PODCAST

Jorge Paulo Lemann: tomada de riscos, cultura de empresa e educação, comentados por Andrea Iorio.

"Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno."

Jorge paulo lemann

Jorge Paulo Lemann é um bilionário brasileiro, sócio-fundador  da AB Inbev, maior cervejaria do mundo e do fundo 3G Capital. 

Filho de pais de origem Suíça, Lemann nasceu no Rio de Janeiro e se formou em economia na faculdade de Harvard e, só um parênteses, um fato super curioso sobre ele é que no primeiro ano de faculdade, ele se considerava um dos piores aluno. E um dos principais motivos por isso ter acontecido é que ele morria de frio e sentia muita saudades da praia, além de não estar acostumado a estudar e nem a escrever muito.  De acordo com Lemann, ele só Pensava em ganhar o próximo torneio de tênis e pegar ondas maiores, e Harvard acabou abrindo os seus horizontes. Tendo que ler coisas que nunca tinha lido e conviver com alguns dos alunos mais inteligentes do mundo, deram outra perspectiva para ele.

Perspectiva essa que muito depois da conclusão da sua faculdade, fez com que Lemann, além de entusiasta do Tênis, se tornasse também um grande entusiasta da educação, se tornando idealizador três entidades filantrópicas: Fundação Estudar, Fundação Lemann e Instituto Tênis.

Agora, passado Harvard e a fase estudantil de Lemann, acho que podemos afirmar que a trajetória de sucesso dele é irretocável e repleta de coragem, baseada em um ciclo incessante de aprendizados, afinal, o resultado disso é o fato de hoje ele ocupar a 37ª posição dos mais ricos do mundo, com um patrimônio de R$ 54.6 Bilhões, e estar ao lado de Steve Jobs, fundador da Apple,entre as figuras que mais inspiram e influenciam a carreira dos jovens da geração Z.

A influência de Lemann nos jovens da Geração Z é resultado de muito trabalho dele e seus seus dois principais sócios, Marcel Telles e Beto Sicupira. Foi ao lado deles que Lemann ergueu um império, que comecou por criar o Banco Garantia, e investir em empresas como Lojas Americanas, e a Brahma e a Antarctica, que formariam a Ambev, que daria início ao que hoje é a maior fabricante de cervejas do mundo, a AB InBev. E, com a fundação do fundo 3G Capital, que comprou as redes Burger King, Tim Hortons, Popeyes e Heinz, esta última em parceria com, nada mais, nada menos que o próprio Warren Buffett, de quem é amigo pessoal. Nada mal, né?

Agora, pensa comigo, imagina quantidade de riscos que o Jorge Paulo Lemann teve que assumir. Sério, eu fico me perguntando da onde ele tirou tanta coragem e como conseguiu sair com êxito. Mas, por mais que eu tentasse descobrir essa fórmula de sucesso dele, a melhor pessoa para explicá-la, é ele mesmo. Ouça só ele falando sobre riscos nessa primeira frase! 

Risco é uma coisa que a maioria das pessoas tem medo. Eu considero o risco uma parte da vida. Então tem que correr risco. Se você não corre nenhum risco você não faz nada. Tem que pensar em correr risco, e para correr riscos é preciso treinar um pouquinho também. Minha sugestão é que, vocês vão treinando com um risco menor, aí depois vão para um risco maior, e cuidado para não ganhar confiança demais e fazer grandes besteiras como alguns aí que fazem. Ficam tão confiantes que fazem uma grande besteira. Mas acho que tudo tem um pouco de risco, e vale a pena tomar um pouco de risco, se não você não faz nada.”

Nos fatos, e não só nas palavras, o Jorge Paulo Lemann vive esse lema que ele costuma dizer, de que “o maior risco é não se arriscar”. Pense bem na jornada de negócios dele: em quase todos os casos, optou por situações arriscadas, em vez de confortáveis. Talvez esse seja o segredo pelo qual ele tem tanto sucesso.

