PODCAST

Arianna Huffington: importância do sono, infoxicação e métricas de sucesso, comentados por Andrea Iorio (participação da Thalassa Coutinho e do Edu Valladares).

“Eu não tento dançar melhor do que os outros. Eu só tento dançar melhor do que eu mesma”

ARIANNA HUFFINGTON

Arianna Huffington, é uma colunista, autora e escritora greco-estadunidense, conhecida como co-fundadora do site de notícias The Huffington Post. Ela se tornou uma popular comentarista política conservadora em meados da década de década de 1990. Mais a frente, ela adotou crenças políticas mais liberais na década seguinte. Em 2003, concorreu na eleição para governador da Califórnia como candidata independente, tendo perdido para Arnold Schwarzenegger.

Em 2011 o The Huffington Post  foi adquirido por 315 milhões de dólares, pela AOL. Onde Arianna desempenhou o cargo de presidente e editora-chefe do recém-criado The Huffington Post Media Group, englobando todos os conteúdos do Huffington Post, além de alguns conteúdos da AOL. Ná época da transição, Arianna anunciou que a criação de uma seção brasileira, era uma das prioridades do grupo no processo de internacionalização.

Sabe, lendo todas essas informações sobre a Arianna, é possível entender muito do sucesso dela. E acho que, a partir da próxima frase, em que ela fala sobre a importância de ser uma pessoa regrada, e como isso interfere na rotina dela, vai ficar cada vez mais explícito o porquê dela sempre procurar dança melhor do que ela mesma! Confere só!

“Bem, em primeiro lugar, eu priorizo ​​o sono. Isso significa dizer não às coisas que você quer fazer. Não é fácil. A vida é difícil. Isso aconteceu ontem à noite, quando a Sheryl Sandberg me entrevistou. Isso ressalta o Symphony Hall e eu autografando os  livros. E sim, eu adoraria ir jantar com ela. Mas eu fui para a cama, sabe por que? Porque se eu não tivesse dormido, se tivesse saído para jantar e não tivesse dormido pelo menos sete horas de que necessitava e tivesse que acordar cedo para fazer uma entrevista na TV, eu não gostaria de estar aqui com você agora. E estou gostando muito. E eu não estou 1% cansada. Eu odeio estar mais cansado do que qualquer coisa.”

Você é um urso, leão, lobo ou golfinho?

Não estou falando de signo, nem do seu animal preferido.

Deixa eu te contar: eu sou um golfinho.

O meu cronotipo é de golfinho.

Vamos começar pelo que um cronotipo é, antes que você ache que eu enlouqueci e você continue se perguntando o que esses animais significam. A primeira vez que me deparei com a noção de cronotipos, e que descobri que os 4 cronotipos são representados por animais, foi ao ler o livro “O poder do quando: Descubra o ritmo do seu corpo e o momento certo para almoçar, pedir um aumento, tomar remédio e muito mais”, do Doutor Breus. Eu estava passando o Natal em casa, na Itália, alguns anos atrás, e o comecei a ler para matar o tempo. Acabei devorando ele em uma leitura só, e fundamentalmente nele, o Dr. Breus diz que, embora o relógio biológico de cada pessoa seja diferente, a maioria de nós pertence a um dos seguintes cronotipos: urso, lobo, golfinho ou leão. Um ciclo de sono em média tem 90 minutos, e cada pessoa tem em média 5 ciclos de sono, mas isso tem uma variabilidade grande de pessoa a pessoa. Então a partir do cronotipo em que você está, você tem melhores momentos para fazer as coisas.

Ele diz que se você se sentir cansado quando acordar, ou tem dificuldade em levantar da cama de manhã, então significa que provavelmente não sabe qual o seu cronotipo e não segue os melhores horários para ele…agora, sendo honestos, sendo que praticamente todos nos sentimos cansados ao acordar e queremos dormir mais, pelo menos eu me incluo nessa definição, agora vale então gastar algumas palavras sobre os 4 cronotipos para saber em qual você se enquadra:

  • URSO: eles gostam de dormir, com horários bastante estáveis mas sempre tem a sensação de não dormir o suficiente. Normalmente se sentem cansados após o almoço, e durante o final de semana alteram os seus ritmos de sono e já começam segunda feira meio cansados. Eles representam em torno de 50-55% da população total.

