PODCAST

Laszlo Bock: adaptabilidade profissional, humildade intelectual e capital de credibilidade comentados por Andrea Iorio.

“As pessoas podem existir sem as empresas. Mas as empresas não podem existir sem as pessoas”

LASZLO BOCK

Laszlo Bock é um profissional extraordinário da área de RH que foi o chefe dos Recurso Humanos do Google por bem 10 anos, atuando como Senior VP de People Operation até 2016…ou seja, praticamente ele  que criou a cultura dos recursos humanos no Google! Americano de origem romena, ele é cofundador e CEO da Humu, uma startup que desenvolve e usa Tecnologia de Mudança Comportamental para garantir que os funcionários sejam mais felizes em seus empregos.

Tudo que queremos, né?

Durante seu tempo no Google, ele conseguiu a empresa foi nomeada como a melhor empresa para trabalhar por mais de 30 vezes ao redor do mundo e recebeu mais de 100 prêmios como uma das melhores empresas para se trabalhar. Em 2010, ele foi nomeado “Executivo de Recursos Humanos do Ano” pela HR Resources Magazine.  Em abril de 2015, Bock publicou seu primeiro livro, best seller do The New York Times e best-seller do Wall Street Journal , do titulo: Work Rules! (Um novo jeito de trabalhar!) , um guia prático para ajudar as pessoas a encontrar significado no trabalho e melhorar a maneira como vivem e lideram. E ele tem 1 milhão de seguidores no Linkedin, se inspirando com suas dicas…eu sou um deles, e acho que você deveria ser um também. Vai lá e segue!

Quando eu pensei nesse episódio, eu queria achar alguém que falasse sobre a relação das pessoas com o trabalho de uma forma didática e, sem dúvidas, a melhor pessoa para isso é o Laszlo. Até porque, como vimos acima, experiência não falta para ele, não é mesmo?
Imagina, quem poderia fazer você se questionar sobre a importância de uma pequena habilidade, daquelas que quase ninguém valoriza e/ou percebe?  

Laszlo Bock! Sim, ele mesmo. Por isso, ao ouvir essa primeira frase dele que eu separei sobre como desenvolver a capacidade de estar preparado para qualquer situação, tenho certeza que você vai entender o que eu estou falando! 

“Alguém compartilhou comigo a história que eu vou contar agora.  Uma vez, Tinha um estudante da Universidade de Stanford que estava indo para uma festa de fraternidade. E foi uma noite horrível, porque ele pegou uma das poucas noites aqui da Califórnia em que o tempo não estava bom, ou seja,  tinha muita chuva, trovão, tempestade e escuridão às onze horas da noite, exatamente no horário em que ele se dirigia para a festa. Ao dirigir pelo campo de golfe, ele passou pelo driving range em Stanford. E aí ele viu um cara lá fora, apenas batendo bolas de golfe às onze horas da noite no driving range. Na época, ele não tinha ideia de quem era.  Resultado, ele continuou seguindo para a festa, e quando estava voltando dela, por volta das 3:00 da manhã, ele encontrou o mesmo cara batendo bolas na chuva, no meio da noite e em uma tempestade. E então ele o reconheceu, resolveu se dirigir até o cara e disse: Tiger, isso é loucura, por que você está fazendo isso? E a resposta de Tiger Woods foi que “já que não chove com frequência no norte da Califórnia, essa é a única chance que eu tenho para praticar”.

Sabe qual a lição embutida nessa história?  É que sim, de fato, há algo em nossa noção de prática deliberada e concentrada sobre qualquer coisa que fazemos. A visão convencional sobre treinamento, aprendizado e desenvolvimento, é a que vou fazer um curso de microeconomia e ser especialista em microeconomia ou trabalhar para ser um líder melhor.  E eu só preciso fazer essas 10 coisas diferentes e pronto, vou melhorar no que faço. Eu serei um ótimo CEO se fazer essas 10 coisas.

A grande  realidade é que aprendemos melhor quando nos concentramos nas menores coisas possíveis. Quando praticamos deliberadamente em torno de uma pequena habilidade que é um componente constituinte de uma coisa muito mais ampla.”

