PODCAST

Simon Sinek pt.2: inovação x eficiência, reinvenção pós-Covid 19, e ser palestrante comentado por Andrea Iorio.

"100% dos clientes são pessoas. 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios."

SIMON SINEK

O 20º episódio do Metanoia Lab é especial e comemorativo! E antes que você se pergunte, sim, já tivemos um episódio do Simon que, aliás, foi um sucesso! Justamente por isso resolvemos repetir a dose.

Afinal, Simon Sinek é demais, não é mesmo?

Britânico de origem, Simon Sinek viveu em Joanesburgo, África do Sul, Londres e Hong Kong antes de morar nos Estados Unidos.

Após se formar em antropologia cultural, ele se matriculou na faculdade de direito até que percebeu que não era de fato o curso que queria seguir, então abandonou a faculdade e entrou no mundo corporativo, onde arranjou empregos em grandes agências de publicidade e marketing como a Euro RSCG e Ogilvy & Mather.

Aí ele combinou seu brilhante intelecto com uma capacidade única de se promover, e virou um dos maiores palestrantes do mundo! Pra mim é um ídolo, e acho que o grande diferencial dele é saber explicar conceitos extremamente complexos, de forma super intuitiva. Ah, e além de tudo, ele se apresenta como um grande otimista…que possamos aprender com ele, ainda mais na crise que estamos vivendo!

Uma coisa é certa, experiência ele tem de sobra não é mesmo?  E ele fala bastante dela na frase que iremos escutar. Spoiler: A definição de inovação e eficiência vão ser apresentadas de uma maneira completamente diferente para você! Vamos escutá-la!

 

“Eu ouço isso o tempo todo, especialmente por parte de alguns CFOs e isso me faz rir toda vez. Pergunto para o CFO: ” Qual a sua prioridade?” E a resposta é “Eficiência e inovação.”Boa sorte com isso. A inovação não é eficiente. Inovação é tentativa e erro. Inovação é experimentação. E inovação é testando o tempo todo. A inovação funciona fazendo algo que falha e falha e falha e se mantém, porque podemos ver a luz no fim do túnel. E não vamos nos afastar disso, mesmo que tenha falhado nas duas ou três primeiras vezes. Você sabe, o seriado Seinfeld foi um desastre com classificações terrivelmente baixas quando foi lançado. E, graças a Deus, eles não estavam tomando as decisões com base nas avaliações que estavam recebendo, mas com base no que eles consideravam ser um bom conteúdo de televisão. E quando acreditamos em algo desesperadamente, a pior coisa que podemos fazer é cortar as pessoas que têm intensa paixão por algo.”

Já pensou que existe um paradoxo no processo de inovação pelo qual se você faz a coisa certa, você está errando, e se fizer a coisa errada, está acertando?

Pois é paradoxal mesmo pensar como líderes de mercado que aparentemente estão fazendo tudo certo, acabam perdendo sua posição dominante ou até falindo, por causa de competidores inesperados?

Pense na sequência Nokia, BlackBerry, iPhone e agora Samsung e Huawei.

Ou até na sequência tradicional do varejo, ou seja Sears, Walmart e agora Amazon.

E isso você vê em inúmeras indústria, não menos a automotiva, onde a Tesla em junho 2020 se tornou a montadora mais valiosa do mundo, obviamente graças a suas inovações e certamente não pelo número de veículos vendidos, que é muito mais baixo de qualquer outra competidora. 

Bom, esse paradoxo é chamado de “dilema do inovador” e foi popularizado pelo famosíssimo professor de Harvard Clayton Christensen, ao qual prometo dedicar um dos próximos episódios do Metanoia Lab por ter sido o maior pensador sobre inovação dos tempos recentes.

Existem vários fatores que estão atrás do dilema do inovador, mas não irei me adentrar em todos agora. O fator que eu quero abordar É o que justamente o Simon comentou na frase acima, que é o fato da inovação ser ineficiente. Duas ressalvas aqui: primeiro, temos que nos atentar pois do que estamos falando em si é do processo de inovação, não da inovação em si, pois obviamente quando uma inovação bem sucedida chega até o consumidor , costuma trazer eficiências. Então vamos lembrar, estamos falando do processo de inovação como ineficiente, tá ? O segundo é que sei que essa frase que a inovação e é ineficiente também soa como um paradoxo, mas não é. 