Numa de suas primeiras empreitadas, no entanto, o risco o levou a ficar sem dinheiro. Ele havia acabado de voltar de uma temporada na Suíça: onde primeiro tornou-se funcionário do banco Credit Suisse, onde primeiro tornou-se funcionário do banco Credit Suisse e, depois, virou jogador de tênis profissional. Ao chegar ao Brasil, sua família queria que ele fosse trabalhar numa grande instituição financeira. Mas, em busca de mais oportunidade, Lemann escolheu trabalhar na corretora de valores Invesco, da qual era sócio com 2% de participação, mas que rapidamente quebrou. Em uma entrevista para a VEJA, ele contou: “Apesar de não ocupar nenhum cargo de direção, eu estava ali no meio e foi assustador. O fracasso foi um choque e me traumatizou. Eu achava que era o bom, formado em Harvard. Mas, com 25 ou 26 anos eu estava sem dinheiro. Foi traumático à época. Mas, pensando bem, foi bom.” Segundo o empresário, o Brasil não tinha (e ainda não tem) a cultura de aceitar o fracasso como parte do processo normal de um empresário. “Aqui não é como a Califórnia, onde quem não fracassa acha que seu currículo é ruim. Nossa cultura é portuguesa, europeia”, ele disse para a entrevista.

E eu aqui, Andrea, tenho que concordar, pois por conhecer bem Italia, Brasil, e até Estados Unidos, tem uma diferença abismal na tolerância ao risco. A Itália é super conservadora, com regulações de mercado e leis trabalhistas que refletem essa atitude conservadora e desincentivam tomadas de risco….é cultural! Esse é o motivo pelo qual as grandes empresas italianas são do passado e nasceram em um mundo pré-digital e menos competitivo. E mesmo que possa não parecer, a Alemanha é assim também. Aliás o Brasil recentemente demonstrou ter uma maior tolerância ao risco ao ponto de criar vários unicórnios nos últimos anos, entre quais Nubank, iFood, Loft e outros, e das grandes organizações não terem necessariamente muito medo de se transformar. Mas ainda é longe dos Estados Unidos, onde ainda mais na cultura do Vale do Silício, o risco é institucionalizado pelo sistema (começando pelos Venture Capitals, que são capitais de risco), é parte do processo e até recompensado. 

Agora, calma: ter apetite ao risco não é a única forma de ter sucesso. No evento Expert XP de 2019, o Guilherme Benchimol e o Lemann bateram um papo no palco principal, e até jogaram tênis, mas uma coisa interessante foi a postura diferente do Benchimol em relação ao risco. Ele disse que mesmo que possa parecer curioso, ele tem pouco apetite para o risco. Ele explicou: “É comum observar novas empresas, sem amplo conhecimento de determinado setor, começando já muito grandes. Eu prefiro começar pequeno, adquirindo know-how antes de assumir grandes riscos”, disse Benchimol.

Opa: olha aí de novo, a referência a Itália, de alguma forma. Os negócios funcionam assim por lá, pois todo negócio grande e famoso Italiano começou com essa estratégia, sem correr muito risco, ainda mais por serem negócios familiares de qual dependiam famílias inteiras. De alguma forma a Italmatch Chemicals, empresa que o meu pai fundou, começou dessa forma: em 1996 meu pai com a ajuda de um fundo de investimento italiano comprou uma planta de fósforo no centro da Itália, e a transformou de produzir fósforos, que era um mercado que estava morrendo, para produzir retardantes de chama. Foi bastante cauteloso e aprendeu mais sobre o mercado ao longo do tempo, e crescendo através de aquisições como de uma planta da AkzoNobel inicialmente, depois de uma divisão da Solvay, e hoje em dia se tornou um grupo avaliado em torno de 1 bilhão de Euros. Sem correr grandes riscos. 