     

  • LEÃO: acordam super cedo com disposição e fazem a maior parte de suas tarefas do dia na parte da manhã, até o horário de almoço. Mas normalmente perdem um pouco de energia na parte da tarde e a noite, e se sentem e até aparecem cansados. Em torno de 15% das pessoas são leões.

     

  • LOBOS: odeiam as manhãs. Simples assim. Vão dormir tarde, normalmente, e adiam muitas vezes o despertador. Chegam atrasados aos seus compromissos de manhã, e normalmente precisam de 3 cafés antes de começar o dia. São em torno de 15 a 20% da população total.

  • GOLFINHO: eles são muito ativos, por fora e por dentro também, na cabecinha, e por isso o sono deles é muito leve e às vezes interrompido. Às vezes sofrem de insônia, e ficam lendo a noite ou entrando nas redes sociais para passar o tempo. Eles são em torno do 10% da população.

Bom, eu me considero um golfinho: eu gosto de dormir, mas nem sempre consigo com a profundidade que quero. Eu não funciono bem com menos de 7 horas de sono, idealmente sempre 8 – e isso provavelmente porque meu sono é leve: acordo pra beber água, para ajustar o ar condicionado, para me mudar de posição inúmeras vezes, até tem vezes que nem sei porque acordo já que tive episódios de sonambulismo!

Mas o que me interessa mais agora é saber de você: qual o seu cronotipo? Reflita bem, pois isso pode querer dizer muito sobre como deveria ser seu dia. Nos nao tivemos tempo de adentrarmos, mas no site thesleepdoctor.com tem as sugestões de rotinas para cada cronotipo, assim como questionários para te ajudar a entender de qual você faz parte. O site é em inglês, mas recomendo muito!

E quero que me conte, por audio ao numero de Whatsapp do Metanoia Lab, qual o seu cronotipo e como isso influencia a sua vida! As melhores respostas poderão fazer parte do próximo episódio do Podcast.

Agora, durante essa quarentena , surgiu uma dúvida cruel: você deveria aproveitar essa época para dormir bastante porque sabe que nunca mais terá essa oportunidade a disposição, ou deveria aproveitar essa época para ser extremamente produtivo e dormir ainda menos. Eu ouvi uma discussão sobre isso do Edu valladares, convidado de hoje, no episódio 8 do excelente Podcast dele, o Open Bar de Pistache – que inclusive eu recomendo muito,  e por isso aproveito para perguntar ao Edu:

“Não há como negar ao meu ver que existe uma relação direta entre sono e produtividade de fato. Quantas vezes eu já me vi numa situação de me sentir mais irritado, não conseguir controlar as emoções justamente por ter tido uma noite de sono ruim. E eu vejo que nessa hora em geral as pessoas interpretam que ser produtiva e estar mais ocupado, é trabalhar mais, é não ter tempo livre. E aí existe uma relação bem proporcional à questão do sono, eu vou render melhor e vou ter uma produtividade uma concentração e um foco mais apurados na hora do meu estudo ou do meu trabalho se eu também me dedicar à relação de relaxamento, de descanso. Eu costumo usar uma expressão que fala muito disso que é relaxamento profundo e treinamento intenso. Eu vou me dedicar na mesma proporção, na mesma vontade de trabalhar ou estudar também na vontade de descansar e de relaxar. Na minha visão existe essa relação totalmente direta entre sono e produtividade.”

De fato, é costume dizer que o quanto menos dormir, mais bem sucedido você vai ser porque você vai produzir mais tempo, mais horas. Mas essa é uma equação mais falha, porque produzir mais horas não significa ser mais produtivo: se você for mais distraído, cansado e devagar, pode bem acabar produzindo menos de que se você estivesse trabalhando menos horas mas mais focado.

Matematicamente funcionaria assim: volume produzido=tempo trabalhado multiplicado por um coeficiente de produtividade. E o coeficiente de produtividade é algo que pode ser influenciado por muitos fatores, desde domínio do tema, informações necessárias a disposição, etc mas um fundamental é a tua atenção mental. 

