PODCAST

Lady Gaga: criatividade, cultura do erro e "escalar o inescalável", comentados por Andrea Iorio.

“Nunca deixe alguém no mundo te dizer que você não pode ser exatamente quem você é.”

LADY GAGA

Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida pelo nome artístico Lady Gaga. Esse Germanotta entrega sua descendência italiana, hein. Ela fez a Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque, e no fim de 2007, assinou um contrato com a Streamline Records, um selo da editora discográfica Interscope Records. Durante o seu início na Interscope, trabalhou como compositora para artistas e capturou a atenção do produtor Akon, que reconheceu as suas habilidades vocais e contratou-a para a sua própria gravadora, a Kon Live Distribution. Foi ai que tudo começou. Hoje, ao lançar o novo Álbum chromatica, alcançou a marca de 6º álbum consecutivo dela que alcança o número 1 na Billboard americana, e hoje é o oitavo perfil de twitter mais seguido do mundo, com 81 milhões de followers. Apenas.

Influenciada por artistas como David Bowie, Michael Jackson, Madonna e Queen, Gaga é reconhecida pelas suas contribuições extravagantes, diferentes e exageradas à indústria musical através da sua moda, actuações e vídeos musicais. Para vocês terem uma ideia, a recepção pública da música de Gaga, senso de moda e persona, é bastante polarizada. Devido à sua influência na cultura moderna e sua ascensão à fama global, o sociólogo Mathieu Deflem, da Universidade da Carolina do Sul, ofereceu um curso intitulado “Lady Gaga e a Sociologia da Fama” desde o início de 2011 com o objetivo de desvendar “algumas as dimensões sociologicamente relevantes da fama de Lady Gaga”. Confesso que fiquei curioso para assistir ao menos uma aula desse curso.

Um outro fato curioso é que quando a Lady Gaga se encontrou brevemente com o então presidente Barack Obama, em uma arrecadação de fundos da Campanha de Direitos Humanos, ele achou a interação “intimidadora” enquanto ela vestia saltos de 16 polegadas, fazendo dela a mulher mais alta da sala. 

De fato, a Gaga sabe marcar presença e se diferenciar, e muito disso tem a ver com a jornada dela. E a jornada dela nasce da sua enorme criatividade, e esse é o tema dessa primeira frase que eu separei, escuta só! 

“É a jornada. É a nova jornada de todos nós. E há algo que você possa fazer para ajudar no processo criativo? Existe algo que você pode fazer? Eu tenho algumas coisas, como por exemplo: Eu não leio nada. Sem imprensa, sem televisão. Se, por exemplo, minha mãe ligar e dizer: “você ouviu falar de tal música?”  Eu definitivamente não quero saber de nada que está acontecendo em relação à música. Obviamente, quero saber sobre o mundo, mas eu desligo tudo e foco. Inclusive, além desta entrevista, Oprah, não pretendo falar com ninguém por muito tempo. Este é o meu momento de experimentar um renascimento com minha própria música. Eu tenho que me desligar de tudo. Me desligar do barulho, porque o barulho é alto. Você tem que cancelar o ruído e lembrar que são os seus pensamentos que importam.”

Já teve essa sensação do tempo parar, enquanto você está no meio de um processo criativo? E também que o tempo vou, assim que você completar esse processo?

Você olha para trás e diz, “não acredito que passaram 4 horas”, enquanto a sua percepção foi de ter dedicado alguns minutos a uma certa tarefa?

Pois bem, você não está só.

Todos sentimos isso quando estamos verdadeiramente inspirados, e imersos no processo criativo. Essa sensação é chamada de estar “no fluxo”, ou Flow.

O que é esse tal de fluxo? O conceito, popularizado nos anos 70 pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, PhD e professor da Universidade de Chicago, designa as experiências ótimas de fluxo na consciência. Ele define o fluxo, ou “flow”, como “um estado mental onde o corpo e mente fluem em perfeita harmonia, um estado de excelência caracterizado por alta motivação, alta concentração, alta energia e alto desempenho, por isso também chamado de experiência máxima. É o que queremos, não só em processos criativos, mas praticamente sempre, não é?

