen ofereceu acesso gratuito a todos os profissionais de saúde no mundo, assim como criou um pacote de meditação gratuito para todo o mundo específico para superar essa crise: o Zen foi construído nas fundamentais do propósito de servir.

A Ju Goes nos contou da importância do servir para construir o Zen:

O Zen nasceu num momento em que eu estava vivendo uma crise existencial. Eu estava começando a trilhar esse caminho do autoconhecimento. Estava difícil para caramba e eu queria me sentir melhor com tudo isso. Acordar Melhor e dormir melhor. Compartilhei isso com meu marido que é nosso sócio e ele levou para sócios dele e aí sim nasceu o Zen. Na verdade a gente entendeu ali que cada um tem a sua busca e essa busca pode ser muito individual, entendendo como o que a gente pode contribuir para essas pessoas aí que estão procurando se equilibrar, se conhecer melhor, se libertar de dilemas, se desenvolver… como o que a gente pode ajudar essas pessoas. Então usei nasceu nessa contribuição de várias ferramentas e vários caminhos para que cada um se encontre. E se reencontre consigo. Isso continua sendo a nossa prioridade. A gente leva muito a sério a diversidade de entender que às vezes o meu caminho não vai ser o seu Andrea, e que o que vai me fazer melhor pode ser que seja totalmente diferente do seu. E o Zen fala essa língua porque ele oferece muitas ferramentas e continua crescendo em ferramentas conteúdos e possibilidades que possam agregar valor para a vida das pessoas e muitas vezes em momentos muito frágeis e desafiadores das suas vidas.

Esses costumam ser os tipos de negócios com os quais me envolvo, porque acredito também que nos preparamos para o futuro quando nos dedicamos a criar um mundo melhor hoje. Ao mesmo tempo, se você conhece profundamente essas necessidades humanas e sabe fazer uso da tecnologia para ajudá-las, os ganhos são ainda maiores. E de fato você se doa no ato de servir os outros, que a cada vez mais no mundo de hoje é fórmula de sucesso, igual a Oprah nos ensina.

Para encerrar esse episódio, separei mais uma frase da Oprah em que ela diz:
“Não podemos nos tornar aquilo que precisamos ser, enquanto permanecermos o que somos.”

Sabe aquela velha frase de que o óbvio precisa ser dito? É exatamente isso. Pense em quem você almeja ser e avalie as suas atitudes.  O que você anda fazendo para se tornar quem você precisa ser? 

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LinkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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