Vou contar uma coisa para você, mesmo que você não vai acreditar: meu primeiro emprego foi de salva vidas. Na Itália da minha adolescência, durante as férias escolares de verão, eu costumava trabalhar mais de dez horas por dia, sob o sol, como salva-vidas em Celle Ligure, balneário a 30 km de Gênova. Os únicos momentos em que eu podia aproveitar um pouco de sombra era quando revezava com meu colega para o turno no balcão do bar. Não era por dinheiro, mas por um desejo genuíno de aprender a me virar desde cedo pois sempre tive a sorte de uma família que me garantiu tudo. 

Bom, desde os 14 aos 16 anos eu ficava mais limpando a praia de manhã e noite, e durante o dia ficava servindo cafés e cappuccinos durante a alta temporada. Ou seja, até os 16 anos você não pode realmente ficar vigiando e salvando as pessoas, então eu ainda não era oficialmente um salva vidas: para isso você precisa ter um diploma que consegue fazendo um curso que dura uns 6 meses e passando uma prova final.

Então assim que eu fiz o meu aniversário de 16 anos, em Outubro, fui me registrar para esse curso junto com meu xará e amigo de infância Andrea, que inclusive hoje também mora no Brasil e trabalha na Meltwater, plataforma de monitoramento de imprensa e redes sociais, ou seja a vida nos levou para o mesmo lugar sem a gente imaginar. Bom, a expectativa era completar o curso até o verão, para poder já deixar o bar e ser promovido para salva-vidas mesmo. Mas 6 meses? Eu pensava, 6 meses para que? Porque tem que ser tão longo? E entre uma aula e outra, fui entender o porquê. 

O mar, nunca é o mesmo.

Se me permite, vou fazer um quiz filosófico já que gosto tanto: quem dizia que nunca se consegue pisar na mesma porção de água duas vezes, pois o rio mudou já que sempre é outra água que corre pelo seu leito? Conta pra mim.

Vai lá, atrás no tempo.

Bom, vou te dar um spoiler: o Eraclito de Efeso, filósofo que viveu no período de 540-475 a. C. usava a expressão panta rei para dizer que tudo passa. A expressão grega surge da noção de que tudo é móvel, transitório, passageiro, parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático.

 

E encerrando essa parênteses filosófico que porém é importantíssimo porque já adianta a forma como eu enxergo as coisas, quero voltar ao ponto que o mar, nunca é o mesmo. 

O que isso quer dizer?

Do que adianta você fazer várias aulas treinando e repetindo os movimentos de resgate e estar preparado a resgatar pessoas em uma piscina e um mar tranquilo, quando muitas vezes o mar é grande com ondas enormes e talvez você nunca nem treinou para isso. O mar pode ter correntezas fortíssimas, pode ser extremamente frio ou pode ter relâmpagos que colocam em risco a sua vida pois a água é condutora de eletricidade. Como você lida nessa situações? Pois bem, se você treinar apenas em uma piscina, mesmo que você repita o movimento de resgate 1000 vezes, você não estará preparado para a imprevisibilidade do mundo real. 

Alguns anos atrás estava lendo um livro chamado Fora de Série, ou Outliers em inglês, do Malcolm Gladwell. Adoro o autor, ao ponto que quero logo dedicar um episódio do Metanoia Lab a ele. No livro de 2008, ele examina quais são os fatores que levaram ao sucesso pessoas totalmente fora da curva como o Bill Gates e os Beatles, e ele fala do que chama a regra das 10 mil horas. O que essa tal de regra?

Ele diz que a chave para alcançar um nível de domínio completo de qualquer habilidade e se tornar entre os melhores ao mundo, é praticar ela por em torno de 10.000 horas, ou seja por 20 horas por semana por 10 anos. 

Ótimo. Mas vamos fazer uma conta rápida: isso significa 40 horas por semana por 5 anos. Ou seja, 200 horas por semanas por 1 ano….ops,se ainda eu for bom em matemática, pelo que lembro uma semana tem 168 horas. Então vamos ser realistas: se você quiser ser muito bom em algo você precisa de 5 a 10 anos se você for uma pessoa normal que dorme, come, tem uma família e de toda forma tem uma vida.