E quando entramos no fluxo? Geralmente, entramos no Flow quando estamos fazendo aquilo de que mais gostamos. Pessoas entram em fluxo dançando, cantando, correndo, praticando esportes, desenhando, pintando, escrevendo, como no meu caso, meditando e até trabalhando – para os líderes mais workaholics.

Os benefícios são óbvios: Quando você faz aquilo que mais gosta de fazer, tem mais motivação, se concentra com mais facilidade e fica tão profundamente envolvido e absorvido na atividade que nem percebe o tempo passar. Nesse momento, você não pensa em mais nada, não pensa nos problemas que ocorreram antes, nem no que terá de fazer depois: fica inteiramente focado no presente.

Parece uma contradição com tudo que falamos no episódio 19 do Metanoia Lab, né, onde o Malcolm Gladwell nos conta que ele busca inspiração das coisas mais variadas para obter insights criativos. Mas não é. Pelo contrário. 

Estamos falando de 2 momentos totalmente diferentes do processo criativo. 

Nós precisamos obviamente de ter vários inputs em nossa cabeça, no dia a dia, para pegar inspiração das mais variadas fontes, e não ser experts do assunto que dominamos, apenas. Mas isso vem antes do processo de criação em si: pense bem no que a Lady Gaga disse, se ela estivesse constantemente influenciada por notícias ou informações sobre músicas de outros, ela não conseguiria ficar focada no próprio processo criativo, e seria constantemente interrompida, e influenciada. Assim não dá!

Olha que interessante: recentemente fui impactado em um anuncio no Youtube da Masterclass da Margareth Atwood, a escritora canadense autora do O Conto da Aia, que inspirou o incrivel seriado que a maioria deve ter já assistido. E bem no começo ela fala: “Os maiores obstáculos para que você se torne um escritor, são as constantes interrupções das outras pessoas”. Perfeito, sem mais! Todos temos o potencial de sermos escritores, ela diz, mas o bombardeio de informações externas nos tira do foco no processo criativo, e nos não permite dar o máximo. 

E oh se esse bombardeio de informações e inputs é enorme. 

O bombardeio de informações que recebemos todos os dias supera nossa capacidade de processamento – e devemos evitá-lo ao máximo. Vivemos uma era de infoxicação, que seria uma intoxicação de informações: para se ter uma ideia, o volume de dados no mundo é equivalente a 44 zettabytes. “Ah, tá, obrigado Andrea! Mas… o que isso significa?”. Para tangibilizar esse cenário, saiba que 1 zettabyte tem 21 zeros. Se colocarmos 44 zettabytes armazenados em iPads empilhados, um em cima do outro, essa “estradinha” faria 6.6 vezes o trajeto da Terra à Lua. Fica mais fácil de imaginar assim, né? E olha que nem deve ter estoque de iPad para isso…

E isso tudo diminui nossa capacidade de focar. De forma coletiva, como demonstrado por um estudo recente da Technical University of Denmark, onde entre vários exemplos, eles mostraram que, em 2013, um global trend no Twitter durava 17.5 horas, enquanto em 2016 essa média caiu para 11.5 horas. 

E de forma individual, nem precisamos de um estudo para demonstrar isso, pois vivemos essa ansiedade, essa FOMO (ou seja, Fear of Missing Out), todos os dias. 

No meu caso, durante a quarentena me dediquei a escrever meu segundo livro, um ensaio sobre Liderança, chamado “O Futuro não é mais como Antigamente”, que está na Amazon e está repercutindo super bem, e tive que fazer um esforço enorme para manter vivo meu processo criativo. 