Primeiro, porque se a gente olha para os números da inovação, não tem nada de eficiente aí: estatísticas mostram que de 60 a 80% de novos produtos fracassam, assim como os que dão certo são resultados de inúmeras iterações e erros, iterações e erros, iterações e erros e assim por diante. 

Tem uma frase muito legal do Soichiro Honda, fundador da Honda, que diz que “ Sucesso é aquele 1% de trabalho que nasce do 99% que é chamado de fracasso”. Esse 99% de fracasso é doloroso, e por isso o evitamos, e sobretudo caro! Orçamentos são alocados para inovação, mas muitas vezes cobrando um retorno rápido e quando não der retorno, são cortados para reforçar o core business. Muita inovação pede ciclos de pesquisa e desenvolvimentos longos e consequentemente caros, e segurar a barra por tanto tempo é difícil: pense apenas nos ciclos de p&d da indústria farmacêutica, que desde o descobrimento de uma molécula é o produto chegar ao mercado demora de 7 a 12 anos…haja tempo, dinheiro e sobretudo paciência!

Essa é a equação da inovação, e no imediato, tem RÓI negativo, e isso assusta. 

Mas tem mais: a inovação não substitui o antigo de imediato, mas tem uma curva de adoção! No episódio do Malcolm Gladwell, nós vimos que o ponto de flexão da inovação seguindo a curva de difusão da inovação, está na casa de 20% do público alvo. Isso não é de um dia para outro.

Ah, e tem mais algo que vou falar mais pra frente em detalhe no episódio, e que nos assusta: canibalizar através da inovação o nosso core business, que foi um sucesso até aí e para o qual somos, entre aspas, apaixonados. Ou seja, é evidente que o processo de inovação é ineficiente! Agora, ainda assim é fundamental pois é ela que garante a sobrevivência e prosperidade do seu negócio no longo prazo, até porque, precisamos lembrar que nesse meio todo, o mundo, o mercado e o consumidor muda o tempo todo e pede inovação o tempo todo.

Agora, o mais surpreendente dessa fala é que existe o outro lado da moeda também: eficiência atrapalha inovação! Ou seja, não é só que inovação é ineficiente mas também a eficiência é um obstáculo à inovação: Deixa explicar como: a Harvard Business Review publicou um artigo chamado “the high price of efficiency”, ou “o alto preço da eficiência”, diz que a eficiência que vem das inovações bem sucedidas (de novo, mesmo que o processo seja ineficiente o output dele costuma trazer eficiências ), eficiência em si faz com que inovação seja menos provável por concentrar lucros e poder em uma ou duas companhias dentro de cada mercado.

Pense bem em Facebook, Google e Amazon: elas dominaram suas respectivas indústrias a tal ponto que é bem difícil agora ter inovação do tamanho que ameaçaria ela: as startups que apresentam ameaças frequentemente são compradas e incorporadas. E isso não é só em tecnologia: o lucro 100 empresas mais lucrativas dos Estados Unidos tem 84% dos lucros totais das empresas listadas na bolsa de valores dos Estados Unidos, e não era assim 20 anos atrás.

Bom, até agora vimos que o processo de inovação vai praticamente contra todos os indicadores de um negócio saudável, e consequentemente precisam existir pressupostos e fatores facilitadores para que a inovação aconteça, porque se não simplesmente inovação não faz sentido acontecer sob todas as condições normais de negócio que qualquer empresário ou empreendedor saudável de cabeça almeja manter. Obviamente o custo de oportunidade das ineficiências no processo de inovação são menores com um empreendedor que está começando do que uma companhia que já inovou no passado e é líder de mercado, ao mesmo tempo que empresa líder de mercado tem mais recursos para ir atrás de um processo de inovação, mas frequentemente não quer.

A verdade é que diz que quer, mas não quer no fundo.

Isso tudo devido ao fato que o sucesso delas no passado, define as escolhas que elas fazem agora. E esse é um problema, pois o que deveria determinar o nosso processo de inovação são as circunstância atuais. Pense bem, as circunstâncias mudam mas nem sempre as empresas inovam a partir delas. O que muda, por exemplo?