Aqui uma pequena ressalva: o volume de trabalho produzido não é indicador de sucesso tá? Mesmo que isso seja o que somos ensinados ou muita gente acredita…Ou seja, a questão é bem mais complexa do que isso mas nós não vamos adentrar agora, mas deixamos isso para o fim do podcast para a terceira frase da Arianna Huffington. 

Quando você tem pouco sono, é fato que tua mente não está atenta. Mas como funciona exatamente isso?

Um estudo da UCLA demonstrou que a falta de sono por um lado interfere com a habilidade de celulas do cerebro se comunicar com outras, e sabemos que de fato essas sinapses são as que permitem nosso raciocínio. Por outro lado, a falta de sono impacta nossa produção de hormônios como cortisol e dopamina: mais cortisol, mais estresse, e menos dopamina, menos energia. E chega até a afetar nossa visão: falta de sono desacelera a habilidade das células neuronais de absorver informação visual e traduzir esses dados visuais em pensamento consciente, na mesma proporção do álcool, segundo estudos!

Ou seja, é evidente que suficientes horas de sono são fundamentais…para estar presentes! No momento presente, consigo e com os outros. Para os outros. E as vezes isso pede sacrifícios, igual a Arianna Huffington diz ao recusar um jantar com a Sheryl Sandberg: eu nunca teria tido a coragem de fazer isso, mas ela fez. 

Talvez ela tenha ido até longe demais nesse caso….a Sheryl é uma das pessoas que mais queria conhecer no mundo, e muitos de vocês devem lembrar dos ensinamentos dela no quarto episódio do metanoia Lab.

Bom, e já que entendemos que dormir é importante, como dormir melhor?

Dicas de fácil aplicação que funcionam comigo, além das óbvias de não tomar litros de café a tarde (mesmo que conheço varias pessoas que são meio que imunes a isso), e tentar sempre acordar no mesmo horário todo dia (para acostumar a um ciclo de sono constante), é de tentar dar um tempo de um break de uma hora ao menos do bombardeio de informações do seu celular ou netflix. Por favor, não faça da última coisa antes de dormir responder suas mensagens, ou mandar inbox pelo Instagram: ai seu sono já se vai embora. Um livro já funciona. Mas é que fazendo isso, a gente não sai do turbilhão de inputs e informações ao qual estamos constantemente expostos o tempo todo, e que nos nao deixam sossegar, e nem dormir.

E é sobre essa sobrecarga de informação que a Arianna Huffington nos fala, no próximo audio.

“Se você olhar ao seu redor, verá líderes em posições de poder, na política, na mídia, nos negócios. Todos eles com QI considerados altos, e que tomam decisões terríveis. O que está faltando não é QI, mas sabedoria. E hoje, está ficando cada vez mais difícil explorar nossa própria sabedoria, porque todos nós estamos tão hiperconectados aos nossos dispositivos, nossas telas, nossas mídias sociais que estamos tendo dificuldade em desconectar da tecnologia e nos reconectar. O Aaron McDaniel, escreveu de maneira muito sábia e um tanto consternado sobre sua decisão de desconectar-se de todas as suas mídias sociais. Temos conexões sociais reais em favor da tecnologia superficial, uma vez que nos tornamos, em muitos casos, quase tão socialmente robóticos quanto nossos computadores. Agora, você não tem o chefe de uma empresa digital dizendo para se desconectar completamente da tecnologia. O que estou dizendo é que você se desconecte regularmente da tecnologia, desconecte e recarregue regularmente para se reconectar conosco e com nossa própria sabedoria mais profunda.”

Em 2011, o sábio escritor peruano Mario Vargas Llosa, que aliás de quebra ganhou um Nobel para literatura em 2010, advertiu em um texto que ele publicou sobre a internet e o aumento de acesso a informação, que : “mais informação é o equivalente a menos conhecimento”. 

Frase controversa e forte, né?

Pois bem: mais recentemente me deparei com um termo mais forte ainda.