Enquanto escrevia este livro, costumava colocar meu aparelho em modo avião para não ser distraído por mensagens, notificações e notícias pipocando na tela. “A Bolsa caiu X%”, “O número de casos de Covid-19 na Itália aumentou de Y%”, “Andrea, se liga na live do sicrano agora no Insta”… não sei quanto a você, mas isso me deixa extremamente ansioso. Parece que o telefone dita o meu dia, e não o contrário; ele está sempre me dizendo o que fazer, para quem ligar, a qual assunto dar mais atenção. E a avalanche de lives durante a quarentena? Assim como muita gente se improvisou corredora, para ter uma desculpa para sair de casa, todo mundo virou streamer de lives no Instagram. E a gente? Ficamos indecisos sobre quem assistir, marcando os preferidos em nossos calendários, mas descobrindo outros 37 eventos virtuais legais no mesmo horário, pulando de live em live a cada 2 minutos…

Eu me vi fazendo, no Instagram, a mesma coisa que faço com o controle remoto da TV: zapeando canais. E o que fica, ao final? Não muito conhecimento; apenas muita informação. E atenção, que o sábio escritor Mario Vargas Llosa já advertiu, em 2011: “mais informação, menos conhecimento”. 

Afinal, deixe eu te fazer uma pergunta, e seja honesto comigo: você tem suas melhores ideias, enquanto está fazendo seu trabalho do dia a dia, ou enquanto está tomando um banho? Ou enquanto está correndo? Ou enquanto está fazendo uma trilha, mergulhando, sei lá, se jogando de asa delta? Já sei da resposta, e obviamente é quando somos mais relaxados…não é durante as tarefas repetitivas do dia a dia! Eu por exemplo tenho muitos insights enquanto estou treinando jiu jitsu, e acontece direto que assim que terminar uma luta eu corro para o bloco de notas do meu celular e escrevo o que pensei. No seu caso, como é? Me conte no Whatsapp do Metanoia Lab, ou pelas redes sociais.

Mas parte interessante da discussão agora é: porque então nosso cérebro é mais criativo quando ele está relaxado, ou descansando? Porque momentos de pausa, de introspecção, e de ócio ousaria dizer, são fundamentais para a criatividade?

Amy Fries, autora do livro Daydreams at Work: Wake Up Your Creative Powers, e editora da revista Psychology Today, diz que afinal quando nossa mente é livre de “viajar, entre raspas, ela consegue acessar memórias, emoções e conhecimento adquirido no passado que não é possível quando é constantemente bombardeada com informações. Ela diz que é assim que conseguimos ter uma visão macro, pensar no longo prazo, e consequentemente ser mais criativo. Essa visualização nos ajuda a ter perspectivas novas sobre um problema, ou ligar pensamentos aparentemente desconectados, dando vida a ideias originais. 

É por isso que o Albert Einstein costumava dizer: “Quando eu trabalho, eu brinco. Quando eu brinco, eu trabalho”, dizendo primeiramente que o trabalho era prazeroso para ele, mas também que quando não trabalhava oficialmente, ele estava no melhor momento de criatividade e produtividade.

É assim mesmo, ou pelo menos, é para mim, que sempre tento deixar espaço livre para minha mente no dia a dia…e é daí que saem as melhores ideias mesmo, garanto!

Nesse sentido, recentemente li um post do Luciano Santos, diretor de vendas do Facebook Brasil, que dizia:” Todo dia eu vejo gente aqui querendo nos convencer que: – se você não acorda às 5 da manhã para a live das maravilhas, você é um perdedor – se você não cancelou seu Netflix e desperdiça sua vida assistindo séries, é um fraco – se você não vende seus bens para fazer um curso (de preferência o do Guru online que te sugeriu), não reclama que não está crescendo – se você comemora os feriados ou a chegada da sexta-feira, é um descomprometido- se você não está se sacrificando de algum modo perverso, você nunca vai chegar lá

Não cai nessa não. Vida é equilíbrio, não extremos.”….é isso mesmo, afinal sem esses momentos de “paz”, “lazer. ou, resgatando essa palavra que já nos conhecemos no início, “fluxo”, nós estamos matando qualquer potencial de sermos criativos. 