Então vamos lá, meu caro Malcolm: Eu te admiro pra caramba, mas tenho que te confessar algo: eu acho que você não entendeu o ponto aqui.

Eu não vou questionar que isso seja verdadeiro. Aliás, tenho certeza que funciona!

Mas o problema é que isso não faz sentido!

Deixa eu explicar, e quero que você acompanhe meu raciocínio. E por favor, se não concordar comigo, me mande sua reclamação por minha redes sociais ou pelo site andreaiorio.com.br ou metanoialab.com.br. 

Essa sugestão não faz sentido por duas razões principais: a primeira é que quando você dedica tanto tempo a repetição de uma tarefa ou hábito, é que você abre mão das enormes oportunidades de desenvolver múltiplas competências, que é mais importante nos dias de hoje. Ou seja, enquanto você podia ser um profissional bem sucedido ao ser especialista em algo, isso já não te salva mais : você precisa ter múltiplas facetas que refletem a complexidade do mundo. Mas não é esse o ponto que quero focar agora.

O segundo motivo é que sozinha, essa afirmação não faz sentido: para dominar verdadeiramente algo, você precisa repetir ele mas constantemente mudando os contextos, condições e variáveis! Ou seja, do que adianta a repetição se você não está preparado para toda situação! O Laszlo Bock diz no áudio que performamos melhor quando praticamos deliberadamente em torno de uma pequena habilidade que é um componente constituinte de uma coisa muito mais ampla.

Ou seja, de nada adianta o Tiger Woods treinar de forma mecânica no golf e dizer “eu sou o melhor no golfe”. Essa é uma macro habilidade. Ele,a o treinar debaixo da chuva, e sei lá quantas outras várias condições, está desenvolvendo a micro habilidade de ser o melhor do mundo embaixo da chuva, no sol, com relâmpagos, no calor etc…a somatória delas o faz o melhor do mundo no golf!

Outro exemplo do esporte vem do jiu jitsu, que eu pratico: existe uma prática chamada de “drill”onde você treina repetidamente uma posição para que ela entre de forma automática: o grande problema disso é que se você não a treinar em várias situações reais, de nada adianta enquanto o adversário não está resistindo ou contra atacando. Vai ajudar, fazer drills? Ajuda, mas isso não vai te permitir dizer “eu vou ser o melhor do mundo” porque as situações de luta são infinitas e você precisa estar pronto para todas elas.

Indo mais para o mundo dos negócios, existe um grande desafio na indústria farmacêutica na área de testes clínicos de novos medicamentos: eles são feitos em pessoas que porém, por enquanto, tem que ter acompanhamentos em ambientes hospitalares e precisam abrir mão das próprias rotinas e vidas normais por um tempo…o que isso faz? Sendo que os verdadeiros pacientes na vida real estão em outros contextos e continuam suas vidas normais, os resultados dos testes clínicos podem não cobrir todas as situações. Agora a telemedicina e o digital, através IoT e sensores está amenizando isso…mas pegou o ponto?

O que eu quero dizer ao final, e o Laszlo Bock diz justamente isso, é que nas organizações precisamos treinar sob várias condições, e juntar a somatória das micro habilidades para saber reagir a complexidade do mundo: no episódio do Ray Dalio eu conto de uns treinamentos que tinha no Groupon, de simulação de pitch de vendas. Me sai super bem de lá após repetidos treinos, mas depois quebrava a cara quando encarava um cliente duro, uma cliente grossa, ou cliente escorregada….quando a gente repetir e treinar a adaptabilidade antes que as macro habilidades, a gente está mais alinhado com um mundo que pede menos especialistas e mais camaleões. Não disse multitasking tá, são duas coisas diferentes.

O mundo precisa de mais camaleões, mesmo. 

