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Elon Musk: pensamento crítico, produtividade, e sistema límbico, comentados por Andrea Iorio.

"Quando algo é importante o suficiente, você o faz, mesmo que as chances não estejam a seu favor."

ELON MUSK

Elon Musk é de Fundador, CEO e CTO da SpaceX que aliás, fez história no último dia 30 de Maio, ao realizar o lançamento do primeiro foguete tripulado dos EUA em nove anos.  Ele também é CEO da Tesla Motors; vice-presidente da OpenAI; fundador e CEO da Neuralink; e co-fundador e presidente da SolarCity. Ou seja, ele faz um monte de coisa ao mesmo tempo, e inclusive ele foi quem criou a X.com, empresa que futuramente se tornaria a PayPal. Foram anos turbulentos, inclusive de muitas brigas com os outros fundadores, mas podemos considerar ele parte da PayPal máfia, certamente. Ah, e no meio disso tudo ele acumulou uma fortuninha: hoje ele é a trigésima primeira pessoa mais rica do mundo, com um patrimônio estimado de 41 bilhões de dólares.  

Se você, assim como eu, ficou cansado só de imaginar a quantidade de frentes e a responsabilidade que o Elon Musk enfrenta diariamente, a melhor forma de tentar entender como ele gerencia isso tudo, só pode ser através dele mesmo! Por isso, hoje as frases dele que eu vou analisar tem temas como capacidade de resolver de problemas, sistema límbico e pensamento crítico, que inclusive, é  a primeira frase do episódio de hoje! Escuta só!

“As pessoas não têm suficiente pensamento crítico. Quero dizer, esse pensamento crítico é uma habilidade escassa, onde as pessoas acreditam que muitas coisas são verdade por parecerem que são verdadeiras, mas sem base suficiente. Portanto, é muito importante que as pessoas analisem de perto o que é supostamente verdade e tentem construir essa verdade. Tente dizer; “vamos analisar as coisas a partir dos primeiros princípios, não por analogia ou por convenção.” Se você acha que as coisas são verdadeiras por convenção, que é realmente o que a maioria das pessoas faz, é difícil ter ideia de como as coisas podem ser melhoradas.”

 

Já estou imaginando quem tem crianças pequenas em casa durante essa quarentena, se identificando e fazendo “sim” com a cabeça, com o que estou para dizer. Estudos mostram que crianças de 4 ou 5 anos fazem em torno de 100 a 300 perguntas por dia. AHAM. Vai ter pais e mães aqui entre os ouvintes quem vão dizer que não precisa de estudos para comprovar isso, né?

Bom, pode parecer que fazer perguntas nessa idade seja uma brincadeira de criança, mas não é: elas são o sinal de um nível de raciocínio complexo, porque primeiramente requer um entendimento do que a gente não sabe e, em seguida, um esforço de fazer algo para compensar isso. O esforço da dúvida é inclusive mais fácil do que os outros, porque ativa regiões do cérebro ligadas aos sistemas de recompensa. Trata-se de um tipo de pensamento elaborado que nem mesmo as máquinas podem realizar, o que faz com que, no mundo da transformação digital, uma criança na primeira infância exerça melhor o pensamento crítico do que a Inteligência Artificial. Afinal, o raciocínio humano não é apenas combinar logicamente o conhecimento existente para chegar à solução ou à crítica de um problema. É também raciocinar além do próprio universo de repertórios e criar uma nova forma de conhecimento. 

A a verdade é que essa carência de pensamento crítico que o Elon Musk menciona no vídeo, é maior nos adultos do que em crianças.

Olha só a história da Polaroid, que começou com essa pergunta boba: “Posso ver agora a foto que você acabou de tirar?” Jennifer Land, de apenas 3 anos, fez essa pergunta ao seu pai durante uma viagem. E isso mudou o rumo da indústria de fotografia. Era 1944, e ele não soube como responder. E decidiu inventar a tecnologia para fazer isso. Foi assim que nasceu a Polaroid, fundada pelo Edward Land, o pai da pequena Jennifer. 

Algum adulto, ou expert, teria feito aquela pergunta? Óbvio que não. Porque simplesmente não existia a tecnologia para revelar fotos instantâneas na época, e por isso qualquer adulto ou não teria pensado nessa possibilidade, ou simplesmente teria tido vergonha demais em pensar em algo tão estúpido. 