Agora, para uma artista como a Lady Gaga, criatividade é a razão do sucesso dela, mas afinal não poder ser o único, até porque não pode se contar com os sucessos do passado só. Precisamos aprender com os erros, e é disso que ela nos fala na próxima frase. Ouça só.

“Você tem que apagar todo o seu sucesso de certa forma, é como eu sempre digo, quando você começa um álbum, você tem que tirar todos aqueles álbuns de Platino das paredes, sabe, colocá-los no fundo, abrir espaço para mais . Sabe, você não pode, criar álbuns baseados nos louros de seu sucesso anterior, ou se importar com isso. Quer dizer, no final do dia, não é para isso que estou aqui. Sempre fui obcecada por música e gosto de transformação. A transformação através da música é um dos presentes mais bonitos: você aprende sobre você quando escreve música.”

Pense bem, se você for a Lady Gaga e estiver gravando um novo álbum, ou uma nova música, em uma sala cheia de seus discos de Platino. Ou imagine-se sendo um atleta, sei lá, de Crossfit treinando em sua casa durante a quarentena em uma garagem cheia dos troféus que você já conquistou. Ou até o seu escritório, cheio de diplomas, ou reconhecimentos da empresa pendurados na parede. 

O que acontece? Para mim, duas coisas principais: primeiro, entra em jogo um certo medo ou ansiedade de estar a altura de tudo que você conquistou no passado, que às vezes pode atrapalhar no processo de criação ou no seu trabalho. Mas que admitimos, as vezes pode te incentivar, o que então não é 100% ruim. 

Mas segundo, você se apega aos sucessos do passado e isso pode te fazer sentir mais äcomodado”, entre aspas, onde você pode não dar o máximo porque justamente é influenciado pelos sucessos do passado. E isso é grave e perigoso!

Se você é um ouvinte frequente do Metanoia Lab, já sabe pelo episódio do Clayton Christensen que esse fenômeno é chamado de path dependence, ou de dependência da trajetória, que fundamentalmente diz que nós tomamos decisões, ou fazemos coisas no presente, baseados em nossos sucessos do passado.

E é por isso, para evitar essa influência do sucesso passado que a Lady Gaga tira todos seus álbuns de platino do quarto para não se apegar a eles, enquanto está gravando algo novo. 

E também para fazer espaço para novos, como disse ela brincando. Mas é verdade!

Essa libertação é um presente.

Transformação é um presente, ela disse no áudio acima, e eu simplesmente adorei.

Mas sendo que já falamos da dependência da trajetória, hoje eu quero focar no primeiro motivo pelo qual simbolicamente não deveríamos manter nossos álbuns de platino, e óbvio que é uma metáfora porque eu teria zero chance de ganhar um, e deixo essa honra ao meu conterrâneo e xará Andrea Bocelli, que ganhou múltiplos discos de platino. 

No meu caso, poderiam ser os crachás de palestrante em vários eventos grandes, que colecionava até pouco tempo atrás, quando joguei tudo fora seja para ter uma casa mais minimalista, mas também para realmente evitar de ser influenciado por eles. 

E que eles me assustam..

Porque os sucessos do passado nos assustam?

Porque sobem a barra, e nos fazem auto cobrar ainda mais. Você começa a se perguntar constantemente: “O que pode dar de errado?”. Você já sentiu aquela sensação que depois de alguns meses que foi promovido, você já está de novo insatisfeito e quer ser promovido de novo? Com certeza sim, pois somos ambiciosos por natureza mas ao mesmo tempo eternamente insatisfeitos, um pouco como Sísifos modernos que empurram a pedra pra cima constantemente e quando chegamos lá em cima, percebemos que estamos começando de novo. 