Primeiramente, são os problemas que mudam: novos problemas ou “dores” do cliente podem derrubar inovações obsoletas, pois as expectativas do cliente mudam. Pense bem: o disque-pizza já foi uma enorme inovação, mas concordamos que já não atende mais as expectativas dos consumidores hoje, acostumados a pedir e pagar com um clique, rastrear o pedido, e receber o pedido rapidamente pelo iFood e Rappi?

Segundo, as tecnologias mudam: existe um upgrade constante de tecnologias, seguindo a Lei de Moore (que diz que a capacidade de processamento dos chips dobra a cada 2 anos em média), que faz com que a tecnologia usada para resolver o problema do cliente evolua constantemente. Quando eu era adolescente, achava o máximo jogar minhoca e mandar torpedos com meu Nokia 3310, e nos meus anos de faculdade já era capaz de mandar e-mails e BBM pelo meu Blackberry. Hoje faço tudo pelo meu iPhone, e já fico pensando com curiosidade qual será a próxima inovação nessa área.

E por último, também os modelos financeiros e custos de inovações mudam o tempo todo, o que podem fazer inovações que eram inviáveis e caras até hoje, viáveis de repente. Vamos pensar no exemplo da Tesla por exemplo: através de investimentos e P&D na área de baterias elétricas, conseguiram baratear o custo das baterias ao ponto que começaram a ser mais rentáveis e algo que era inviável se tornou o “combustível” da revolução no setor automotivo na Tesla.

Mas nem todo o mundo entende isso. É por isso que muitas organizações somem após crises, e outras prosperam. Existe um proverbio chines que diz, que “quando os ventos da mudança sopram, alguns constroem muros, e outros moinhos”. É isso mesmo! De qual categoria a sua organização fará parte, após a crise atual? Para entender melhor essa dependência do passado, vamos ouvir esse próximo trecho do Simon Sinek.

“Mudanças, ou acontecimentos inesperados, tirou do mercado muitas empresas e fez com que outras se fortalecessem e se reinventassem. A invenção da Internet fez muitas e muitas empresas falirem, ou seja as que não conseguiram reinventar suas empresas para a era da Internet, mas insistiram na maneira antiga de fazer negócios. Toda locadora de vídeos está fora do mercado por causa do streaming e não conseguiu se reinventar. Quando a Starbucks começou a se espalhar para os bairros, muitos e muitos cafés locais faliram. Muitas cafeterias fecharam seus negócios não por causa da Starbucks, mas porque se recusaram a mudar a maneira como faziam negócios. Eles ainda tinham um velho sofá rasgado, enquanto o Starbucks tinha um produto melhor. O Uber quebrou as empresas de táxi, não por causa do Uber, porque os táxis se recusavam a mudar. Essa crise do Covid-19 não é nada inédito. O fato que seja algo novo e mais repentino, absolutamente, o faz mais chocante. Absolutamente, sem dúvida. Mas isso não é inédito no mundo dos negócios. E o que precisamos é dizermos não como fazemos o que estamos fazendo, mas como faremos o que estamos fazendo em um mundo diferente? E o mundo é diferente.”

Em 2004, o Blockbuster, loja de aluguel de DVDs, estava no seu auge, mas um pequeno competidor chamado Netflix, que também alugava DVDs mas sem cobrar taxas para atrasos na devolução e inovando em modelos de negócio, estava ameaçando. Quando o Netflix migrou para Streaming, o Blockbuster não acompanhou pois mesmo tendo sido inovador, não tinha uma cultura de inovação que buscava inovação constante mas tentava proteger o próprio core, que lhe garantiu sucesso até aí. Um episódio que demonstra isso foi certa vez, em uma discussão no conselho de administração, o CEO chegou pedindo aprovação para um projeto de testar um modelo por assinatura também, igual o Netflix vinha fazendo: simplesmente o preço era mensal e não tinha uma taxa de cobrança para devoluções atrasadas. O conselho achou uma loucura: eles negaram o experimento, pois multas para atrasos representavam mais de 10% das receitas totais do Blockbuster. Mais exatamente, 12%. Ou seja, acabaram perdendo 100% das receitas alguns anos depois ao declarar falência, por não ter abrido mão de 12% das receitas para experimentar inovações. 