E voltando então para o meu curso de salva-vidas, ele durava tanto porque ao longo desses meses você  tinha que praticar as técnicas de resgate em toda situação de mar, com mar agitado e ondas grandes. Na minha região na Itália, a Ligúria que é famosa por causa das Cinque Terre, isso é mais frequente do que chuva no norte da Califórnia, mas mesmo assim você precisa esperar por ondas grandes. Assim como para as várias situações diferentes que podem acontecer na realidade: se você não passar a prova nessas condições também, você não ganha o carnet de salva vidas

Quando você pratica em diferentes contextos, você gera muito valor ao seu perfil profissional, que  Lazslo definiu um dos 2 pilares da cultura no Google: trazer algo diferente para a mesa. E é disso que ele nos fala, no próximo audio.

“São 2 coisas: Você contribui com algo diferente ? Então, quando falamos sobre nossa cultura e sobre pessoas que se encaixem, não queremos pessoas que iguais a gente. Tem suficientes empresas de tecnologia onde todos são iguais e todo mundo é um programador e eles têm seu próprio jeito de fazer as coisas. Onde tudo é o mesmo. Nós não queremos isso. Precisamos ter pessoas que trazem algo novo para a festa. A segunda coisa é que queremos humildade intelectual, não humildade regular. Temos pessoas com grandes egos sim, e alguns podem ficar um pouco desagradáveis. No entanto, isso é porque existem outras pessoas e é isso que acontece. 

Mas humildade intelectual é a capacidade de reconhecer quando você está errado, é a capacidade de reconhecer que quando você recebe novos fatos, suas visões de mundo devem mudar à luz dessas novas descobertas. Eu fiquei super feliz quando me deparei com pesquisas que diziam que, em qualquer trabalho, você pode se conectar ao significado. Há esperança. Há uma ótima história sobre um cara na cidade de Nova York e ele trabalha em uma lanchonete. Esse cara faz isso há 10 anos. Seu trabalho é cortar o salmão defumado. E é isso que ele faz há uma década na cidade de Nova York. E o nome dele é Chapra Shenaza Sherpa. O sobrenome dele é Sherpa, porque até os 20 anos, ele estava no Tibete e era um Sherpa. E ele começou aos onze anos, meio que rastejando coisas para cima e para baixo no Monte Everest. Uma vez, o jornalista que o entrevistou disse “seu trabalho costumava ajudar as pessoas a escalar o Everest, alcançar essa incrível epifania, esse objetivo ao longo da vida, e agora é cortar peixe por 10 anos. Certamente isso é um passo atrás. Certamente essa é uma diminuição de escopo. E ele disse “essa é exatamente a mesma coisa porque, em ambos os casos, estou servindo as pessoas”.

Um par de anos atrás, eu estava falando com o mesmo Andrea da parte anterior, que hoje mora no Brasil também e que na época trabalhava na área de Recrutamento e Seleção, e ele me contou um caso curioso: tinha apenas acabado de fechar uma vaga de C-level na Motul, empresa multinacional, com um cara que tinha acabado de chegar de mais de um ano na garupa de uma moto visitando 47 países. 

Eu fiquei de cara: o que mais imaginava como resposta era ela vindo de um ano na BR Distribuidora, na Lubrizol, sei lá, na Bardahl Promax. Não de um ano sabático viajando.

Isso o meu pai tinha me ensinado que era ruim para o curriculo!

Quando me formei na faculdade, eu levei 104 pontos de 110 possíveis na Itália (ok, nem pergunte: eu também não faço ideia do porque na Itália a pontuação vai até 110). Fiquei super preocupado: “como o mercado de trabalho vai me receber, manchado assim?”. E é verdade que empresas ainda olham para isso, mas sabe o que? Não eram essas as empresas pelas quais eu queria trabalhar!

Quantas vezes você já se cobrou, ou foi cobrado pela mesma coisa: por ter um Currículo impecável, onde não tivessem buracos e onde tudo te fazia parte da maioria da sociedade.

Pois bem, a verdade é que percebo a cada vez mais pessoas fazendo sabático e viajando pelo mundo. Bom, infelizmente com essa fase de crise a parte das viagens está ficando por fora, mas certamente percursos e backgrounds diferentes são a cada vez mais valorizados pelas empresas, e estou ouvindo a cada vez mais histórias como a de cima. 

E você, conhece alguma história dessas?