E quando nos cobramos mais, nós ficamos mais com medo de errar. 

Isso é lógico, pense bem: no começo da minha carreira de palestrante, se eu tivesse falado uma besteira em cima de um palco, como por exemplo uma informação errada, provavelmente não teria acontecido muito. Os públicos eram menores, os eventos menores, e consequentemente não dava em muito. Mas se eu falar algo palesemente errado num palco como por exemplo da Convenção do Bradesco, ou da Globo como tenho feito ultimamente, isso ia pegar muito pior e podia afetar a minha carreira.

Ou seja, quanto mais sucesso, mais cobrança, e mais medo de errar consequentemente.

Mas sem erro não tem o dom da transformação, porém. Vamos então entender melhor como superar isso, começando por nos perguntar: todos os erros são iguais, um ao outro?

Não, nem todo erro é igual. De acordo com Amy Edmondson, professora de liderança na Harvard Business School, (HBR, 2011), há erros causados por desvio de conduta, desatenção, incapacidade e inadequação de processos, que são evitáveis e, portanto, podem ser vistos como condenáveis. Existem também, porém, outros decorrentes de incerteza sobre eventos futuros, complexidade do processo, teste de hipótese ou teste exploratório, que são aceitáveis e até mesmo louváveis, pois produzem conhecimentos valiosos e vantagens competitivas para a organização.

Afinal, erros podem ser divididos em 3 categorias:

Erros evitáveis em operações previsíveis: São os erros de fato ruins, pois representam falhas em procedimentos já bem conhecidos e rotineiros. Geralmente ocorrem por desvio, distração ou falta de qualificação para desempenhar uma função específica. Costuma ser fácil detectar suas causas e encontrar soluções para esse tipo de erro, por exemplo através de checklists ou processos.

Erros inevitáveis em sistemas complexos: Muitos erros organizacionais estão relacionados à imprevisibilidade de algumas situações. Em um cenário de incertezas, constituído por pessoas, problemas e demandas novas, o melhor caminho a seguir pode ser especialmente difícil de identificar, gerando falhas nos processos. Embora a adoção de práticas de gestão de risco mais eficientes possa ser útil nesses casos, alguns pequenos problemas tendem a persistir. Alguém disse crise do Covid? Nesse sentido, gosto muito do que o Carlos Brito, CEO da AB Inbev, costuma dizer sobre como lidar com esses cenários imprevisíveis onde a organização não tem controle direto. O que eles fazem? eles criam cenários e trigger points (caso determinados cenários se realizem). Ou seja, sob falta de controle e cenários imprevisíveis, não dá para criar modelos que não contemplem o erro.

Erros inteligentes na fronteira entre o conhecido e a inovação: Erros desse tipo podem ser considerados benéficos, uma vez que indicam a tentativa de fazer algo novo, nunca tentado antes, e geralmente proporcionam aprendizados essenciais para o crescimento da empresa como um todo. Criar um produto inovador e testar as reações dos consumidores em mercados novos são exemplos de contextos que envolvem erros inteligentes. Trata-se de experimentos que devem ser realizados primeiramente em pequena escala para verificar os resultados e feedbacks obtidos, ajustando a estratégia a partir deles.

Ou seja, se nós não contemplarmos o erro no processo de criação ou dos negócios, simplesmente criamos uma cultura do silêncio e do status quo que leva a frente coisas que irão evidentemente fracassar, por medo do erro. O risco de uma cultura “silenciosa”diante aos erros é enorme, e para melhor exemplificar podemos usar o caso da Samsung, uma empresa muito resistente ao erro, onde o estilo de liderança controlador, e o medo de repercussões negativas e represálias após o erro, cria uma cultura do silencia ou da inércia que convida para o desastre. E no caso da Samsung se materializou no grande problema do Galaxy Note 7, que pegava fogo durante voos em avião e que tinha evidentes problemas no designs e na manufatura, mas ninguém levantou a mão até o problema, literalmente, explodir. O custo disso? Uma imagem manchada, e um custo de recall de mais de 6 bilhões de dólares.