Outro exemplo que o Blockbuster ficava preso aos padrões do passado era que em certa campanha de marketing que fizeram, eles publicaram cartazes zoando o algoritmo do Netflix: eles simplesmente escreveram : Netflix has an algorithm. We have a callgortihm” mostrando a foto de um atendente de Blockbuster no telefone, fazendo um jogo de palavras sobre o fato que enquanto o algoritmo era algo obscuro e incompreensível, os atendentes deles disponíveis ao telefone iam ser melhores a fazer você escolher o filme certo. 

Oh, se eles soubessem que um dia no futuro o algoritmo do Netflix seria tão assertivo que sempre que você abre o aplicativo, tem algo para você aí que é a sua cara? Bom, chega de falar do exemplo Blockbuster e Netflix porque já sei que é um exemplo ultrapassado e iremos falar de exemplos mais recentes, mas a pergunta aqui que o Simon Sinek nos faz o é: será que foi o Netflix que tirou o Blockbuster do mercado, ou foi o fato de não ter uma cultura de inovação do Blockbuster mesmo que o fez? Muitas empresas hoje se encontram ao mesmo dilema dos executivos do Blockbuster na época. 

Eles tem que escolher como reagir ao caos da Pandemia. Sim, é o caos, temos que admitir. 

Mas o caos é poderosíssimo, e inúmeras empresas nasceram em períodos de recessão e caos, como Disney, CNN, Burger King, Microsoft, Airbnb e outras.

Ao final, o caos gera oportunidades , o caos muda as regras do jogo, e muda quem está na frente.

Funciona mais ou menos assim: nós somos condicionados por um conceito chamado “dependência histórica” ou “path dependency” em inglês, onde praticamente tomamos decisões baseadas nos sucessos do passado em vez do que nas situações atuais. Nesse contexto nós repetimos decisões antigas, e perdemos oportunidades que estão bem na nossa frente, pelo fato que estamos presos aos nossos sucessos antigos. Mas quando temos crises, essas crises levam ao caos, e sabemos que o caos é imprevisível e isso faz com que esse caminho da dependência seja redesenhado, em outras direções. Vamos para um exemplo histórico. 

Pense bem: o que o David de Michelangelo, os afrescos da Capela Sistina, o Homem Vitruviano do Leonardo, a invenção da estampa por parte do Gutenberg, a invenção da contabilidade e finanças modernas, as obras do Shakespeare, o teto da Basílica di San Pietro, em Roma, e o método científico? É que todas essas obras magníficas e inovações vieram durante o período da Renascença, ou Renascimento em italiano, que veio após a crise mundial causada pela pandemia da Peste Bubônica, também chamada de Morte Preta, que causou a morte de 200 milhões de pessoas. 

Mas o que a Peste Bubônica também fez foi que quebrou a dependência da trajetória de um mundo feudal e pré-aristocrático, através dessa crise que introduziu uma maior movimentação social e o surgimento de uma classe média que mudou as regras no mundo da arte, da ciência, da tecnologia, da música e da geografia, e assim por diante. 

Vamos fazer um paralelo com o mundo do Covid-19: mesmo que de uma intensidade bem menor a Peste da Idade Média, o Covid também trouxe uma crise que introduziu um caos na trajetória de dependência recente que estávamos vivendo. Porque olha só: entre 2010 e 2019, o mundo viveu, e aqui repito o mundo e não estou falando em específico do caso do Brasil, um dos períodos de maior crescimento da história recente. A Crise do Covid vai trazer uma crise, que especialistas apontam a ser equivalente a uma retração de em torno de 8% do PIB mundial, com um caos de 6 a 12 meses devido a imprevisibilidade do que vai acontecer. Mas atenção, é aqui que temos a chance de mudar de trajetória, e muitas regras do jogo mudarão. Por exemplo terá quem vai entender os novos comportamentos do consumidor e quem não. Quem vai aprender a liderar times remotos, e quem não. Quem vai aproveitar as baixas taxas de juro e financiar a inovação, e quem não. 