Ou vou fazer outra pergunta, você não acharia extremamente libertador saber que você pode conciliar algum sonho que tem na gaveta, com uma valorização profissional?

Pois bem, agora é a cada vez mais possível pois companhias como a Google, e o Laszlo Bock, quebraram um padrão e deram força a diversidade – e diversidade não por si só, mas sim como driver de negócio!

Tem múltiplos motivos para ter diversidade na empresa. Um dos principais é certamente o fato de que diversidade traz diferentes pontos de vista para sua organização e representa melhor os anseios de uma sociedade que é essencialmente diversa. Além disso, uma pesquisa da Deloitte de 2018 mostra que os jovens que chegam hoje ao mercado de trabalho têm a política de diversidade como um dos principais atrativos para escolher uma empresa. E isso paga, oh se paga: apenas no assunto diversidade de gênero,  estudo O poder da paridade, publicado pela McKinsey, revela que empresas com alta representatividade de mulheres no comitê executivo têm melhor performance financeira, com retorno médio sobre capital 47% maior que o de seus pares, menor índice de diversidade e faturamento 55% maior. Nada mal, hein? E isso é consistente ao longo de vários outros estudos sobre diversidade, em múltiplas áreas.

O ponto é que quando você não tem diversidade, os times desenvolvem comportamentos que nós, seres humanos, costumamos apresentar quando estamos em grupo, e os mais comuns nesse tipo de situação são 2: o primeiro deles é o efeito de manada, em que um indivíduo apenas faz aquilo que as outras pessoas estão fazendo, muitas vezes sem parar para refletir sobre a decisão tomada. O segundo é conhecido como groupthink, ou pensamento de grupo, em que o indivíduo deixa de manifestar sua opinião em prol de um consenso do grupo. Este comportamento se baseia no receio de falar em público e também em voltar atrás em uma opinião…medos que todos temos mas que temos que aprender a superar para verdadeiramente fomentar a inovação! 

Eu acho que nesse sentido, por certos aspectos, o Laszlo exagerou o que o Google conseguiu: pois estatísticas mostram que o Google ainda tem muito problema em termos de diversidade, mesmo tendo progredido recentemente. Pois quem lembra do famoso Google Memo, escrito pelo engenheiro do Google James D’Amore, que viralizou internamente e externamente em 2017 onde ele alegava que a diferença salarial no Google entre homens e mulheres existisse devido a uma diferença biológica entre os gêneros. 

Assim como surgiram polêmicas em torno da demissão de uns funcionários particularmente ativos na comunidade LGBT, e em 2018 sobre casos de assédio sexual…ou seja, algumas bombas aí pelo meio do caminho recente do Google. 

E por último, acho que o modelo de escritório “lúdico”, com tobogã, ping pong e sala de jogos foi meio que popularizado pelo Google como instrumento de PR, e não necessariamente é fator de maior sucesso profissional: inclusive vemos meio que uma contra tendência nesse sentido, hoje em dia. 

Mas a mensagem principal aqui é que feito é melhor que bem-feito: e podemos dizer que Laszlo botou a mão na massa e fez acontecer algo que era inimaginável até o Google comparecer para revolucionar seja a forma com que fazemos buscas na internet, seja com que trabalhamos.  E no áudio o Laszlo falou que o segundo pilar da culturas do Google, na hora de contratar e montar times: humildade intelectual.

E humildade intelectual, entre nós, nada mais é do que ter código mental construtivo, conforme a Carol Dweck nos ensinou! Quem ouviu o episódio do Metanoia Lab sobre a Michelle Obama? Está tudo lá! Ou seja, o Laszlo Bock conseguiu colocar em prática como critério de priorização de quem se torna Googler e quem não, essa humildade intelectual. Que igual Sherpa, não se preocupa das pessoas mas sim do propósito.E como o futurista Alvin Toffler dizia, está disposto a aprender, desaprender e reaprender. 

E você tem essa humildade intelectual?

Já trabalhou por alguém que sempre sabe de tudo? Ou já entrou em uma empresa nova e sempre que você sugere algo, as pessoas te dizem “A gente já fez, nao vai funcionar”. Pois bem, você sentiu na pele o que não é ter humildade intelectual em pessoas, e em times. 