Mas como então perdermos o medo do erro, que afinal é medo do fracasso?

NO TED Talk do título “Porque devemos definir nossos medos e não nossas metas”, o incrivel Tim Ferriss, autor do livro “Trabalhe 4 horas por semana” e hoje um dos podcasters maiores do mundo, fala que ele cria uma lista de medos, pelo menos uma vez a cada trimestre, que o ajuda mais ainda do que criar uma lista de metas.

Você precisa olhar para seus medos mais de perto, e normalmente eles te fazem exagerar o impacto negativo das suas ações, subestimar o potencial positivo de tomar ação, e ignorar o custo da ação. 

Como funciona? 

Praticamente você tem que, em uma página, colocar seus medos debaixo do microscópio e definir eles. Numa segunda página, você precisa considerar os potenciais benefícios de tomar ação, e na terceira as consequências de não tomar ação. Não vou entrar nos detalhes aqui de exatamente como preencher essas páginas por questões de tempo, mas tudo pode ser achado no Blog do Tim Ferris. Recomendo dar uma olhada.

Agora, quando você supera o medo de errar, aí você parte para o ataque e empreende. Mas empreender não é só uma modinha, e não é só questão de sorte…o que é então? Lady Gaga nos conta mais sobre a visão dela no próximo áudio.

“Meu foco realmente neste álbum é mostrar que para quem quer fazer música, você não precisa ter sorte na Internet. Não é um jogo de mídias sociais. Você não tem que encontrar um o produtor  bombado ou fazer a hit bombada. Você sabe, para ser uma estrela, você pode simplesmente aprender a tocar um instrumento, sentar-se em seu quarto e praticar e escrever canções e poesia. E então você pode ir até o bar da esquina e conhecer outros artistas que fazem a mesma coisa que você. E você pode sair e conversar sobre música e escrever canções, e depois você pode tocar em algum lugar da esquina e ganhar um fã, e fazer de novo, e de novo, e de novo, até ser descoberto.”

Sabe qual a idade média dos empreendedores mais bem sucedidos, no mundo das start-ups?

Chuta.

20 anos? 

30 anos?

40 anos, ou mais?

Bom, imagino que a maioria respondeu 20 anos, e isso é óbvio: as grandes histórias de superação e empreendedorismo, como as dos Mark Zuckerberg criando o Facebook aos 19 anos desde o seu dormitório em Harvard, ou do Steve Jobs criando a Apple aos 21 anos desde sua garagem, são as que mais chamam a atenção e ficam presas em nossas cabeças. 

Mas a verdade é que segundo um estudo recente na American Economic Review, aponta que a idade média dos fundadores do 0.1% de startups mais bem sucedidas, é de 45 anos.

Eu sei, você deve estar de queixo caído, assim como eu da primeira vez que li essa pesquisa.

Porém na medida que fui ver também o ecossistema Brasileiro, percebi que também está mais próximo dessa realidade do que a dos que abandonam a faculdade para criar uma start-up. Isso de novo, é porque casos como do Tallis Gomes fundando em seus vinte e pouco a Easy Taxi é mais interessante para a imprensa, enquanto é menos chamativa a de empreendedores mais velhos. 

Um dos efeitos dessa visão distorcida, talvez uma consequência, tem porém tem sido uma sorte de mitização do empreendedorismo, de romantização dele com uma narrativa de que você precisa ser novo, abandonar a escola e comer miojo por meses para ser um empreendedor bem-sucedido.

Mas quando você é mais velho, as vezes tem enormes vantagens a respeito de quem é mais novo, mesmo que eles tenham mais energia, mais garra as vezes e menos a perder. Pense bem: eu agora tenho muita mais experiência de 10 anos atras, tenho mais segurança financeira, mais estabilidade emocional, mais contatos e networking, mais aprendizados nas costas…e acredite, ainda tenho medo de empreender a fundo pois considero ser cedo demais!

