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Kobe Bryant: treinamento, deixar um legado e meditação, comentados por Andrea Iorio.

“Heróis vêm e vão, mas lendas são para sempre.”

KOBE BRYANT

Kobe bryant é um  lendário ex jogador de basquete estadunidense que jogou toda sua carreira como ala-armador no Los Angeles Lakers da NBA e  é considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Ele foi um dos poucos atletas a ser escolhido no recrutamento da NBA direto do ensino médio para a liga norte-americana. Ao longo de 20 anos de carreira, ganhou cinco campeonatos da NBA, participou 18 vezes do All-Star Game (recorde absoluto), foi eleito 15 vezes como membro da Equipe ideal da NBA, foi o Jogador Mais Valioso (MVP) da NBA em 2008. Junto do também lendário Shaquille O’Neal e o técnico Phil Jackson, Kobe levou os Lakers a três campeonatos consecutivos da NBA, a chamada ‘dinastia’ nos Estados Unidos – 2000, 2001 e 2002. Em 2006, fez 81 pontos num jogo contra o Toronto Raptors, segunda maior pontuação de todos os tempos, atrás somente dos 100 pontos de Wilt Chamberlain, marcados numa partida em 1962. Em 2009, Bryant levou os Lakers ao título da NBA e, assim, conquistou o seu quarto campeonato na carreira. Foi também o Jogador Mais Valioso das Finais, que ocorreram contra o Orlando Magic. No ano seguinte, numa partida contra o Memphis Grizzlies, tornou-se o maior pontuador da história do Los Angeles Lakers.  

E se você acha que ele era campeão apenas nos esportes, em 2018, Bryant venceu o prêmio Óscar de “Melhor curta-metragem de animação” pelo filme Dear Basketball.

Infelizmente Kobe faleceu, aos 41 anos, em 26 de janeiro deste ano quando o helicóptero em que estava caiu na cidade de Calabasas, nas cercanias do Condado de Los Angeles. Certamente a trajetória dele inspirou e seguirá inspirando muita gente por muitos e muitos anos. Kobe sempre foi um exemplo de perseverança, sempre buscando melhorar. Por isso, se você lembra do Kobe em quadra, vai adorar ouvir essa primeira frase que selecionei dele, que fala sobre melhoria constante! Ouça só.

“Minha filosofia era muito simples. E é aqui que acho que um filme teve uma grande influência em minha vida. Rudy foi um dos meus filmes favoritos durante a infância. Depois de assistir aquele filme, entendi que se eu trabalhasse tão duro todos os dias, considerando também o fato de ser abençoado com as forças físicas que tenho, como seria minha carreira? E fiz uma promessa a mim mesmo, desde aquele dia, que iria trabalhar tão duro todos os dias para que quando eu me aposentar, eu não me tenha nenhum arrependimento. E isso foi o mais importante para mim, não deixar nada ao lado, melhorar a cada dia. E se eu viver assim, com o tempo, eu conseguiria algo incrível. Essa era minha filosofia. Parece muito simples. Mas se você vive sua vida melhorando a cada dia, e você faz isso por 20 anos, quero dizer, imagina o que você vai conseguir?”

Sabia que a morte improvisa e dramática do Kobe Bryant também o tirou de uma carreira super promissora como investidor e empresário?

Pois é, além de ter sido um dos mais importantes jogadores da história da NBA, e talvez do esporte em geral ao ganhar 5 campeonatos e participando da seleção All Stars em 18 temporadas das 20 que ele jogou, o Black Mamba, como também é conhecido, ele também estava criando um império nos negócios.

Em 2013 ele criou o fundo de investimento Bryant Stibel, com o fundador da Web.com, Jeff Stibel. A Bryant Stibel investiu em companhias como a Dell, Alibaba e Epic Games, a criadora do Fortnight. Com certeza demonstrou ter bastante assertividade!

Ele também investiu em Body Armour, uma empresa de drinks energéticos na qual a Coca Cola também investiu para competir contra a Gatorade, que é da Pepsi, e também fundou a Granity Studios, uma empresa de mídia.