E em um novo trabalho, eu sei bem como é chegar e se sentir meio que deixado no banco. Mas isso de alguma forma faz parte. Porque através da humildade também temos que perceber que assim que entramos em um novo emprego ou empresa, precisamos construir um capital intangível que nos faz ser ouvidos e impor nossa agenda: esse capital é a credibilidade. E é disso que o Lazslo vai falar nesse próximo audio.

“Em consultoria, você é ensinado a ir lá e resolver o problema. E em suas carreiras, você é bem-sucedido porque geralmente há algum problema, você vai lá, descobre e resolve. E, há toda uma literatura que diz que Você precisa de um plano de 30 dias quando está em um novo emprego.  Dito isto, a grande lição para mim foi que você precisa fazer pública a sua agenda. Sabe o por quê? Quando você assume uma nova função como essa, principalmente em uma empresa como o Google, você precisa focar no que primeiro as pessoas ao seu redor consideram importante. Mesmo que não seja a coisa certa, e sabe o por quê disso? Porque você precisa criar essa credibilidade e entrar em contato com essas pessoas, ao invés de pensar que elas gostam da sua formação e gostam de você. Imagina que, no primeiro contato eu dissesse que precisamos nos concentrar nesse problema…Eric Schmidt (Antigo CEO do GOOGLE) uma vez me disse explicitamente: Você está errado!  E isso também era uma parte bonita da cultura. Quando ele me disse isso, ele não estava sendo mau, não estava sendo cruel. Apenas sendo honesto. E então eu tive que encontrar uma maneira de construir essa credibilidade ao longo do tempo. E fiz isso me concentrando no que é mais importante. O que é mais importante? Bom, o recrutamento. Sendo assim, meu primeiro ano no google foi gasto provavelmente 70% ou 80% em questões de recrutamento e em como melhorar o recrutamento. E a partir daí, lentamente eu fui capaz de construir um relacionamento e credibilidade.”

2014 foi um ano marcante para o Tinder, particularmente no Brasil. Por que? Garanto que não foi porque comecei meu trabalho lá, mas pela Copa do Mundo…o uso do app aumentou de 50% na época da Copa no brasil, e a partir daquele momento engatou aquele efeito bola de neve que negócios de plataformas podem ter…mais pessoas usando, mais atrativa ela se torna. Mas mesmo tendo crescido tanto, nosso budget a disposição para o país permanecia minúsculo: era suficiente apenas para produzir uns adesivos para colar na Zona Sul do Rio e de São Paulo, e para patrocinar uma choppada de medicina por mês, vai. 

Mas o potencial era muito maior. 

Foi por isso que no começo de 2015 eu, Gael e Rochane, dois colegas do grupo Match na América Latina, embarcamos em um avião rumo a Los Angeles. Nosso plano era apresentar uma estratégia para o Brasil, para pedir um budget maior, montar uma equipe maior etc. 

Eu vinha preparando essa reunião havia tempo, e não eram as slides apenas. 

Eu já vinha negociando TUDO, absolutamente TUDO que estava na apresentação, fingindo que eu tivesse o dinheiro para isso. Estava praticamente tudo fechado mas o time em Los Angeles não fazia ideia. Ai apresentamos para o time de cofundadores e para o novo CMO da companhia, o Phil Schwarz, com o qual me tornei super amigo e estamos em contato até hoje, e lembro que mostrei para eles as iniciativas que teríamos tomado ao longo de certas verticais. 

Essas verticais eram exatamente as verticais que eles tinham desenhado para a estratégia dos EUA: através de colegas, eu peguei e fiz um copia e cola para que realmente soubesse que eles considerassem isso importante…olha como o Laszlo Bock seria orgulhoso!

Lembro que falamos da vertical de Parcerias de Mídia, de Eventos, de Celebridades etc…cheguei até a sugerir de ter o Caio Castro no Tinder, o que eles não necessariamente sabiam era que isso do meu lado já estava fechado!