Nós teríamos pensado “se A, então B”, ou seja, “se não tem nenhuma tecnologia para isso, significa que não tem como fazer porque alguém já testou”, ou “se eu vou tentar, vou fracassar porque todo mundo fracassou até agora”, e assim por diante. 

O problema? É que essa equação não aplica em muitos casos. Talvez, na maioria ainda mais em um mundo complexo e em rápida mudança. 

O primeiro motivo é que não temos controle de todas as variáveis. 

Mas o segundo e o principal motivo é que a dedução lógica funcionava em um mundo linear e não necessariamente mais em um mundo exponencial.

Ou seja, Cartesio está errado. 

Não, não sou apenas eu que digo isso, mas o Antonio Damasio, neurocientista e escritor português que adoro e que deu esse título a um livro dele. 

Porque Cartesio que é o nome latim do René Descartes, filósofo, físico e matemático francês  nascido em 1596  e falecido 1650 em Estocolmo na Suécia  está errado? O que ele fez, tadinho?

Bom, foi ele que famosamente disse “cogito ergo sum”, que em latim significa “penso, logo existo”, e com isso deu vida ao pensamento racional da Idade Moderna, e de alguma forma o pensamento científico. Que por um lado é ótimo, porque ele inclusive introduziu o elemento da dúvida no processo científico, mas que por outro lado deu vida ao pensamento da dedução lógica, que já não aplica mais. 

Como funciona isso? Na pratica funciona assim: uma vez convidei um colega de trabalho para treinar jiu-jítsu comigo e ele se assustou quando soube que esse é um dos meus esportes favoritos. Afinal, ele havia usado o método de dedução para chegar a algumas conclusões sobre o esporte e as pessoas que o praticam – de fato é um esporte que infelizmente ainda sofre bastante preconceito. Tínhamos um colega em comum, que vou chamar aqui de Pedro, que também luta. Pedro tem uma personalidade forte e às vezes é briguento. E, a partir dessas afirmações, o meu colega usou o método dedutivo. Afinal, segundo a sua lógica. Pedro luta jiu-jítsu. Pedro é briguento; logo. Todo mundo que luta jiu-jítsu é briguento.  Ou pense na seguinte frase, em um contexto corporativo: uma pesquisa mostra que 82% dos entrevistados preferem tênis pretos. De posse dessa informação, um analista do seu time concluiu durante uma reunião que precisavam logo lançar para o mercado um modelo novo de tênis preto. O pensamento foi baseado em afirmações verdadeiras, mas o raciocínio estava equivocado.  As pessoas que costumam pensar mais criticamente procuram criar e validar hipóteses e não se atentam tanto para as afirmações. O pensamento crítico é preenchido por questionamentos que ajudam a dar dimensão dos cenários complexos.

No caso da afirmação de que 82% dos entrevistados preferem tênis pretos, poderíamos pensar em algumas questões que podem estar por trás dessa frase. Por que preferem pretos?Nossos clientes fazem parte dos 18% que não preferem a cor preta? Quantos dos nossos clientes estão representados nesse universo majoritário? Temos que optar por um tênis de apenas uma cor ou podemos ter várias? É possível destrinchar melhor essa afirmação antes de tomarmos qualquer decisão? 

O jornalista americano Henry Louis Mencken: “Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada” . 

E o Elon sempre presta muito atenção a não cair nela. O Elon Faz isso, ao ir a fundo e pensar, resgatando seus estudos de física, em princípios e em evidência empírica, em vez do que dedução lógica, analogia ou por convenção. 

Porque se ele tiver pensado por analogia, ele nunca teria feito Tesla, ou Space X, porque se ele tivesse olhado para o que estava acontecendo ao seu ao redor, ele apenas teria visto imagens de vários foguetes explodindo! Foi isso inclusive que um amigo dele lhe mandou, um compilado de foguetes explodindo, para dissuadi-lo de investir o próprio dinheiro na exploração espacial privada…mas ele foi lá e fez.

O pensamento crítico é a semente da inovação. 

Tem uma pitada de loucura ao desafiar o status quo das coisas, mas ao final entre vários erros, tem enormes recompensas. Quero contar o caso do Filmr, app onde sou co fundador junto com Fernando e Ricardo Whately Mattar.