Infoxicação. Recentemente me deparei com o termo acima em um curso que fiz no Rio de Janeiro, do Ricardo Cappra, cientista de dados que admiro muito. Fiz um curso sobre Data Driven Leadership, que adorei e que recomendaria para cada um de vocês…acho que a culpa é do Ricardo se eu encho a sua paciência falando de dados o tempo todo. Ele diz que, após uma sensação inicial de empolgação, e subsequente sensação de empoderamento, na medida que o volume de informações processadas aumenta, se transforma em estresse e ansiedade constante. Isso ocorre porque, nesse cenário, estamos consumindo mais informação do que nossa capacidade consegue suportar. 

Mesmo que a neuroplasticidade demonstre que, através de novas sinapses, o cérebro consegue se moldar quando sujeito a novas experiências, mesmo na vida adulta, nossa capacidade de “armazenamento” é limitada. Seria irado fazer um upgrade de nível de memória, estilo iCloud, mas qualquer tentativa seria destinada ao fracasso. É como tentar contratar mais 100 GB de memória com um cartão de crédito vencido. 

Sorry, não dá. 

Só para você ter uma ideia, o volume de dados no mundo é equivalente a 44 zettabytes. “Ah, tá, obrigado Andrea! Mas… o que isso significa?”. 

Então vamos tentar “encaixar” os zettabytes em um espaço tangível: se colocarmos 44 zettabytes armazenados em iPads empilhados, um em cima do outro, essa “estradinha” faria 6.6 vezes o trajeto da Terra à Lua. Fica mais fácil de imaginar assim, né? E olha que nem deve ter estoque de iPad para isso…e 90% de todos os dados que existem nesse planeta foram gerados nos últimos 7 anos! e a previsão é gerarmos 168 zettabytes em 2025… bizarro! Isso gera dois problemas fundamentais: de um lado, temos o famoso FOMO, ou “Fear of Missing Out” – aquele gosto amargo que nos ocorre quando sentimos que perdemos algo muito legal ao ver as redes sociais das outras pessoas – e, de outro, a completa paralisia por desnorteamento. Tanta variedade acaba dando início ao que chamamos de “paradoxo da escolha”. Sabe quando você quer ver um filme na Netflix, abre a plataforma, passa horas escolhendo o título e sai sem assistir nenhum, pois não sabe qual assistir de imediato? Então.

E a avalanche de lives, durante a quarentena? Assim como muita gente se improvisou corredora na quarentena, quase para ter uma desculpa para sair de casa, todo mundo virou streamer de lives no Instagram. E a gente? Ficando indeciso sobre quem assistir, marcando os preferidos em nossos calendários, mas descobrindo outros 37 eventos virtuais legais no mesmo horário, pulando de live em live a cada 2 minutos…Eu me vi fazendo, no Instagram, a mesma coisa que faço com o controle remoto da TV: zapeando canais. 

Tipo, na verdade quando roteirizo os episódios do Metanoia Lab, eu costumava colocar  meu aparelho em modo avião para não ser distraído por mensagens, notificações e notícias pipocando na tela. “A Bolsa caiu X%”, “O número de casos de Covid-19 na Itália aumentou de Y%”, “Andrea, se liga na live do ciclano agora no Insta”…não sei quanto a você, mas isso me deixa extremamente ansioso. Parece que o telefone dita o meu dia, e não o contrário; ele está sempre me dizendo o que fazer, para quem ligar, a qual assunto dar mais atenção. Se for para dar mais atenção aos assuntos mais comentados, provavelmente vou cair em duas grandes áreas que vão atrapalhar a qualidade do meu trabalho: assuntos fúteis, ou fake news.

E como o Vargas Llosa disse disse, informação é uma coisa, conhecimento é outro…e eu ousaria dizer que sabedoria é algo outro ainda! Quando você pensa em sabedoria, você associa com uma pessoa mais velha né, tipo Mestre Yoda…mesmo que não acho que alguém mais novo não possa ser sábio, sabedoria é algo mais cumulativo, de longo prazo, que vem da construção de conhecimento misturado a experiência empírica. 

E os líderes de hoje fazem frequentemente o oposto!