 

Mas para um crescimento mais rápido, de frequente, você tem que correr riscos maiores, e aí que tem que levar em consideração o erro. Olhe para a operação que o 3G Capital fez, junto com o Warren Buffet, em 2015 ao adquirir a Kraft-Heinz: ela não acabou dando certo como esperado. A aquisição de US$ 62,6 bilhões demonstrou ser cara na avaliação de Buffett, mesmo com o valor de mercado da companhia sendo de US$ 89 bilhões na época. Além disso, a gigante alimentícia é investigada pela SEC (Securities Exchange Comission), espécie de CVM dos EUA, por questões relacionadas à contabilidade da empresa que cortaria o valor dos dividendos.

Mas isso faz parte do treino, que o Lemann, como bom esportista, sempre leva em consideração. No áudio acima, ele fala que da para treinar para risco, e mesmo que o erro da Kraft-Heinz possa ser bem caro e grande, o Lemann recomenda que para desenvolver tolerância ao risco, é fundamental errar, preferencialmente numa escala menor, e aprender, para poder tomar a melhor decisão quando a escala for maior. 

Alguém lembra do Ray Dalio, no episódio 11 do Metanoia Lab? Pra quem tiver curiosidade, ouça de novo o episódio porque é um perfeito complemento, ao ensinar como aprender com os erros.

No caso do Lemann, sua motivação para tentar melhorar veio principalmente da mãe, que, diz Lemann, se incomodava com o fato de o marido não ser muito bem sucedido nos negócios e decidiu projetar um futuro ambicioso para o filho. Seu pai, nascido na Suíça, imigrou para o Brasil na década de 1920, onde criou a fábrica de laticínios Lemann & Company (a Leco). Segundo o empresário, o pai era “boa praça, simpático, mas não era bem sucedido”. Faleceu antes de ficar rico e, sobretudo, assistir ao sucesso do filho, pois faleceu quando o Jorge Paulo tinha apenas 14 anos. 

 

Ai que ele decidiu ser mais ousado e bem-sucedido que o pai. E podemos dizer que conseguiu, não é?

Mas então nós dissemos que não necessariamente o risco é obrigatório para sucesso nos negócios, mas fica claro que é fundamental para crescer mais rapidamente. 

Tem uma frase muito legal do T. S. Eliot, que diz que “Só aqueles que arriscam ir longe demais podem saber o quão longe alguém pode ir”. 

Ou seja, não correr riscos nos vai levar para lugares que estão ao nosso alcance. 

Correndo riscos nós chegamos a lugares que não estão ao nosso alcance.

A escolha está com você, afinal, se você se conforma ou menos com o que está ao nosso alcance. 

 

E tenho certeza que você ouve esse podcast, ou trabalha duro, ou até acorda todos os dias para alcançar o inalcançável.  Agora, nós falamos que tolerância ao risco da para treinar, e que dá também para minimizar a exposição a risco. Tem inúmeras formas para fazer isso, e algumas já mencionamos. 

Mas tem uma que você não precisa acompanhar as lives do Primo Rico ou da Pugliesi que agora virou Day Trader a convite da XP, para saber, que é a estratégia de Diversificação. 

Mas vamos explicar melhor: o que isso? Essa estratégia de mitigação de risco vem do mercado financeiro, e é a técnica que permite reduzir riscos, através da alocação de investimentos entre vários instrumentos, classes de ativos, setores ou outras categorias…porque? Porque se você botar todas as suas fichas em um instrumento só, você tem uma exposição alta as oscilações deste instrumento…ou seja, botar todos seus ovos numa cesta só, e mesmo que eu não saiba se essa expressão existe em português, peguei a em inglês e a traduzi rs. De novo, diversificação não significa que você vai ganhar mais, mas apenas que você vai ter uma menor exposição ao risco.

 

E fico refletindo: como conseguimos diversificar mais em nossas carreiras, e em nossas vidas até, para tomarmos mais riscos mas de forma mais protegida?