Em um mercado onde todos os apps de edição de vídeos seguiam um padrão horizontal, herdado dos softwares de edição de desktop, o Filmr se propôs a desafiar o status quo ao acompanhar uma tendência bem mais recente, que vem se fortalecendo com o Instagram Stories, o IGTV e outros – a edição vertical de vídeos. De fato, o Filmr é um editor mobile 100% vertical, que facilita a edição de vídeos diretamente no celular, em um propósito de democratizar a criação de vídeos de qualidade cinematográfica para todos, diretamente no próprio celular. E por que isso é relevante? Porque o app foi pensado para uma melhor usabilidade, partindo do ponto de vista do usuário. 

Se a gente tivesse olhado por analogia ou convenção, teríamos brigado com outros apps de edição no formato horizontal, e estaríamos sem vantagem competitiva. 

E olha que simples: foi só virar a tela e dizer: como poderíamos fazer diferente?

Isso foi o que a pequena Jennifer fez ao final no caso da Polaroid. 

E sabe porque criança faz mais perguntas do que adulto? Porque nós crescemos em ambientes educacionais e corporativos que nos recompensam por trazer respostas, não perguntas. Quando a gente reverter isso, e recompensar perguntas em vez do que olhar de cara torta quando alguém nos questiona ou questiona nossos líderes durante a reunião geral da empresa, conseguimos trazer o pensamento crítico para nossas organizações, e nossas vidas.

E é com isso que a gente consegue abordar problemas complexos, e resolvê-los, igual o Elon fez ao longo dos anos no setor financeiro com PayPal, no mercado aeroespacial com Space X, no setor automotivo com Tesla, e até no transporte com o Hyperloop. 

Ele adora problemas complexos, e quer se cercar de pessoas semelhantes. Como faz isso? É disso que ele fala no próximo audio.

“Quando entrevisto alguém para trabalhar em uma das minhas empresas, pergunto sobre como trabalharam nos problemas, em seus desafios anteriores, e como os solucionaram.  E se a pessoa realmente foi quem resolveu o problema, ela será capaz de responder a vários níveis da pergunta, e ir a fundo. E se elas ficarem estagnadas na explicação, significa que a pessoa não foi responsável pela resolução do problema. Quem realmente se esforçou muito para resolver um problema, nunca o esquece.”

Primeiramente, deixa te fazer uma confissão: eu teria pavor de ser entrevistado pelo Elon Musk. Sério. Seria o cara que mais ficaria nervoso e sem dormir o dia anterior da entrevista. Primeiro porque não tem como se preparar para uma entrevista por ele: a mente dele é indecifrável! E segundo, porque ele tem padrões altíssimos, até o ponto que, após ser perguntado em 2018 em uma entrevista sobre o porquê 46 funcionários da Tesla foram trabalhar na Apple, ele respondeu “Quando as pessoas não são boas suficiente para a Tesla, vão para a Apple”…eu não acho que passaria um entrevista com ele!

E mesmo que eu passasse na entrevista, e fosse algum dia trabalhar em algumas de suas empresas, teria que me confrontar com as altíssimas expectativas dele.

Ele é famoso por dizer que ele trabalha 24 horas, cada minutos da vida dele, e a produtividade dele é acima de qualquer outro ser humano…nas épocas mais corridas na Tesla, ele dorme apenas algumas horas na fábrica, para nao ter que ir pra casa e voltar, e sempre estar em alerta. 

Eu acho que isso é exagerado e pouco saudável, ao ponto que o Elon teve ao longo do tempo vários problemas de saúde, e de alguma forma emocionais: quem lembra dos tweets erráticos que ele manda, de vez em quando?

2018 por exemplo, foi um ano duríssimo para ele: após vários problemas com a Tesla que a fizeram perder muito valor de mercado (que depois foi recuperado, ao ponto que no começø de 2020 ela alcançou a avaliação de 86 bilhões de dólares, o que a fez a montadora americana mais valiosa de sempre), ele deu em Agosto uma entrevista muito pessoal ao New York Times onde admitiu estar esgotado emocionalmente, que não conseguia dormir sem remédios tarja preta, e que alguns amigos dele estavam profundamente preocupados pela saúde dele. OU seja, convenhamos, não tem bilhões de dólares que comprem a sua saúde, né? E esse recado é válido para todos nós nessa fase de quarentena, que acabamos nos cobrando mais e trabalhando mais horas!

Mas essa hiperprodutividade dele, quase comparável a produtividade de robôs e inteligência artificial da qual ele é profundamente preocupado (tema que, já dando um spoiler, iremos falar na terceira parte desse episódio) e que o faz muitas vezes ser chamado de “Iron Man” da vida real, é transferida em termos de expectativas para as equipes dele. 