E é por isso que tomamos decisões ruins, ou ainda mais líderes tomam por nós: o grande exemplo é ver decisões tomadas durante essa crise por líderes do mundo todo que vão em direção oposta a qualquer básica noção de ciência, o que aparenta mostrar um regresso aos tempos do obscurantismo. 

Falar que é paradoxal que ela fale isso pois ela fundou o Huffington post, justamente um site de notícias. Mas como ela disse, não seria dela, chefe de uma empresa digital, dizer de se desconectar totalmente, mas precisa ser feito de alguma forma.

E sobre dicas sobre como fazer isso, a Thalassa Coutinho nos conta aqui o que funciona, segundo ele: 

“Pode ser que eu seja polêmica agora, mas eu não acredito na frequência da desconexão falando de internet.  Porque muitas pessoas estão sendo impactadas por meio do digital de alguma forma. Eu não acredito que seja possível a gente se fechar numa bolha que seja totalmente offline ou viver muito fora da internet, principalmente com a pandemia e com a crise. Todo mundo está buscando refúgio na internet e todo mundo está buscando formas de aprimorar e de oferecer o seu trabalho pela internet, inclusive pessoas que são muito conhecidas, pessoas que são referência em seus mercados, que têm um excelente posicionamento offline, que são bastante conhecidas por outros meios de comunicação tradicionais e que estão precisando usar a internet nesse momento para poder se posicionar, para poder ser visto, para poder impactar mais pessoas.  Então talvez eu seja um pouco polêmica em relação a essa afirmação porque eu não acredito que a gente tem que se voltar mais para o fim do que para o online e eu acredito que os dois andam juntos, até mesmo porque as nossas relações, que acontecem no offline também continuam no online em algum nível. E eu não acredito também que seja o caso de: “Ah, eu preciso fazer overposting,  eu tenho que mostrar uma vida perfeita… Esse é o maior problema das pessoas que buscam fazer o seu marketing pessoal. Porque não tem um branding pessoal estruturado. Então naturalmente as pessoas acreditam que precisam trabalhar uma imagem perfeita no Instagram sendo que isso já não funciona mais. A gente busca por autenticidade e a gente busca por diálogo reais. A gente procura por pessoas reais que vivem em problemas “gente como a gente” para que a gente consiga se conectar e eu acredito que é isso que determina o sucesso de um negócio e de um posicionamento.”

E após esse comentário Superinteressante da Talassa, nós vamos agora abordar o áudio da Arianna Huffington que nos explica sobre os riscos de trabalhar demais, de nao cuidar do sono e de estarmos hiper conectados sobre a nossa saúde e nossa carreira.


“Em 6 de abril, de 2017, eu voltei de levar minha filha para a platéia depois de dois anos de lançamento do Huffington Post, e estava exausta, exausta. O sentimento que muitos de nós temos. Caí de exaustão e, ao cair, bati a cabeça na mesa, quebrei a bochecha, fiz quatro pontos no olho direito. E isso me iniciou nessa jornada de questionar o  sucessos porque, pelas definições convencionais de sucesso, definido por duas métricas em dinheiro e poder, eu obtive sucesso. Por qualquer definição sã de sucesso, eu não teria sucesso se estivesse deitado em uma poça de sangue no chão do meu escritório. Então esse é realmente o começo. E agora, tive a ideia de que precisamos de uma terceira métrica de sucesso que inclua nossa saúde e bem-estar, antes de mais nada, porque se sacrificarmos isso, o que é a nossa capacidade de explorar nossa própria sabedoria,  um sentimento de admiração com a beleza da vida que nós mesmos e a  nossa capacidade de se doar e ser gentil. Como você diz no programa, Ellen, quando eu relembro sua vida, se você definisse o sucesso da maneira convencional, o que significa que agora você tem uma comédia de sucesso, você nunca se arriscaria a sair porque sua vida teria sido definida em:  “Como eu sou bem-sucedida, eu tenho a comédia. Não posso arriscar nada, porque é quem eu sou.” Então, realmente, o que estou pedindo às pessoas que se sentem realizadas, é perceber que, seja qual for o nosso trabalho no mundo, quaisquer que sejam os nossos sonhos, somos maiores que isso. E se pudermos descobrir quem realmente somos e viver a partir desse lugar, a vida é realmente incrível, independentemente dos desafios e obstáculos.”