Ele disse famosamente em uma entrevista para a ESPN, em 2017, que “cansei de dizer as pessoas que amo os negócios quanto amo o basquete, porque elas me olham como se tivesse 3 mãos”, e o conhecido investidor da Silicon Valley Chris Sacca já disse que nunca viu alguém com a mesma ética de trabalho dele. E aqui que chegamos a ponto central dessa discussão: o que podemos aprender a partir da disciplina dos atletas, e aplicar aos negócios?
Porque admitamos, nos negócios nós não pensamos tanto em melhoria contínua, mas mais de forma rotineira e estável. Mas os esportes nos demonstram que podemos treinar nosso físico e nossa performance física para constantemente melhorar…porque nos nao poderiamos fazer isso com nossas capacidades cognitivas também, e consequentemente impactar positivamente nossos negócios?

Tem 2 ex- Navy Seals, ou seja membros das forças de elite do Exército Americano, que hoje se tornaram criadores de conteúdo e são super fortes no Youtube, e autores de livros ótimos. Por um lado o David Goggins, que conta 3 milhões de seguidores no Insta, é corredor de ultramaratona americano, e triatleta, e que se parece mais novo que eu aos 45 anos.

O outro é o Jocko Willink, que eu já conhecia antes que se tornasse muito famoso por ele ser conhecido na comunidade do jiu jitsu, e que hoje é um dos maiores Podcasters do mundo com o Jocko Podcast, onde fala muito de disciplina. Ele até chega a declarar uma derrota o fato de adiar o despertador do seu alarme e que isso pode afetar todas as áreas da sua vida, pois é uma concessão que você faz a si mesmo e perde a disciplina. Pois bem, aqui eu admito que faço parte dos derrotados e que as vezes acho esses conselhos exagerados, mas devido ao fato que o Jocko é um brutamonte assustador, eu nunca teria a coragem de contar isso pra cara dele por medo de um esporro daqueles…

Recomendo acompanhar os dois, mas quero contar mais agora sobre o David Goggins. Ele tem essa frase onde recomenda “fazer algo que nos faça sentir desconfortáveis todo dia”.
Pense bem: ao final, é isso que o Kobe disse na frase dele! Porque se pensarmos bem, essa é única forma de melhorar 1% por dia…sem sair da zona de conforto, isso não é possível. Esse é o motivo pelo qual atletas colocam sempre metas mais ambiciosas para poder se puxar fora da zona de conforto em seus treinos.

Quando eu era adolescente, na Itália, fazia atletismo e cheguei a disputar campeonatos nacionais de corrida de meio fundo. É aquela combinação matadora de velocidade e distância que tem em corridas como 800 metros, 1000 metros ou 1500…era ai que eu competia, e eu lembro ainda as inúmeras tardes de inverno passadas na pista de atletismo de Celle Ligure com meu treinador, Giorgio Ferrando, me puxando a ser melhor a cada vez mais.

E tinha uma marca que para mim era imbatível: descer abaixo dos 3 minutos nos 1000 metros. Só para ter uma ideia, o recorde mundial nos 1000 metros hoje é 2.11.96 do queniano Noah Ngeny, o que eu acho bizarro. Mas enfim, eu não conseguia descer de 3 minutos, e sempre ficava na casa dos 3.10-3.11. Sempre almejava esse objetivo, e tentava melhorar meu tempo de 10 ou 11 segundos de uma vez, o que era algo que eu não conseguia nunca. Mas o meu treinador Giorgio buscou um caminho diferente: ele começou a me cobrar por 3.09, e não mais 2.59. E quando eu atingir, ele me cobrava por 3.08, e assim por diante. Admito de forma honesta, até hoje não consegui descer da marca dos 3 minutos, mas com certeza progredi muito mais melhorando um pouco a cada dia, do que almejando algo ambicioso mas difícil de atingir.

Isso é um pouco o conceito de Marcha das 20 Milhas do Jim Collins, para quem não ouviu ainda o episódio 7 do Metanoia Lab, recomendo ouvir.