Vou fazer o exemplo de uma reflexão que eu tenho ultimamente: eu saí da L’Oreal para me dedicar exclusivamente ao negócio de palestras, que estava crescendo muito para mim. Mas o negócio de palestras é muito variável, e tem muita imprevisibilidade e sazonalidade, e por isso tem meses incríveis e outros menos….após os primeiros meses tomando grandes riscos em termos de minhas receitas, eu fiquei pensando em como podia abrir outras frentes de receitas para minimizar o risco e me jogar ainda mais nas palestras, assumindo riscos mas porque sei que eu tenho essas receitas mensais e fixas que me garantem o que preciso. Foi aí que com a publicação do meu livro pela Editora Planeta tenho um fluxo constante, com projetos consultorias também, e até experimentando monetizações diferentes e inovadoras com esse podcast como com o pacote do Metanoia Lab for Business, que fundamentalmente é uma customização do podcast para empresas. Se tiver interesse, entra em contato comigo que conto mais. 

Mas porque quis tocar no assunto da diversificação? Porque precisamos pensar dessa forma, na vida e ainda mais nos negócios. Óbvio, isso não é possível em tudo, pois você não vai me dizer que é possível ter mais de um parceiro ou parceira em um relacionamento apenas para diversificar ou minimizar o risco de ser deixado, mas pensando de forma estratégica, isso é possível em muitas mais áreas da vida que você imagine. 

Agora, quando você internaliza essa tolerância ao risco, ela vira parte da sua cultura. E cultura é fundamental para sucesso em qualquer organização. O que podemos dizer é que o JP Lemann é mestre em criar cultura, mas de onde começou? Ouça o próximo audio então onde o JP nos conta mais sobre quais foram as fontes de inspiração da cultura dele.

Primeiro a cultura da Goldman Sachs, era que éramos próximos da Goldman, eu diria que nós aprendemos todo o legado do programa de trainee, da grande ênfase em atrair gente boa e em dar uma oportunidade para eles. Com a Goldman nós também aprendemos a cultura, naquela época o Goldman era um Partnership , ou seja, o pessoal que trabalha lá eram os donos. Lá nós também aprendemos a cultura de ownership, de ser dono. Depois nós tivemos muito contato com o Sam Walton do Walmart e nós copiávamos muitas coisas de lá. O Sam também era um copiador, copiava tudo. Tudo que ele via em outro lugar, que ele achava bom, ele copiava e com custos muito baixos. Uma operação simples tocada com o máximo de eficiência e com custos controlados. Nós sempre lemos muita coisa de Jack Welch que tocava a General Eletric , que era uma empresa muito bem tocada e bastante focada em criar gente, dar oportunidade, com controles rígidos sobre as operações. E depois mais tarde que veio o Falconi. Falconi veio quando nós já éramos donos da Brahma, que entrou com a produção racional e eficiência de produção e racionalização de qualquer coisa que se faz. E assim, a nossa cultura é um misturado dessas coisas e nós fomos adotando as melhores práticas dos outros lugares e empacotando nisso. Uma coisa aqui virou essa nossa cultura que é a meritocracia. As pessoas teriam um senso de serem donos e serem donos realmente da empresa na hora de avaliar as pessoas constantemente, de cortar custo sempre que é possível.”

Recentemente, em Agosto, estava ouvindo um episódio do HBR Ideacast, da Harvard Business Review, um dos meus podcasts preferidos, que era uma entrevista ao Carlos Brito, CEO da Anheuser Busch Inbev, que foi formada em 2004 pela fusão da belga Interbrew e da brasileira Ambev. E o Carlos é verdadeiramente um cria do Lemann, e da cultura da Ambev. 

Primeiramente, recomendou todos ouvirem essa entrevista porque foi a melhor entrevista sobre como se adaptar a crise que já ouvi, e o Carlos é um fenômeno que admiro demais. Ele é CEO da AB Inbev desde 2008, mas ele começou na Brahma em 1989, ou seja ele tem 31 anos trabalhando com o Lemann…então podemos dizer que ele sabe bastante da cultura que o Lemann falou no áudio acima, e inclusive a ajudou a moldar. 