A reunião foi como esperado: em vez de uma luz verde, o time nos disse que iria considerar aumentar o orçamento se tivéssemos mostrado uma boa capacidade de execução em cima desse plano inicial…ah, e forneceram apenas metade do orçamento pedido! E sabe o que? Isso faz sentido! Primeiro tem que construir credibilidade. Ainda desde Los Angeles, fiz umas ligações e começamos a execução: ela foi tão rápida e efetiva que a equipe fez do Brasil o primeiro país do mundo com uma verdadeira equipe independente. 

Vamos pelo checklist do Lazlo Bock:

  • liberei minha agenda? Check
  • Era alinhada com as prioridades deles? Check
  • Com isso construí credibilidade? Check

Tem uma frase muito legal que diz que “confiança está baseada em credibilidade. E credibilidade vem de atuar no interesse dos outros antes do que no seu”. É isso mesmo!

Agora, assim como eu era um novato no Tinder, construir credibilidade é particularmente desafiador e ao mesmo tempo fundamental, em um novo emprego.

Como fazer isso então, quando na maioria dos casos você chega em um novo emprego sem cartucho nenhum? Ainda mais quando você não tem muita experiência, e normalmente os empregadores buscam recém formados mas já com bastante experiência – até o ponto que quem já viu um meme onde m vaga de estágio são demandados 30 anos de experiência? Não isso na realidade, mas quase. 

Esse é o que chamado de Paradoxo da Credibilidade, e é estudado no Perlmutter Institute for Global Business Leadership da Brandeis University. Eles dizem que para amenizar esse paradoxo, e ser mais levado em consideração quando você entra em um novo emprego, você precisa fazer 5 coisas: 

1 – Aproveite o seu conhecimento prévio: você vai chegar com um conhecimento diferenciado que vem da da sua vivência fora dessa empresa, ou em contextos passados. Faça dela um pilar diferencial que as pessoas valorizem. 

2 – Abrace seu ponto de força: identifique com rapidez onde seu ponto de força principal agrega no novo trabalho, e inicialmente foque nele para demonstrar efetividade.

3 – Se voluntarie para ajudar: se souber que outras pessoas estão com dificuldade de braço para completar tarefas ou precisando de algo, se voluntarie para ajudar. Não se sobrecarregue ao extremo também, mas se mostre disponível para ajudar. 

4 – Entregue e comunique proativamente: não espere apenas os outros te acionarem, mas busque proativamente os outros se comunicando de forma positiva mas questionadora ao mesmo tempo, e entregando além do que é esperado de você.

5 – Crie um círculo de pessoas próximas: mesmo que no longo prazo sua ideia é se relacionar com a empresa como um todo, inicialmente foque em um núcleo duro de pessoas próximas com as quais pode contar e que possam contar com você.

Só assim você vai conseguir construir a credibilidade que é tão precisa, ainda mais em um mundo de acesso infinito a informação onde nos tornamos nossas próprias marcas pessoais. Meu negócio atual de palestras é totalmente baseado em credibilidade. Uma futura contratação sua pode ser baseada na credibilidade que você tem no mercado. Por isso a cultive como o capital intangível que é.

Para encerrar esse episódio, separei mais uma frase do Laszlo em que ele diz: 

“Temos que entregar o básico, sem falhas, o tempo todo” 

Eu sugiro que você anote essa frase todos os dias antes de começar a trabalhar. 

Sabe por que? Porque a busca pelo sucesso é tão complexa e desgastante, que às vezes esquecemos do básico. 

E se você falha na entrega do básico, por mais incrível que seja a sua ideia e a execução dela, lamento te dizer, ela não vai dar certo. 

 É como você querer fazer uma live, montar um estúdio, se preparar para aquilo, estar ensaiado e, não ter pensado se a internet irá aguentar. De que irá adiantar tudo que você montou se você não vai conseguir transmitir com excelência?

Por isso, entenda que, o básico, por mais básico que seja, é importante. E, se você falhar nele, estará colocando tudo em jogo. 

Quantas vezes você se pegou deixando de fazer o básico com excelência no seu dia-a-dia? 

Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade.  As melhores 5 respostas irão estar no podcast e também irão receber o meu livro “ 6 Competências para Surfar na Transformação Digital” de presente na sua casa.

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou! Qualquer dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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