E sabe qual o maior obstáculo a essa melhora constante que os atletas sabem obter, através do treino, muito melhor do que pessoas de negócio? É uma palavração que começa com P e termina em ação, mas já adianto que de ação não tem muito: é Procrastinação, acertou. Pense bem, se os atletas pudessem simplesmente decidir que não estão com vontade de treinar hoje, e deixam isso para amanhã. Bom, nem é preciso meses disso mas semanas só, para que esse atleta perca seu emprego. Mas pense bem: quantas vezes fazemos isso nos negócios? Acontece todos os dias. Empurramos relatórios com a barriga, dizemos “isso hoje não vai dar, fica para amanhã”constantemente, como se estivéssemos começando uma dieta que nunca começa, e ficamos navegando perdidos na internet apenas para preencher o tempo quando nos sentimos desmotivados. O que faz parte, tá, mas ao mesmo tempo pense no senso de culpa que isso nos dá, e também em como isso sabota qualquer tentativa de evoluirmos todo dia, como o Kobe pregava.

Mas a pergunta que não quer calar é: porque os atletas são tão bons nisso, e quais são as razões que, inclusive, muitas vezes atletas se dão bem nos negócios?

Primeiramente, atletas tem o que pode ser chamado de “mindset de atleta”, que nasce justamente de anos de duro trabalho e trabalho em equipe (dependendo do esporte), e que os faz mais fortes mentalmente, resilientes, tolerantes a derrota, e estratégicos em relação ao jogo. Considerando que negócios é um jogo, sim. O que contempla esse mindset?
Primeiro, de “show up every day, no matter what”, ou seja de dar tudo todo dia independente das circunstâncias. Um jogador de basquete, Carl Ripken, que detém o record por mais jogos jogados consecutivamente, com 2632 jogos, disse famosamente que independente das circunstâncias ou dos infortúnios, ele jogava porque “todo dia poderia ter sido o melhor jogo dele”.

Segundo, de aceitar as derrotas como parte do processo de evolução. Um atleta, se confrontando com os oponentes de forma clara constantemente, já sabe que derrota faz parte do jogo, e isso é algo que nos negócios já não é tão aceito.
Terceiro, comemorar pequenas vitórias mas sempre estar prontos para o próximo oponente.
Com esse mindset do atleta, você tem grandes empresários e pessoas de negócio.

Pelo menos por 7 razões principais, que é importante que você sempre considere na hora de contratar pessoas com background de atletas:

1 – eles costumam perseverar, e não desistir;
2 – são bons na gestão do tempo, pois sempre tiveram que balançar agendas bem complicadas de treinos e competições com as outras atividades.
3 – como já falamos, aprendem com fracassos.
4 – se responsabilizam, e não terceirizam suas responsabilidades, por estar acostumados em fazer parte de times.
5 – eles priorizam o time diante do indivíduo, e até deles mesmo.
6 – estudam o jogo de forma estratégica, buscando formas de evoluir sempre.
7 – sabem tolerar críticas, pois certamente já as receberam em suas carreiras de atletas.

Já tive vendedores em minhas equipes do Groupon que tinham zero ou pouca experiência comercial, mas que já foram atletas no passado em variadas disciplinas, e logo menos performaram melhor que os vendedores mais antigos.

Isso é sempre o caso? Obviamente não, mas precisamos sempre levar em consideração esses pontos positivos de atletas na hora de contratar ou montar nossos times. Será que esse episódio já te deu o incentivo a treinar ainda mais o seu corpo, além óbvio da sua mente, coisa que o Metanoia Lab tenta fazer? Não sei, espero que sim, mas tenho certeza que sim te incentivou a buscar se melhorar todo dia daquele 1%, que, como disse e fez o Kobe Bryant, deixou um grande legado.

E é sobre legado que justamente o Kobe nos vai falar agora, nessa próxima frase. Ouça só.

“Acho que a definição de grandeza é inspirar as pessoas ao seu lado. Sabe, acho que a grandeza é ou deveria ser isso, não é algo que vive e morre com uma pessoa. É como você pode inspirar uma pessoa para então inspirar outra pessoa que então inspira outra pessoa? E é assim que você cria algo que dura para sempre. E eu acho que esse é o nosso desafio, como pessoas, é descobrir como nossa história pode impactar outras pessoas e motivá-las de forma a criar sua própria grandeza. Há uma citação de um dos meus professores de inglês, na escola Low Merion chamado Sr. Fisk, que tinha uma ótima citação que dizia: “Descanse no final, não no meio.” E isso é algo que eu sempre vivo, não vou descansar. Vou continuar pressionando. Não tenho muitas respostas, mas não tenho nem muitas perguntas. Mas vou continuar.”