Segundo, na entrevista ele explica perfeitamente a cultura do grupo. Ele diz que a coisa mais importante que eles tem, e em cima da qual criaram todos os princípios da companhia, é a cultura. E que a cultura da Ab Inbev é baseada em ter sonhos grandes, e aqui não é coincidência que o livro sobre a trajetória do JP Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira que inclusive tenho aqui ao lado na mesa chama Sonho Grande, em contratar as melhores pessoas mas ainda mais criar um ambiente onde fiquem, e onde tenha um ambiente de ownership, ou seja onde as pessoas se sintam donas do negócio. Onde as pessoas olhem para a companhia e digam “essa é minha companhia”.

E já que tocamos no livro Sonho Grande, tem uma parte incrível que preciso resgatar que fala justamente sobre essa parte da cultura de trainee e gente boa da Goldman Sachs, que o Lemann incorporou no Garantia. 

E é a parte onde ele explica quem são os PSDs, e porque eram tão importantes. 

Não, não tem nada a ver com PSD de Photoshop. Os PSDs eram os poor, smart e deep desire to get rich, ou seja eram pessoas pobres, inteligentes e com um forte vontade de ficar ricas que eram as procuradas para o Banco Garantia, e mesmo que hoje já não seja tanto assim, continua influenciando a cultura do grupo.

Você deve estar se perguntando, Andrea: o que você opina disso?

Eu vou contar já já o que acho disso.

Mas vamos começar com os PSDs: segundo o livro Sonho Grande, havia um tipo específico de profissional que o JP sempre procurava, e que ele batizou com esse termo. No início do Banco Garantia, ter uma educação em escolas de primeira linha ou experiência internacional não fazia parte das principais características que o JP buscava. Isso vinha realmente um pouco da cultura da Goldman Sachs, que era pura meritocracia e ainda mais com essa estrutura de Partnership, fazia as pessoas se sentirem mais donas do negócio, ainda mais porque mesmo que oferecendo salários baixos, os bônus eram muito agressivos no Garantia. E ainda tinha algo a mais: de frequente, para as pessoas com mais alto potencial, era o Lemann e os sócios que ofereciam uma instrução internacional, pagando o MBA para a pessoa. Olhe só o caso do Carlos Brito mesmo: ao chegar para a Brahma, ele foi logo menos encarregado da gerência geral da fábrica de Agudos, no interior de São Paulo, então a maior entre as 23 da Brahma. Foi considerado excelente na função e ganhou oito salários de bônus já no primeiro ano. Mas olha só como tudo começou: antes de chegar à cervejaria, Brito trabalhava na Shell e sonhava com um MBA em Stanford. 

Um dia, na cara dura, ligou para o Garantia e conseguiu agendar uma reunião com Lemann em pessoa. Disse que queria fazer o curso e precisava de US$ 22 mil. O então banqueiro topou financiá-lo, marcou aquele nome em seu caderninho e lembrou dele quando começou a comprar empresas não financeiras. Brito passou dois meses na Lojas Americanas antes de entrar na Brahma. De onde nunca mais saiu. Trabalhou em finanças, operações e vendas, antes de ser nomeado presidente-executivo do que já era a AmBev, em 2004.

Bom, vou dar minha opinião sobre esse tema de PSDs agora. 

Eu não concordo tanto com isso, particularmente com duas partes: Poor e Desire to Get Rich. Acredito que não é o fato de vir de uma família rica ou pobre que acaba fazendo tanto a diferença, mas é a humildade. Assim como acho que tem fatores que motivam muito mais do que ficar rico, e não podemos deixar de levar eles em consideração, entre os quais o desejo de aprender, evoluir e trabalhar com propósito. 