Durante o meu mestrado na Johns Hopkins, nos Estados Unidos, virei muito amigo de um francês, que aqui irei chamar com o apelido dele, o Sebs. Ambos europeus morando nos Estados Unidos, nos juntamos para passar o tempo em Washington DC, que confesso as vezes pode ser bem chata.

Viramos tão amigos que após eu já estar no Brasil há uns meses, chamei ele e falei: “cara, tem um projeto de consultoria para o SEBRAE que to sabendo bem interessante em BH: se quiser faço a ponte”. O Sebs é bem genio, ai ele logo foi contratado, pegou as duas malinhas dele e também se mudou para o Brasil. Inútil dizer que ele se mudou para a minha casa, que na época era uma república e ele se juntou: foi uma época bem divertida. 

Ele é super engraçado, e sempre era zoado pelo sotaque dele, que confesso, era bem mais forte do que o meu: ainda lembro que era impossível ele dizer manhã certinho, mas eram sempre as 6 da manhã, 7 da manhã ou assim por diante.

Pois bem, eu sabia que o Sebs tinha trabalhado em banco de investimento antes, até fim de 2008, em Londres: mais particularmente na Societé General. Mas eu não sabia muito dos detalhes, até que na época de BH, uma vez ele se abriu comigo depois de algumas cervejas. E antes de contar essa história, é interessante notar que hoje o Sebs é um empreendedor no ramo da cerveja super bem sucedido na Bélgica. 

Mas vamos lá, o que ele me contou foi que ele não saiu da Societé General porque pediu demissão ou foi mandado embora, mas por questões médicas. E isso o fez repensar total as prioridades da vida dele. “Eu não sabia que você teve problemas de saúde, o que rolou?”eu perguntei. E o que ele me contou, hoje é parte da história mundial recente, e ele pagou caro por isso.

Ele trabalhava na área de derivados da empresa. Quem sabe o que são os derivados, ou até assistiu o filme “A grande aposta”ou o documentário “Trabalho Interno”, em inglês Inside Job, sabe que derivados são instrumentos financeiros extremamente complexos, tão complexos que inclusive foram utilizados para revender dívidas tóxicas, a maior parte atrelada ao mercado imobiliário americano, como dívidas de baixo risco. Ele apenas revendia o instrumento, tá, e sendo tão complexo, ele suspeitava que tivesse algo ruim aí no meio mas sob altíssima pressão de vendas, ele simplesmente ia. E o foco regional dele eram os países da Scandinavia: fundamentalmente ele revendia derivados para os bancos de lá. Todos sabemos o que aconteceu em 2008 na crise dos derivados nos Estados Unidos: começou com a falência da Lehman Brothers, mas levou consigo quase todo o sistema financeiro global – e a intensidade da crise é a maior dos tempos modernos, mesmo que o impacto econômico do Covid-19 possa infelizmente ser ainda maior. Mas nem todos devem saber que a Islândia, ilha gelada de não mais de 400.000 habitantes, os 3 principais bancos privados simplesmente faliram. 

O Sebs entrou em uma espiral de ansiedade bizarra em 2008, vivendo a própria vida como se fosse quase um zumbi, dizia ele. Ganhava super bem? Ganhava. Ele tinha poder? Pela idade dele, tinha subido rápido os escalões do banco, e podemos dizer que tinha. Aliás, falando em poder, ele tinha na mão economias de países inteiros, então podemos dizer que sim. Porém ele estava tendo calls e ligações duríssimas com clientes, onde obviamente muitos o acusavam de saber o que ia acontecer. E depois chegou o momento onde ele foi pedido ter reunião presencial na Islândia ou na Suécia, não lembro. Alguns dias após ser intimado, e não sabendo como líder com algo tão grande , maior que ele, uma manhã subindo no metrô de Londres, ele teve um ataque de pânico que o derrubou no chão, e fez com que tivessem que chegar a ambulância para resgatá-lo e hospitaliza-lo. Ele devia ter 26-27 anos ao máximo na época. Eu nunca tive um ataque de pânico que me tenha deixado assim, mas conheço pessoas que o tiveram e a sensação é de morrer mesmo. Terrível. 