Quem já leu o livro Hagakure, livro escrito por Yamamoto Tsunetomo, samurai japonês nascido em 1659, que é um compilado dos tradicionais códigos guerreiros dos samurais (o Bushido)? Você já entendeu que sou um fanático da cultura oriental, certo? 

Bom, o Hagakure no código do Samurai se fala muito da morte : a frase mais famosa da obra é “o caminho do guerreiro é achada na morte”, e se chega a dizer de “manter em mente a morte a toda hora”. 

O livro explica a ideia atrás da necessidade dessa contemplação constante, ou seja que se você se dá conta que a vida que você tem hoje não tem a certeza do amanhã, você tem a sensação que tudo acontece pela última vez – assim você não pode deixar de ser extremamente atento ao que acontece ao seu redor. 

É duro falar de morte, eu sei, ainda mais no momento que estamos passando. 

Mas uma pergunta que eu gosto de me fazer, de vez em quando, meio que resgatando esse espírito de samurai para medir o legado que estou deixando, é: “Se eu morrer hoje, qual o meu legado?”. Ou uma variação dela poderia ser: “Se eu morrer hoje, pelo que vou ser lembrado?”. 

Pense bem: o Kobe era um cara super bem sucedido, pai de família, saudável, admirado e respeitado, mas a morte o surpreendeu de forma repentina, e trágica. Se ele não tivesse construído um legado tão importante, a morte dele não teria criado uma comoção desse tamanho. 

Inclusive, o legado dele não é apenas positivo, mas temos que lembrar que ele teve um caso importante de violência sexual que traz sombras sobre o legado dele. 

Porque eu me faço essa pergunta, de “se eu morrer hoje, pelo que vou ser lembrado?”. 

Porque como todo mundo, e tenho certeza que você também, estamos em uma busca incessável de significado.  De porquê estamos aqui, do porquê fazemos o que fazemos, na vida e no trabalho. 

O filósofo franco-argelino Albert Camus, um dos pais do existencialismo, dizia que a vida é absurda. Quem não concordaria com ele, nesse momento de grandes incertezas do mundo do Covid-19? 

E isso é devido a uma série de coisas, mas principalmente ele aponta 3 motivos: o primeiro é que nossa vida está cheia de perguntas que não tem respostas. Inclusive as perguntas que fiz anteriormente, de “porque estamos aqui”, “qual nosso propósito”, afinal nos atormentam ao longo da vida toda pois elas não tem resposta intrínseca ou demonstrável.

O segundo motivo é que nossa vida é uma repetição constante, quase como se fossemos Sísifo, que na tradição da Grécia Antiga, sendo um dos maiores ofensores dos Deuses, recebeu uma terrível punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. Por esse motivo, a expressão “trabalho de Sísifo”, em contextos modernos, é empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e destinados ao fracasso. Para mim, o trabalho de Sísifo não é tão diferente do que fazemos diariamente ao tentar alcançar novos níveis em nossas carreiras, ou vida, por exemplo, e estarmos novamente insatisfeitos quando os alcançarmos, buscando sempre mais quase como se fossemos Sísifos para sempre. 

Mas o terceiro motivo que é interessante aqui, que é sobre futilidade e a insignificância de nossas conquistas. Se a gente for olhar de uma perspectiva macro, qual a importancia e relevancia de nossas vidas, e nossas conquistas? Está bem baixa, quase igual a zero, além de pouquíssimos casos de pessoas que ficaram para os livros de história. E isso é extremamente assustador, ou pelo menos é para quem quer deixar o seu legado no mundo, como tenho certeza cada um de você. 

E de tão assustador, isso nos leva a reagir diante dessa futilidade e tentar deixar legados em nossas vidas. Ou em nossos negócios. Pense bem o legado que o Steve Jobs deixou na Apple.

Ou que o Bob Iger está deixando na Disney, após servir como presidente da empresa por 15 anos.  E de inúmeros outros casos onde companhias são reflexos do líder. 

Como fazer isso, mesmo que possa ser uma faca de dois gumes, pois o quanto mais forte o legado do líder, mais difícil vai ser ajustar a cultura da empresa após ele ou ela. 