Primeiramente, em termos de prazos impossíveis. Sim, ele trabalha com prazos impossíveis com suas equipes. Como funciona isso?

No livro sobre ele escrito pelo Ashlee Vance, um ex funcionário conta que os prazos na Space X são irrealizáveis: o Kevin Brogan, que trabalhava com ele na época, mesmo conta que em 2003, os prazos para um motor da SpaceX eram não só otimistas, mas simplesmente fora do mundo. “Elon pode ser um mentiroso quando precisa que as coisas sejam feitas rapidamente. Ele vai escolher os prazos mais agressivos possíveis em um cenário onde tudo aconteça sem imprevistos, e depois ele os acelera ainda mais cobrando todo o mundo para trabalhar mais duro”. E isso gera estresse enorme nas equipes, mas sabe o que? Tem resultados incríveis e surpreendentes, meio que alcançando o que é chamado de self-fulfilling prophecy, ou seja profecias auto-realizadas. O que é isso?

É quando você meio que “inventa” algo, e ele se realiza justamente pelo fato que você o inventou. Quer um exemplo? Agora já posso contar: no Tinder, teve uma época que testamos uma notificação push aos domingos, onde dizíamos de correr para o app porque tinha 3x mais atividade no aplicativo, e consequentemente maiores chances de ter matches…a verdade? É que não tinha, mas com o push conseguimos realizar esse resultado.

É o mesmo no caso dos prazos impossíveis! Você inventa que é possível, e depois puxa os times ao ponto de realizar isso, ou perto disso. Esse otimismo louco do Elon me lembra o campo de realidade distorcida do Steve Jobs, do qual falamos no episódio 2 do Metanoia Lab: eles conseguem fazer as pessoas realizarem feitos impossíveis. 

Existe uma lei atrás disso: é chamada a lei de Parkinson, e diz que o volume de trabalho se expande até ocupar o tempo disponível para sua finalização. Foi realizada primeiramente em uma coluna da revista The Economist em 1955, e eu vou confessar: é verdade.

Sabe um dos principais fatores atrás da procrastinação? A falta de deadline e prazos. Para mim é isso, e é o motivo pelo qual eu me dou prazos mesmo se os clientes não pedirem! Ou é o motivo pelo qual às vezes eu desconecto o Macbook da tomada com 20% de bateria, e coloco na minha frente um file Word em branco para completar o roteiro de um episódio do Metanoia…vê como escrevo rápido!

Ou seja, termos mais tempo à disposição nós não faz mais produtivos…por muitos lados, tem o efeito contrário! E ao mesmo tempo, o Elon exige um nível de raciocínio, pensamento crítico, e capacidade de resolver problemas complexos bizarra dos seus times. 

Ele busca isso primeiro do que diplomas: inclusive não é obrigatório ser formado para trabalhar na Tesla,…ele busca mesmo esses perfis que ele fala no áudio acima. 

Vamos lá, ao final o Elon é engenheiro, e ele se envolve nos mínimos detalhes de seus produtos. Ele parte dos princípios primos da física, como falamos antes, e vai saber te pegar se você não souber do que está falando. Ou se não foi você que fez as coisas que tem no seu curriculum. E a gente cansa de ver isso, né?

De curriculums lindos de se ver, enfeitados e aparentemente com grandes resultados, mas onde ao final a pessoa não foi quem mais contribuiu mas se beneficiou de trabalho coletivo. Que não é errado, pelo amor de Deus, mas entre dizer que você resolveu esse problema, e que você contribuiu a resolver esse problema, tem um oceano no meio.

Certa vez eu fiz uma entrevista para Amazon, alguns anos atrás, e além do fato que achei extremamente interessante e ao mesmo tempo super difícil, me lembro até hoje de uma pergunta que era assim: “Qual foi a situação mais difícil que você enfrentou no seu trabalho, e como você a gerenciou?”. 

É isso! É a mesma coisa que o Elon faz, ao te testar para ver se você mesmo resolveu essa situação difícil, pois o que aconteceu na medida que ia mais a fundo nas camadas do problema, igual uma cebola, eu era a cada vez menos capaz de explicar os detalhes,….e sabe porque? Porque realmente, quem resolveu aquela situação foi uma pessoa da equipe, não eu! E eu não teria conseguido fazer isso sozinho…a verdade é essa!