O problema é que quando as coisas vão bem, como na década 2010-2019, as companhias costumam implementar regras, políticas, processos, estruturas, compliance, e afins, e é daí que ficamos presos em uma trajetória. E é daí que, diante do processo de inovação e transformação, nos dizemos uma das seguintes: “não somos  grandes o suficientes”. “Não somos pequenos o suficiente”, “isso não é relacionado á gente”, “não conseguimos fazer isso”, “precisamos ter foco no que funciona”, “precisamos alcançar resultados”…ou seja, o que nós dizemos? Desculpas. Desculpas, desculpas e desculpas.

Agora, não me entendam mal: crises são terríveis, e vem com enormes fardos, o principal do Covid-19 sendo as vidas humanas que carrega consigo. Mas tem algo muito interessante: crises geram um senso de urgência. Na maioria, nem em todos né, mas na maioria sim. Mas porque nós não vemos esse senso de urgência até uma crise? Isso é explicado com o experimento da rã, em uma panela com água quente: quem já conhece? `É uma fábula bem ruim, do passado, mas onde se percebeu que ao jogar uma rã em uma panela com água quente, ela sente o calor, e ela pula fora. Mas se você colocar ela em água fria e esquentar a panela, ela não vai perceber até, infelizmente, falecer. O mesmo acontece com a gente! Até as crises ocorrerem, nós super estimamos nosso senso de controle e só retomamos o senso de urgência quando a crise nos pegar. Quando tocamos na água quente. 

Um grande exemplo é o da Dominos pizza: em torno de 2010 estava a beira da falência, então começou a fazer vários experimentos, desde um botão para colocar na sua casa para pedir pizza, para fazer delivery via drone, até poder pedir pizza via emoji. Imagine qual outra empresa de pizza que estivesse indo bem e você como CEO e chega para o conselho e fala que entre suas últimas iniciativas teve de implementar um sistema para pedir pizza via emoji? Na maioria das empresas, você seria ridicularizado, e provavelmente dispensado. 

O Patrick Doyle, o CEO que fez a revirada da Domino’s, criou uma cultura da inovação e de tolerância ao erro que fez a empresa valorizar as suas ações de mais de 10 mil porcento, e também ser eleita pela Fast Company como uma das empresas mais inovadoras do mundo em 2019, tendo hoje mais da metade de suas vendas vindo de canais digitais. 

A Domino’s podia bem estar na lista das companhias que o Simon Sinek fez no áudio dele, mas não esteve.

E aqui que temos que fazer uma ressalva importantíssima: inovação não te salva. Inovação inclusive pode ser sua cruz, o motivo pelo qual você não se transforma. Porque inovação do passado pode ser o obstáculo da inovação no futuro, como falamos na primeira frase. 

Então temos que distinguir entre inovação, e uma cultura da inovação. Nós precisamos da segunda, pois inovação em si é um resultado, um output. O que precisamos é uma cultura de empresa que nos faça inovar sempre que as circunstâncias dos mundo pedem, mesmo que isso signifique matar uma inovação do passado. O grande ponto da inovação é que ela não dura para sempre, pois as circunstâncias externas do mercado, do cliente, e do mundo, mudam o tempo todo (e ainda mais rapidamente no mundo digital) como a gente disse anteriormente, e para que a empresa tenha prosperidade, precisamos é de uma cultura enraizada da inovação. Já dando um pequeno spoiler, em um próximo episódio do Metanoia Lab sobre o Clayton Christensen iremos falar a fundo sobre cultura da inovação, mas já antecipando, um dos fatores fundamentais para que exista uma cultura da inovação é uma boa comunicação. Sim, comunicação precisa fluir, e ainda mais passa por um líder que comunique bem a mudança, e tenha uma boa oratória.

Agora, não é dúvida para ninguém que o Simon Sinek é um dos melhores oradores e palestrantes desse mundo. E é por isso, que vamos ouvir esse próximo trecho onde ele nos conta mais sobre o trabalho de palestrante. Ouça só.