Mas é surpreendente como poucos líderes ainda pensam em como deixar um legado, ao não pensar claramente em planos de sucessão, ou ao não desenvolver os talentos necessários para que isso se concretize. 

Isso é porque não pensamos nisso, ou porque o deixamos apenas para o final. Mas isso é algo que precisamos desenvolver todo dia. 

Faça o seguinte exercício: pegue seu Curriculum, ou seu Linkedin, e faça um esforço de anotar alguns legados que você tenha deixado em cada empresa ou trabalho onde você tenha passado. Eu confesso que sinto que deixei um legado muito maior no Tinder do que na LÓreal, principalmente pelo tempo gasto na empresa, mas não apenas, e ao mesmo tempo tenho certeza que meu legado no Filmr está apenas começando a ser construído. 

Minha ideia é também deixar um certo legado com o Metanoia Lab, para que até na posteridade, pessoas possam lembrar de mim como aquele cara com sotaque italiano que trazia reflexões interessantes para seu dia a dia. 

E para passar algumas ferramentas importantes para melhor deixar o seu legado, vou passar aqui 5 passos principais a se seguir:

1 – Definir sua identidade e seus valores: você precisa estar profundamente conectado com quem você é e com o que você representa como líder. Pense de novo no Steve Jobs, de como ele vivia a própria identidade de génio intuitivo e às vezes não-racional no fundo da sua essência?

2 – Estruturar Princípios-Guia: uma vez que você identificou sua identidade e valores, como você os traduz em uma série de princípios, que criam expectativas dos outros sobre você? O Jack Welch, tradicional CEO da GE, tinha os princípios de sempre ser o número 1 ou 2 do mercado no qual as empresas do grupo atuavam, se não era melhor sair do mercado. Isso sim é um princípio claro, mesmo que possa se concordar ou menos. 

3 – Ter coragem e tomar riscos. Isso passa por as vezes colocar a sua reputação na reta, e ser vulnerável, mas só assim você consegue se destacar da maioria e construir um legado mais forte ainda.

4 – Ter interesse genuíno em Ajudar os Outros a se desenvolver. De novo, você precisa ajudar os outros a se desenvolver para que eles possam fazer o seu legado continuar a viver. Pense bem, se você for um líder duro e teimoso, a primeira coisa que seus sucessores vão querer fazer será mudar muitas das escolhas que você fez sozinho, sem consultar eles.

5 E por último, assumir suas responsabilidades e ser cobrado por isso. Construir um legado se baseia no entendimento que você é responsável por desenvolver os seus sucessores, e criar o seu legado. Isso simplesmente não acontece de um dia para o outro!

Agora, com esses pontos você consegue construir um legado importante que vai sobreviver sua trajetória na empresa. Tendo essa mente de samurai que não teme a morte, mas que a respeita por ser um combustível para deixar um legado. 

E já que estamos falando de samurais e Japão, tem uma outra grande prática que o Kobe fazia diariamente para melhorar sua performance, e afinal, a sua vida… e essa era a meditação. E é disso que o Kobe nos fala no próximo audio. Ouça só. 

“Eu medito todos os dias, medito todos os dias de manhã e faço isso por cerca de 10 a 15 minutos, e acho que é importante porque isso me prepara para o resto do dia, isso me ajuda. É como se tivesse uma âncora, e se eu não fizer isso, sinto que estou constantemente perseguindo o dia, em vez de ser capaz de controlar e ditar o dia. Não que você esteja comandando o que está por vir, mas o fato de que estou definido e pronto para o que vier em meu caminho. Tenho calma sobre tudo o que aparece em meu caminho e equilíbrio, e isso vem de começar a manhã com meditação.”


A minha mente não para.

Ela fica pensando o tempo todo, está sempre inquieta, e isso não é necessariamente bom. Óbvio, isso dá vida a inúmeras ideias no dia a dia, e é a fonte de vários projetos, como o Metanoia Lab, por exemplo. Mas ao mesmo tempo quem é assim, sabe que isso gera taxas de ansiedade e estresse mais altos que a média, e um grande cansaço.
Ao mesmo tempo, te tira do momento presente e consequentemente tua atenção, teu foco, e tua capacidade de reação sofrem com esse devaneio constante da mente.
Realmente eu precisaria de umas sessõezinhas com o George Mumford.