Mas quis falar disso tudo para desmistificar algumas crenças a respeito de empreendedorismo, assim como a Lady Gaga de alguma forma faz no áudio dela sobre ser artista, que não é só ser bombado nas redes sociais, não é sobre ter sorte apenas, mas que é fruto de duro trabalho para gerar bom conteúdo, e que isso é resultado de repetição constante, e de crescer, um passo por vez.

O jeito com que ela termina a frase é perfeito: “ganhar um fã, e fizer isso de novo, de novo, de novo”….alguém logo lembrou do conceito de Marchas de 20 Milhas que o Jim Collins fala, como fator de sucesso nas organizações? Se não lembrar, vale a pena dar uma ouvida de novo ao episódio 7 do Metanoia Lab, mas de toda forma é exatamente isso. 

É muito apropriado porque muitas vezes fazemos o erro de querermos crescer muito rapidamente, e esperarmos de repente conquistar centenas e milhares de clientes, talvez porque a ilusão das redes sociais nos faz pensar que alcançar tantas pessoas assim é tão fácil quanto fazer umas postagens no Instagram ou TikTok.

Não é. 

Primeiramente o seu conteúdo deve ser bom. A base tem que ser de qualidade. No caso da Lady Gaga, ela fala que é preciso focar em compor boa música, e não é apenas estar com o melhor produtor. Mas no caso por exemplo de social media, é importante que o conteúdo pareça orgânico e não um anúncio. No caso que você for um empreendedor de aplicativos digitais, que é um mundo que conheço muito bem graças ao Tinder, Zen e Filmr, é importante que o aplicativo tenha uma boa usabilidade e consequentemente uma boa retenção, pois se não você pode fazer todas as campanhas do mundo em termos de anúncios e marketing, mas os usuários não irão ficar, mas simplesmente entram por um lado e saem do outro. Olha só: estatísticas do mundo de aplicativos mostram que 80% das pessoas que baixaram seu app hoje, vão deixar de utilizar em até 3 dias. 

Te faço uma pergunta agora: de todos os aplicativos que você tem instalados no seu celular, quantos usa todo dia? Aposto que não mais de 10. E quantos têm que nunca usa, ou que faz meses que usou da última vez? Quase a metade aposto….e é isso mesmo! 

Tudo começa de um bom produto, um bom conteúdo, uma boa música, ou falando do Metanoia Lab, um bom podcast, que tenha a habilidade de reter as pessoas que chegam.

E quando você o tiver, ai sim que começa a trazer pessoas para você ou seu negócio….ou parafraseando a Lady Gaga, “ganhando 1 fã por vez”.

Isso é exatamente a abordagem que eu tenho com o Metanoia Lab. Eu penso primeiramente na qualidade dos conteúdos, e depois me preocupo com o crescimento. E o crescimento eu encaro 1 por 1, de forma individual, e humana, tentando me relacionar de forma pessoal e personalizada com o máximo de Metanoia Lovers possíveis….e olha que agora já são mais de 5000!

Vou fazer um exemplo que me confirmou que estou no caminho certo: para trazer novos ouvintes para o Podcast, eu mando mensagens meio que personalizadas, me direcionando com o nome da pessoa, a contatos que eu tenho no Linkedin e Instagram, convidando a ouvir o Podcast. E certo dia, recebi essa resposta, de um dos contatos: “Andrea, nossa que chatbot legal que você está usando, é super personalizado e humano….parece quase que foi você que me escreveu pessoalmente. Poderia me dizer o nome do software que usa pois quero adotar em minha empresa também?”. Inicialmente eu fiquei pasmo: como assim a pessoa acha que era um chatbot? Se só soubesse quantas dores ao meu pulso dá esse envio de mensagens….mas segundo, me fez pensar que sim, estava conseguindo escala, porém mantendo uma mensagem humanizada e um  toque personalizado. 