E com essa pegadinha, o Elon consegue entender se você realmente sabe resolver problemas complexos…até porque como ele diz no fechamento da frase, “você certamente vai lembrar desses problemas”pois a dor fica pra sempre. 

E uma das coisas que sempre surge como grande dor e preocupação do Elon em seus papos, é a Inteligência Artificial, que ele vê como uma potencial ameaça ao mundo. Vamos ouvir ele falando sobre isso no próximo trecho.

“Parece que somos o gerenciador de inicialização biológico da Inteligência Artificial. Estamos efetivamente construindo uma inteligência progressivamente maior. E a porcentagem de inteligência que não é humana está aumentando. E, eventualmente, nós humanos representaremos uma porcentagem muito pequena de inteligência no mundo. Mas, atenção, a Inteligência artificial é  estranhamente informada e alimentada pelo nosso sistema límbico. É em grande parte o nosso sistema limbico escrito em grande escala. Nos mencionamos todas essas coisas, os tipos de impulsos primordiais. Ai tem também todas as coisas escondidas que nós gostamos e odiamos, ou temos medo. Eles estão todas lá na Internet. Sua projeção do sistema límbico, é isso mesmo.”

Eu acho esse trecho muito louco. Quem já assistiu essa entrevista, que o Joe Rogan fez, de um Elon Musk visivelmente chapado? Eu assisti e reassisti, porque inclusive eu acho que o Elon estava em uma dimensão paralela que fez o papo mais interessante ainda. 

E pra provar que estava chapado, o Elon Musk fumou ao vivo durante a entrevista – vamos lembrar que maconha é legalizada na Califórnia, e que inclusive ele já fez múltiplas referências a maconha, como por exemplo a vez que ele twittou que teria tirado a Tesla da bolsa de valores fechando o capital dela por 420 dólares por ação…óbvio que foi uma brincadeira com o 4.20, número que simboliza a maconha.

Mas maconha a parte, a profundidade desse papo – e olha só que consegui apenas colocar um pequeno trecho, mas é um papo de 2 horas que vale cada segundo – é sensacional. Mas a parte da Inteligência Artificial é a minha preferida. Vale a pena ressaltar que o Joe Rogan é um ótimo entrevistador, e mergulha em cada tema complexo com propriedade, mesmo sendo comediante! Ah sim, ele é comediante, e inclusive nem tão bom…o podcast dele, que inclusive é bastante sério, é bem melhor! Que aliás, é um dos podcast mais ouvidos do mundo, e que recentemente fez um acordo exclusivo que vale em torno de 100 milhões de dólares só! com o Spotify onde será possível só ouvi-lo ai. E olha que loucura: no dia do anúncio do acordo, as ações do Spotify valorizaram 9% no mercado e aumentaram a própria avaliação de 4 bilhões de dólares! é por isso que eu te digo, corre lá e faz o seu de podcast…

Mas fechando essa parêntesis, voltamos para o Elon Musk e a sua viagem mental sobre inteligência artificial. Primeiro, ele diz que nós seres humanos somos o Bootloader da inteligência artificial. O que é isso? é um software que permite a inicialização do sistema operacional de todos os dispositivos como computadores, smartphones, tablets e diversos equipamentos. Ou seja, de alguma forma somos nós que adotamos a AI. Bom,certamente somos nós que a desenvolvemos…mas a cada vez mais que avançamos com o desenvolvimento da Inteligência Artificial, a inteligência humana será a cada vez menos representativa. E isso é fato: você acha que em armazenamento de informações, de calculo, estratégia, lógica ou muitas mais áreas, ainda temos como competir com AI? Meu amigo, infelizmente não tem mais jeito. 

E o Elon vê enormes riscos nisso: inclusive ele desde sempre tem uma visão bastante pessimista da Inteligência Artificial, achando que os riscos da humanidade se autodestruir atrás o uso de AI um contra o outro, superará os benefícios dela, e que por isso tem que existir alguma organização internacional que regule o uso de AI. Nós não apenas escrevemos código para Inteligência Artificial, mas nós ensinamos a Inteligência Artificial escrever código para outra Inteligência Artificial, e aí está o ponto: podemos perder o controle. Mais recentemente, por nadar contra a maré e ser um dos poucos que se preocupam com isso, ele tomou uma atitude mais fatalista a Inteligência Artificial. 

Mas de onde nasce a Inteligência Artificial?