Ninguém quer passar por isso, independente do dinheiro e do poder que você acumular. 

Foi assim para a Arianna Huffington.

E foi assim para o Sebs: depois de um tempo de recuperação, pediu as contas ao banco, e se matriculou na Johns Hopkins para perseguir seus sonhos. Depois de mais uma década, ele hoje é empreendedor no ramo das cervejas, talvez ganhe até mais do que no banco, isso não sei, mas sei que é uma pessoa muito mais realizada, e diria eu bem sucedida. 

Pois qual a métrica de sucesso, na vida? Dinheiro? Tradicionalmente foi e ainda é a maior. Poder? Para muitos é também. Mas para a maioria das pessoas, a pergunta: “o que sucesso é?”, costuma ser feita apenas após esses eventos dramáticos.

Até a gente se perguntar isso, nós costumamos realmente priorizar dinheiro e poder. E normalmente todos dizemos äh mas eu não sou assim, eu priorizo outras coisas”mas na verdade continuamos a pensar da mesma forma. A parte mais interessante disso é o Porque? Porque continuamos a nos mensurarmos sucesso em termos de dinheiro e poder?

A resposta é simples: porque são mais fáceis de medir, e nos permitem comparar com os outros. 

A Thalassa Coutinho, que trabalha com branding pessoal, nos conta como medir a evolução de nossas marcas pessoais, na direção do sucesso profissional:

“Existe mais clareza em nosso posicionamento quando a gente tem um branding pessoal bem definido. Isso é muito importante porque muitas pessoas procuram se posicionar na Internet ou fora da internet e muitas vezes por não ter clareza de onde elas querem chegar, que tipo de pessoas elas querem alcançar, acaba sendo uma comunicação confusa sobre quem elas são para onde elas estão indo,  o que elas estão oferecendo. Então a gente percebe a efetividade quando existe clareza em nós mesmos a respeito da nossa marca pessoal. E com isso a gente consegue fazer uma boa gestão. E isso fica muito claro para o mundo, fica claro para as pessoas que você está querendo alcançar, você consegue alcançar as pessoas certas. E mais do que isso,  você gera real uma transformação na vida das pessoas. Então você consegue perceber porque as pessoas te abordam. Elas contam para você como aquilo mudou a vida delas em algum nível. Se eu puder dar uma única dica para a pessoa poder melhorar a própria imagem, é ela ter clareza do próprio posicionamento dela, ter clareza do objetivo que ela tem. Se ela soube responder qual é o seu objetivo. Quais são as pessoas que eu quero alcançar? O que eu estou oferecendo? Essa minha oferta ela impacta no meu posicionamento de qual forma?  Em qual nível?  Como eu vou ser percebido pelas pessoas?  Como é que as pessoas vão falar de mim? Isso já é um ótimo ponto de partida para que você comece a entender onde você precisa de ajuda para começar a fazer uma boa gestão da sua marca pessoal e em consequência você melhorar sua imagem de forma pública.”

É muito mais fácil medir o dinheiro em nossa conta, e dissermos se somos bem-sucedidos ou não, do que medir nossa saúde: a gente não tem 100% visibilidade disso. É muito mais fácil a gente se apegar a cargos organizacionais e disser: eu sou mais poderoso de você, então melhor sucedido, do que disser: eu sou mais feliz que você, então mais bem sucedido. Eu caí na tentação de pensar nisso quando aos 31 anos assumi como diretor na L’Oreal: eu sou um dos diretores mais novos da organização, então estou mais bem sucedido do que a média. Que erro! 

O erro é duplo: em acreditarmos que precisamos medir o sucesso, e que ele nasce da nossa comparação com os outros. Particularmente em termos de comparação, nunca cansarei de falar,nesse podcast: a vida é um jogo infinito, assim como os negócios.