E é isso que você quer manter, quando escala seu negócio.

Um por um.

Um fã a cada vez. 

E faço isso constantemente, não só no Podcast mas em meu negócio de palestras. De novo, não é apenas mandar uma mensagem personalizada, mas se relacionar de forma humana e personalizada em larga escala. Pode ser uma mensagem, sim, mas de outra forma pode ser enviando cópias autografadas do meu livro. Ou pode ser através desse podcast, onde todo dia consigo transmitir minhas ideias e pensamentos de forma humana e profunda, e em larga escala, tendo centenas de ouvintes únicos todos os dias. É como se eu fosse dar uma palestra todo dia para um auditório cheio, e isso é a melhor forma de se relacionar de forma única com alguém. 

No seu negócio, qual é a fórmula de “1 fã por vez”que você pode adotar? É através do email marketing, ou através um podcast também, ou de que forma você consegue se relacionar de forma individualizada mas em larga escala?

Pois pense bem em um time de vendas, que faz visitação presencial. Estava acostumado a se relacionar de forma personalizada mas não em larga escala, pois um vendedor pode simplesmente estar em um lugar só, em um cliente só, ao mesmo tempo. Mas aí a crise pegou, e não podia mais fazer a visita. Ai através do Digital deu pra se relacionar de forma massiva, mas não personalizada….como conseguir conciliar as duas coisas?

Escalando o inescalável, como diria o Gary Vee.

O Gary Vee é um criador de conteúdo…sobre criação de conteúdo rs. Ele ensina como crescer na internet, e mesmo que eu não goste muito do estilo agressivo dele, assisti a palestra dele no RD Summit ano passado, e gostei muito de um conceito que ele justamente chama “Scale the Unscalable”, ou seja de como você consegue escalar sua comunicação e conteúdo, mas de forma personalizada. 

Recentemente, inclusive, publiquei um artigo no Linkedin e meu site do titulo “1000 em 10: o que aprendi ao chegar a 1000 followers do meu podcast em 10 semanas”, onde expliquei como cheguei aos 1000 seguidores do Metanoia Lab de forma orgânica, e passei 10 dicas, divididas em 2 categorias, as primeiras 5 chamadas Content is King, que são dicas sobre como crio o conteúdo, e as ultima 5 que são justamente chamadas de Scale the Unscalable, onde passo minhas estratégias de crescimento. Não vai dar o tempo de entrar em detalhes aqui, mas recomendo a todos darem uma lida e ver como isso pode aplicar ao seu negócio. 

Afinal, o que você vai querer entender é através quais canais, e de que forma, você escala o inescalável em seu mercado?

Para encerrar esse episódio, quero usar mais uma frase da Lady Gaga em que ela fala: 

“Não é sobre dinheiro, não é sobre prestígio, não é sobre classe/ é sobre ter uma identidade.”

Identidade.

É sobre você. 

É sobre quem você é. 

Será que você está construindo a sua identidade baseada no que te faz realmente feliz? Às vezes, ou melhor, muita das vezes, a gente não se questiona isso. Mas, quer uma dica, peça para 3 pessoas próximas de você te falarem 3 adjetivos que descrevam quem é você. 

Se você estiver satisfeito com todos os adjetivos falados, sinal verde, você está no caminho certo! Se você não estiver satisfeito, eu acho que agora é o momento de você rever a sua identidade e encontrar o que faz você ser única e exclusivamente você.

Reflita nisso como dever de casa, e me conte. 

Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade de até 1 minuto, se apresentando no começo. As melhores respostas irão estar no podcast. Qualquer ideia,  dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou!

contato

Mande um oi!

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Pellentesque fringilla accumsan augue, a vulputate lacus eleifend ut. Interdum et malesuada fames ac ante ipsum primis in faucibus