Quem é ele?

O George Mumford foi o psicólogo esportivo e coach de meditação primeiro do Michael Jordan, nos anos onde ele e os Chicago Bulls nos anos que eles ganhavam tudo, e depois ele foi do Kobe Bryant. Nada mal, né?

Ele disse, no podcast 10% Happier do Dan Harris, que ele tem 2 abordagens principais no vestiário. Por um lado ele fala da mente do Samurai, de atitude guerreira deles, mas por outro lado ele resgata o conceito de estar no flow, ou na “zone” como também costuma chamar.

O que é a “zone”? Afinal é aquele lugar, obviamente não é um lugar físico, mas onde a sua mente está totalmente imersa no momento presente. Isso leva a maior foco, mais atenção, mais reatividade, e menores taxas de ansiedade e estresse devido a pensamentos relacionados ao passado ou ao futuro.

No caso do Mumford, ele ajuda os jogadores a alcançar isso através variadas técnicas, mas particularmente através da respiração: ele chega a ter até uma prática de respiração sincronizada entre todos os jogadores do time, chamada “one breath, one mind”, ou seja “um respiro, uma mente”, onde todo mundo respira juntos de forma sincronizadas para “se tornar um time só”.
Bom a verdade é que afundar no momento presente, igual você ter uma âncora que te prende a ele, resgatando a metáfora que o Kobe usou, é fundamental, e meditação é apenas uma das formas de alcançar isso. Tem outras, e muitas vezes acontece quando está fazendo aquilo de que mais gosta. Pessoas entram em fluxo dançando, cantando, correndo, praticando esportes, desenhando, pintando, escrevendo, como no meu caso, meditando e até trabalhando – para os líderes mais workaholics.

Quando você faz aquilo que mais gosta de fazer, tem mais motivação, se concentra com mais facilidade e fica tão profundamente envolvido e absorvido na atividade que nem percebe o tempo passar. Nesse momento, você não pensa em mais nada, não pensa nos problemas que ocorreram antes, nem no que terá de fazer depois: fica inteiramente focado no presente. O lado bom disso tudo? Nem precisa ser apenas algo que goste. Pode ser algo. Apenas. Como uma faxina, por exemplo, já que estamos todos em casa (por enquanto!).

Não acredita?

Pois bem. Nesses dias de quarentena, em busca de releituras interessantes na estante da minha casa, me deparei com o livro “Manual de limpeza de um monge budista”, do Keisuke Matsumoto, publicado pela Editora Planeta. A obra me chamou a atenção por dois motivos principais: primeiro porque estou, sim, precisando de dicas de faxina nessa quarentena (só de olhar a pilha de pratos sujos acumulados na pia já tenho vontade de chorar). Mas também porque ele contém várias pérolas sobre como podemos viver melhor a plenitude de cada instante. Ao folhear suas páginas, me deparei com o seguinte trecho:
“Nunca deixe louça para lavar ou a cama para arrumar”.

Peraí, ele está falando comigo? Como ele sabe disso?.

“Postergar para amanhã o que deve ser feito hoje torna o espírito indolente (..) Remove-se a sujeira para limpar os desejos mundanos. Assim, cada segundo de faxina é pleno de significado. Uma vida simples permite voltar-se para dentro de si e concentrar todas as energias em cada instante”.

Bom, era o que precisava ouvir. Ou, melhor, ler.

Corri para a cozinha, molhei a esponja e posso dizer que nunca limpei pratos com tanta paz no coração. E, como em um templo sagrado, que nada mais é do que a representação de nossa vida, em um momento da história onde perdemos a “certeza do futuro”, e as referências do passado, o que mais conta é o aqui.

Agora.
Você.

Mas admitamos, meditação é provavelmente a forma mais bem sucedida. Mesmo que seja a coisa mais simples do mundo, pois você apenas precisa sentar, e respirar fundo, é também ao mesmo tempo a coisa mais dificil do mundo, pois o desafio é de esvaziar a cabeça enquanto está meditando…mas tenho certeza que você já experimentou meditação, e que pensamentos pipocam constantemente na sua cabeça.