Por isso, minha versão dessa fórmula seria algo tipo HSDs, ou seja, Humble, Smart and Desire to Learn.  E é aqui que quero gastar umas palavras sobre uma pessoa que mesmo que não seja tão visível aqui no metanoia Lab, sem ele esse podcast não existiria. É o Rodrigo Lima, que inclusive não sabe que eu irei falar dele nesse episódio e acho que vai se surpreender bastante quando ele ouvir os áudios na hora da edição. 

Bom, eu e o Rodrigo nos conhecemos quando ele estagiou no Tinder. Sempre demonstrou uma criatividade muito grande, cursava Propaganda e Marketing, e conseguiu dar um toque muito legal e engraçado a nossas redes sociais. Porém, depois de um tempo, de repente, ele preferiu sair para seguir outros caminhos, e eu fiquei surpreso, e triste. Nos mantivemos contato, até que uns anos depois, quando fui eu que comecei a me dedicar a carreira de palestrante e estava montando o time da minha nova empresa, ele entrou em contato comigo pedindo dicas profissionais. 

Eu fiz dois mais dois, e aproveitei para convidar ele para um papo sobre dicas profissionais, mas também para sondar o interesse dele em colaborar comigo. Eu estava precisando de braço para alimentar minhas redes sociais, e ele já tinha se comprovado a ser bom nisso. 

Nos encontramos por um café no fim do ano passado no Rio, e logo nesse papo, uma coisa levou a outra ao ponto de fecharmos um acordo e desde aquele dia ele teria começado a cuidar das minhas redes sociais. 

Bom, podemos dizer isso sem medos e sem erro, e o Rodrigo concorda comigo: não foi uma experiência bem sucedida. Não estava funcionando por uma série de motivos, uma das quais era que eu tinha umas crenças sobre redes sociais das quais eu não abria mão, e muito provavelmente olhando pra trás, era um erro, e ao mesmo tempo o tom de comunicação do meu Linkedin por exemplo era muito diferente do que do Facebook do Tinder e por isso ele não estava encaixando da melhor forma com os meus conteúdos, e eu estava perdendo engajamento, em vez de ganhar. 

Bom, depois de ajustes, conversas, e tentativas de melhorias, chegamos a ter uma conversa muito dura – onde para ambos a única perspectiva era deixar de colaborar. Ai eu quis pegar uns dias pra refletir melhor sobre isso, e eu fiquei pensando se eu não pudesse alocar ele para outro projeto. Aí lembrei de um projeto de podcast que tinha na gaveta, mas que estava parado há tempo, chamado Metanoia Lab. 

Ai fui que eu liguei para o Rodrigo, e lhe perguntei: Rodrigo, temos uma chance só de continuarmos a trabalhar juntos. Você já tem experiência com Podcast? Não, ele respondeu. Hum, você sabe editar audio? Não, ele respondeu, mas posso aprender. Ai eu perguntei, como opção final: te interessa trabalhar em um projeto de podcast? E descobri que era um dos sonhos dele, mas que nunca tínhamos falado sobre! 

E mesmo que ele não tivesse as competências para fazer um podcast, ele demonstrou ter a vontade de aprender, e isso já valeu. O resultado? Uma transformação profissional do Rodrigo incrível, que agora já virou craque de podcasts em poucos meses, e que apenas nasceu da sua humildade, das sua inteligência, e da sua sede de aprendizado. 

HDSs, não esqueçam: humble, smart and deep desire to learn. 

Mas será que você nasceu assim, ou dá para desenvolver traços do tipo? 

Naturalmente dá sim, através da educação, mas nem só necessariamente educação formal. E sendo que o JP Lemann é um grande fã da educação e fala muito a respeito, vamos ouvir mais sobre isso no próximo audio, que é parte de um TED Talk que ele deu. Ouça só.