O termo Inteligência Artificial apareceu pela primeira vez em 1956, no título do evento “Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence”, um projeto organizado pelo jovem cientista John McCarthy que, durante dois meses, debateu ideias em torno das chamadas “máquinas pensantes”. Pouco tempo antes, o matemático britânico Alan Turing, que ficou bastante conhecido por desenvolver uma máquina capaz de decodificar mensagens criptografadas da Ale- manha nazista durante a Segunda Guerra, já falava na possibilidade de criação das tais máquinas pensantes. No entanto, as discussões sobre o desenvolvimento da Inteligên- cia Artificial ficaram praticamente congeladas durante um bom tem- po – entre as décadas de 1970 e 1990 –, em todo o mundo (com um pequeno período de otimismo no meio). O tema atraiu bastante criticismo, o que afetou os investimentos alocados às pesquisas nessa área. Hoje, no entanto, isso é bastante diferente. O desenvolvimento de uma série de tecnologias, como hardwares de computadores mais ágeis e estáveis, o crescimento da computação em nuvem e, claro, a explosão do volume de dados que alimentam os algoritmos de machine learning, colocou a Inteligência Artificial como um dos principais tópicos de discussão do século XXI. Para se ter uma ideia, em 2019, o principal prêmio da ciência da computação foi destinado a pesquisadores que dedicaram seus trabalhos a pesquisas em Inteligência Artificial. Financiado pelo Google e concedido pela Association of Computing Machinery (ACM), o Prêmio Turing – praticamente o Nobel da computação – destinou 1 milhão de dólares a Yoshua Bengio, Geoffrey Hinton e Yann LeCun. Os pesquisadores são pioneiros na área, principalmente nos estudos em desenvolvimento de redes neurais. Um dos maiores experts do mundo na área, o sino-americano Andrew Ng, cientista chefe de Inteligência Artificial na Baidu – uma das gigantes da internet na China – chega até a dizer que a “Inteligência Artificial é a nova eletricidade”.

Tudo bem, mas eletricidade nos pode dar choque também se mal utilizada. Como entendemos melhor como funciona a AI a partir do funcionamento do nosso próprio cérebro?

Vamos começar a separar o sistema límbico do cortex, em nossos cérebros. Enquanto o cortex, ou seja a parte mais externa do cérebro, controla o pensamento básico e o raciocínio, o sistema límbico é a parte do cérebro que detém o controle de nossas emoções, e os impulsos e motivações que nem sempre conseguimos controlar. 

Você pode pensar nele da seguinte forma. Vamos supor , em um mundo sem pandemias, que eu tenho uma reunião importante no centro da cidade do Rio, e saio da minha casa no Leblon dirigindo até lá: eu uso a parte racional do meu cérebro, ou seja o cortex (e muito provavelmente o Waze também!). Mas o grande ponto aqui é o porque estou indo para essa reunião, ou seja a minha razão latente, a minha motivação, e ela está no sistema límbico: se eu não a tivesse, não precisaria usar a parte racional do cortex. 

E porque essa discussão sobre o nosso cérebro, faz do AI a projeção do nosso sistema límbico: porque na medida que ela se alimentar de nossos maiores impulsos, medos, as coisas que amamos e odiamos, na medida que através um like inocente no Instagram na verdade estamos deixando importantíssimas informações sobre nossos sistema límbico, a Inteligência Artificial irá não apenas pensar, como já faz, mas sentir emoções.
E a pergunta que não quer calar é: o que será de nós, pobres seres humanos, na medida que as máquinas irão sentir amor, compaixão, medos, e ainda pior raiva? 

Provavelmente apenas as próximas gerações saberão. 

Para encerrar esse episódio, quero usar mais uma frase do Elon Musk em que ele fala: “Algumas pessoas não gostam de mudanças, mas você precisa abraçar a mudança se a alternativa for desastre.” 

Eu acho essa uma frase preciosa, assim como perfeita para o momento atual. A gente precisa saber a hora de parar e mudar a direção. Não insista em um caminho que você está vendo que irá lhe render insucesso. Lembre-se sempre que mudanças podem fazer muito bem em todos os aspectos. Tanto o pessoal, como também o profissional.

Você já teve medo de fazer algum tipo de mudança na sua vida?

E se sim, o medo te paralisa ou chegou a superar esse medo?

Bom, chegamos ao fim e se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade.  As melhores 3 respostas, ou comentários sobre esse episódio, irão estar no podcast

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou! Qualquer dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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