Se você estiver meditando de manhã, assim que acordar, provavelmente vão surgindo todas as tarefas do dia uma a uma tentando te tirar do eixo, junto com as preocupações que elas te trazem.E se estiver meditando a noite, tenho certeza que passa um filme na sua cabeça de tudo que aconteceu durante o dia, carregando consigo as dúvidas, recriminações, e reflexões sobre suas escolhas e ações.

Mas isso é normal! Gentilmente, na mesma rapidez que os pensamentos chegam, nos devemos convidá-los a sair, e continuar a respirar profundamente.

Eu comecei a buscar formas de acalmar minha mente quase dez anos atrás, durante o meu mestrado em Relações Internacionais na Johns Hopkins, nos Estados Unidos, onde meu estresse estava ficando incontrolável, e isso estava impactando negativamente todas as áreas da minha vida. Foi aí que entre um experimento e outro em estudos de meditação, me achei durante uma prática do Budismo Zen, que nunca mais abandonei.

Assim que mudei para o Brasil, em BH, encontrei um lugar de meditação no Templo Budista do Gustavo Mokusen, um ser humano incrível que realmente deu uma virada de chave na minha prática, e que frequentei por alguns anos. No Rio de Janeiro, encontrei o templo Eijinji do Monge Alcio Braz Soto, em Copacabana, e de vez em quando vou lá para praticar o zazen, como também é chamada a meditação Zen. Menos do que eu gostaria, é verdade, assim como medito menos que eu gostaria, por menos tempo que eu gostaria. Mas sempre gostaríamos ter, fazer e ganhar mais do que gostaríamos, não é?

É por isso que me conformei, e estou satisfeito com o que consigo, tentando estar centrado no momento presente enquanto escrevo esse texto, até. Escrever os roteiros do Metanoia Lab de alguma forma é minha prática diária de meditação.

Frequentemente nós contamos a desculpa que “não tenho tempo para meditar”, não é? Mas a verdade é que podemos meditar mesmo que 1 minuto, e já podemos notar um impacto em nossa vida. É apenas o fato de tomar a iniciativa e cuidar de nossa mente, que já traz a recompensa. É até por isso que no Zen, aplicativo de meditação do qual sou investidor, que temos um programa de meditação de 21 dias onde começa no primeiro dia com 1 minuto de meditação, e a cada dia aumenta de um minuto, até chegar a 21 minutos de meditação. A verdade é que você não tem desculpas por não começar…experimente e me conte!

para encerrar esse episódio do Metanoia, eu quero usar mais uma frase do Kobe em que ele diz: “Depois de saber como é o fracasso, a determinação persegue o sucesso.”

Eu vou ser bem sincero, tá? Toda história de sucesso precede de um fracasso. Caso você saiba de alguma que deu certo de primeira, desconfie. Mas também não quero romantizar o fracasso. Na verdade, a ideia aqui é colocar no pódio a importância da consistência, da tentativa, de correr atrás do objetivo e não desanimar. Inclusive, vou usar uma outra frase do Kobe para complementar o meu pensamento, em que ele diz: “Vaias não bloqueiam enterradas.”

E é exatamente isso. Eu sei que as vezes nos sentimos no meio de uma arena, com um medo de enfrentar os desafios e de se expor para uma plateia que pode te apoiar, mas também te criticar. Falamos disso no episódio da Brené Brown, inclusive. Quem é #MetanoiaLover sabe.

Por isso, como exercício, quero que você se imagine como um atleta que pode decidir a final de um campeonato. Imagina que você vai cobrar o último pênalti que pode te dar o campeonato e você tem uma multidão de pessoas que podem te idolatrar ou te julgar.

Você vai estar sob pressão, mas o resultado final depende de você. O título desse campeonato e o dia-a-dia é basicamente a arena, a quadra. A multidão é o reflexo de todas as pessoas que conhecemos e que temos medo de nos mostrarmos vulneráveis. A questão é, o que você iria fazer para não sentir a pressão, bater o pênalti e levar o troféu da felicidade para casa? O que te ajuda mais nesse contexto?

Reflita nisso como dever de casa, e me conte.

Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade de até 1 minuto, se apresentando no começo. As melhores respostas irão estar no podcast. Qualquer ideia, dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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