A maioria dos meus colegas do mercado financeiro e suas empresas desapareceram. Nós com ativos mais sólidos, mais tarde continuamos por aqui sempre prontos para melhorar inovar e tentar fazer de maneira diferente. Minha educação carioca teve algumas falhas, e como estudei em escola americana, nunca fui muito bom em ciências exatas. Faltou disciplina em geral no início da carreira e visão de longo prazo. O carioca não é um adepto de muita disciplina ou visão de longo prazo. Fui tentando corrigir isso ao longo dos anos. Em resumo acredito numa boa educação formal mas não a deixo matar o aprendizado da rua ou praia, a disposição de errar de decidir de inovar e de tentar de novo se houver uma derrota pelo caminho. Meu aprendizado carioca teve falhas mas felizmente gerou oportunidades que foram agarradas, e continuo um carioca otimista bem humorado e querendo sempre melhorar.”

O título desse TED Talk do Lemann é emblemático: 77 anos de praia. E obviamente faz referência a origem carioca do empresário, com a qual me identifico, mesmo que parcialmente, por ter passado os últimos 6 anos da minha vida no Rio de Janeiro, entre os escritórios do Tinder e da L’Oréal. 

Agora, ela é uma fala muito focada em educação, e não fala só da importância da educação formal.  Até porque como ponto de partida, temos que nos perguntar: a educação formal, está alinhada com o tipo de profissional e pessoa que o mundo atual pede? 

Acho que a resposta é meio óbvia, mesmo que existam inúmeras iniciativas que tentam transformar a educação e ofereçam caminhos diferentes. Mas se formos bem pensar, até em formatos, como através do Ensino a Distância, o mundo da educação também mudou só bem recentemente, com a vinda do Covid. Até pouco tempo atrás poderíamos dizer que provavelmente, de todas as áreas, a educação é a que menos tem sofrido alterações da revolução industrial pra cá: sala de aula com professor, matérias iguais aos dos nossos pais e até avós, provas baseadas em memorização, e quadro negro, giz, papel e caneta. E alunos fisicamente dentro dessa sala, claro.

Mas, como você já pode ter percebido, a pandemia de 2020 praticamente obrigou todas as instituições de ensino que querem dar prosseguimento às atividades dentro do calendário escolar a trazer essa sala de aula para o ambiente digital. Se ainda havia alguma escola reticente ao EAD, creio que o item “decidir entre adotar ou não as aulas online” tenha sido concluído para a maioria delas. O mesmo se aplica ao que tange a educação corporativa: até a chegada da Covid-19, eu, palestrante de transformação digital, nunca tinha ministrado sequer uma das mais de 70 palestras do meu ano de forma digital. Nenhuma! Foi em Março 2020 que comecei a entender como praticar o que eu pregava…

E é por isso que entendemos que existe um desalinhamento entre a educação tradicional, e o que o mundo pede. Isso é meio óbvio.

O que é menos óbvio é o porque?

O Sir Ken Robinson, que é um dos principais autores e pensadores sobre educação, e autor do incrível livro Creative Schools, ou seja Escolas Criativas, e um dos principais palestrantes do Ted Talk mundial, explica isso em uma ótima frase:  “Temos que migrar do que hoje é essencialmente um modelo industrial da educação, um modelo de manufatura, baseado na linearidade e conformidade e em padronizar pessoas, e mudar para um modelo que é mais baseado nos princípios da agricultura: temos que reconhecer que o florescer do ser humano não é um processo mecânico, mas é um processo orgânico, e que você não pode predizer o resultado do desenvolvimento humano. O único que pode fazer, como um bom agricultor, é criar as condições nas quais eles começam a florescer” . 

Belíssima metáfora que afinal nos explica, que o modelo de educação que temos hoje em dia nada mais é do que uma herança de um mundo das primeiras revoluções industriais, que visa padronizar.