Quem lembra da teoria do jogo infinito, no primeiro episódio, do Simon Sinek? Pois bem, está tudo lá. 

De nada adianta compararmos com os outros, pois nossa vida é um jogo infinito. Simplesmente não faz sentido se comparar com os outros, mas apenas com nosso antigo eu. E definindo nossa própria métrica de sucesso: não tem nada universal.

Para o Clayton Christensen, famoso autor de negócios recém falecido que popularizou o Dilema do Inovador, e que escreveu o livro: “Como avaliar a sua vida?”, ele diz que o fator singular mais importante para nossa felicidade, e é nossa relação com a família e amigos. 

Para ele! Mas para você? Pode ser diferente.

E isso tudo está atrelado ao conceito de propósito, do que é importante na sua vida e do porque você o está fazendo.

O Edu Valladares convidado de hoje também vai contribuir com também uma visão dele sobre propósito e como entender propósito e legado:

“Andrea, acho interessante essa conversa sobre o propósito, mas eu gosto muito mais de falar da busca por um legado. Eu explico. Eu tenho um certo receio de essa busca pelo propósito acabar se tornando em uma ditadura, sabe? Hoje eu tenho 42 anos, e se alguém me perguntasse aos meus 18, 19 e 20 anos se eu já tinha o meu propósito definido para minha vida, para minha carreira profissional. Não não tinha. Eu vejo que isso pode vir a mudar. Então minha definição é no sentido de que é importante buscar. Porém eu acredito muito que as nossas vontades e paixões elas vão mudando com o tempo. Então eu acredito muito mais num cenário de que o legado é aquilo que a gente vai construindo em diferentes fases. Eu já passei por várias experiências profissionais. Eu entendo que eu estou deixando um legado no meu cenário da educação. A partir desse recolhimento das experiências que eu fui adquirindo, entende?”

Tudo me remete a uma antiga historinha budista: uma noite um homem perdeu as chaves de casa, e um amigo o encontra buscando furiosamente as chaves embaixo de um poste iluminado. O amigo então lhe perguntou se ele lembrava onde lembrava te-las na mão da última vez, e ele respondeu: lá, naquele campo de arroz. Aí então o amigo, perguntou, surpreendido: “porque não está procurando lá?”. O homem então respondeu, como se fosse óbvio: “mas a luz está melhor aqui”. Ou seja, será que a gente está buscando sucesso em dinheiro e poder porque são mais luminosos e fáceis de achar, entre aspas, ou precisamos ir lá até o campo obscuro achá-las?

Para encerrar esse episódio, quero usar mais uma frase da Arianna em que ela diz: 

“Nós pensamos, erroneamente, que sucesso é o resultado da quantidade de tempo que colocamos no trabalho, em vez da qualidade de tempo que dedicamos a ele.”

Antes que você comece a pensar nessa frase, quero te falar uma segunda frase, dessa vez do Charles Darwin, em que ele diz:  “Aquele que ousa perder uma hora de seu tempo não sabe o valor da vida.”

Sabe, essas duas frases caminham juntas. Se você entender que o seu tempo é valioso, você irá entender que precisa aproveitá-lo de maneira boa o suficiente para ele ser, de fato, bem aproveitado. Seja no seu trabalho, seja na sua vida pessoal.

Qualidade é uma métrica de sucesso básica. Daquelas que você precisa sempre prestar atenção se está conseguindo entregá-la. 

E, se por um acaso, achar que está gastando muito tempo para conseguir sucesso na sua vida pessoal e/ou profissional, pergunte a si mesmo: Eu estou agindo com qualidade? Eu estou sabendo usar o meu tempo? Aliás, eu sei o quão precioso o meu tempo é? Te garanto que essas perguntas podem mudar completamente a forma na qual você vê o mundo, e a forma que o mundo irá te ver. E lembre-se, consistência importa. Imediatismo não vai te levar a lugar algum, a não ser a frustração.

Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade.  As melhores 5 respostas irão estar no podcast e também irão receber o meu livro “ 6 Competências para Surfar na Transformação Digital” de presente na sua casa.

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou! Qualquer dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

 

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