Eu sei que essa imagem Orwelliana é meio assustadora, mas eu não acho tão distante da realidade, tá? E de novo, mesmo que a vontade já não seja mais de padronizar tanto – pois realmente acredito na boa vontade dos professores e educadores em fazer as crianças florescerem, é um modelo que é difícil, grande e caro demais de se mudar e é por isso que fica assim, ano após ano. 

Eu conheço bem o sistema educacional italiano, e mesmo que seja ótimo estudarmos os temas clássicos como filosofia, latim, grego antigo e assim por diante, que inclusive hoje agradeço ter estudado pois me ajudam enormemente no podcast, existe uma carência bizarra de educação no campo tecnológico – e não é um acaso que quando olhemos para empresas digitais e startups, o ecossistema italiano esteja bem mais atrasado a respeito de muitos outros países. 

E mais um ponto, esse modelo de educação não é inclusive, e ai já começamos a entrar um pouco no trabalho que o JP Lemann faz, com as suas fundações mas também com seus investimentos privados. Vamos lá. Fundamentalmente, de acordo com Lemann, o investimento em educação é a única forma de garantir o crescimento do país. “Não tem atalho para o Brasil crescer no longo prazo fora de oferecer uma educação de qualidade para todas as crianças. País bom é onde as pessoas têm a mesma oportunidade. É a educação é que gera oportunidade. Ele costuma dizer que “Nós temos que educar melhor todas as nossas crianças brasileiras. A possibilidade de um país competir em um mundo moderno depende da educação que dá para suas crianças. Um país que educa bem vai progredir” e Ele disse em uma entrevista para VEJA que  “É possível que o Brasil nunca vire uma Singapura, mas já seria ótimo virar uma grande Sobral (cidade cearense com bons índices de educação)”. 

E como ele faz isso?Por um lado através da Gera Venture Capital, focada em educação, com investimentos em startups, dando origem à holding Eleva Educação. Investe, também, em ONG’s e fundações, como a Gerando Falcões, que atua no desenvolvimento das periferias, e sua Fundação, uma organização familiar sem fins lucrativos, há 15 anos trabalha por uma educação pública de qualidade. 

Em parceria com diversos Governos, atua em 24 redes públicas em todo o Brasil, por meio do programa Formar. 

Segundo o artigo Quem Transformou no site da Fundação Lemann, em 2019 mais de 160 mil alunos foram impactados pelo programa e 14 mil professores foram beneficiados, e isso é muita gente. Para que possa continuar assim, transformando a educação, e sempre sem esquecer de não deixar matar o aprendizado da rua ou praia, como ele lembrou na palestra acima.

Para encerrar esse episódio, quero usar mais uma frase do Jorge Paulo Lemann em que ele fala:

“Gostamos de pessoas que andam sozinhas. Preferimos aquele profissional que nós sabemos que vai criar algum problema, porque vai querer andar um pouco sozinho e vai fazer alguma besteira até. Eu não gosto tanto daquele soldado disciplinado que só vai fazer a coisa quando tiver uma ordem.”

 

Eu escolhi essa frase porque ela fala de Auto-Motivação. Poderia também falar determinação e coragem. Mas acho que a Auto-motivação faz com que você, sem perceber, se torne uma pessoa determinada o suficiente para ter a coragem de seguir um caminho, ainda que só, e que possa não resultar no sucesso. Mas pense, justamente por ser só, alcançando o sucesso, o impacto dele vai ser maior do que você pode imaginar. E nem sempre o sucesso vem na primeira tentativa, como já falamos aqui, mas com certeza as pistas que a sua solitária caminhada deixarão, ajudarão a solucionar muitos problemas.

Você tem medo de caminhadas solitarias? O que você precisa para seguir uma caminhada solitária ao invés de apenas cumprir tarefas que foram delegadas a você? E, caso você já tenha tido uma caminhada solitária, o que te motivou a fazer isso e quais foram as consequências disso? 

Se você quiser dividir um pouco do que viu pelo trajeto conosco, eu vou adorar saber!

 

Reflita nisso como dever de casa, e me conte. 


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Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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