O que realmente ajuda é que eu aprendi a mudar minha perspectiva. Por exemplo, eu subo nos palcos para me doar e sempre lembro às pessoas que a coisa mais importante para ser um apresentador eficaz, um palestrante eficaz, é que você tem que aparecer com uma atitude generosa. Você tem que aparecer para doar alguma coisa. Você viu alguma coisa. Você fez alguma coisa. Você tentou algo que alguém acha que os outros precisam ouvir. Por isso convidaram você para falar. O problema é o número de pessoas que aparecem para pegar e não para dar, e você pode vê-lo. É muito claro ver as pessoas fazendo uma pergunta e elas dizem: você terá que comprar meu livro, ou você pode me dizer a resposta, porque você sabe a resposta porque escreveu no livro. Certo. Mas claramente, eles estão tentando impulsionar as vendas de livros. É uma mentalidade de pegar dos outros, e não de dar.. Cada slide do PowerPoint tem o Instagram, o email, o site e o Facebook dessa pessoa. Claramente, eles querem que você os siga. Eles querem que você alcance. O último slide é o site e o email. Certo. Eles têm uma mentalidade de pegar de você. Eles aparecem e a primeira coisa que fazem é contar suas credenciais. “Olá, meu nome é Dr. Bloddy Blye, Eu trabalhei para cinquenta e cinco empresas. Aconselho CEOs e generais.” E deixe-me contar uma coisinha. É sobre eles. É muito fácil e rápido discernir quem é quem dá, e quem é quem recebe. Os melhores oradores. Cem por cento deles. Você olha para as dez melhores pessoas que conheço, Sir Ken Robinson, Amy Cuddy e Brene Brown. Certo. Dan Pink, todos eles. Todos eles estão lá. Mais uma vez, nenhum deles quer nada de ninguém, nem mesmo a sua aprovação. Não conheço nenhum grande orador que fique nos bastidores e pense: Eu vou receber uma ovação de pé. Você pode obter um se ganhar, se eles decidirem que você deu para eles algum valor. Não é por isso que você aparece. Você aparece para se doar.”

Um momento muito importante em minha carreira de palestrante, que começou de uma forma meio que casual, foi um encontro que eu tive com o ator Odilon Wagner. Não sei se todos conhecem, mas ele atuou em várias novelas, conforme me diz Wikipedia pois eu nao conheço também muito da TV Brasileira: a pagina dele de Wikipedia diz que Teve trabalhos de destaque na televisão, em produções como Corpo a Corpo, Selva de Pedra, Carmem, Explode Coração, Por Amor, Chiquinha Gonzaga, Cobras & Lagartos, Caminho das Índias, Segundo Sol, além de três temporadas do seriado Malhação, nos anos de 2002, 2011 e 2014. Essa foi minha mini aula sobre TV Brasileira…perdi muito ao nunca ter assistido nenhum desses? Me conte pelas redes sociais, que se for eu vou assistir tudo online kkk. 

Bom, a DMT Palestras, em uma fase que os pedidos de palestras estavam aumentando bastante, me falou que marcar umas sessões com ele para melhorar minha oratória. Nós tentamos marcar uma sessão inicial no Rio, mas acabamos conseguindo só depois de um tempo de tentativas na Vila Madalena, onde ele tem o estúdio dele, em São Paulo. 

Assim que eu entrei, ele me disse algo muito surpreendente. Ele disse: “Eu sei que a DMT te mandou pra cá, mas você não precisa de mim”. Ai eu retruquei, meio confuso: “Por que?”. Ele falou que já tinha pesquisado videos online de mim, e que eu não precisava fazer aulas com ele porque já estava bem desenvolvido. Eu até hoje discordo, porque naquelas duas horas de sessão aprendi mais sobre o que é ser palestrante que ao longo de anos anteriores, mas o que posso antecipar é que ele foi extremamente atencioso e ao final inclusive nem me cobrou nada! Eu fiquei super sem graça, mas não teve jeito! Carrego comigo até hoje algumas lições incríveis como por exemplo algumas estratégias de quebrar a quarta parede, que ele, vindo do mundo do teatro, usava para se referir a separação virtual entre palestrante e público, assim como até hoje faço algo que se inspira do campo da música: eu desenho ondas de intensidade ao longo da minha palestra impressa no papel, ou no ipad. O quer dizer isso?

Eu simplesmente escrevo, palavras por palavra, minhas palestras, as imprimo e normalmente são muitas folhas, e depois com uma caneta desenho ondas como se fosse um eletrocardiograma, onde desenho onde devo descer de intensidade, assim, ou onde devo acelerar para dar mais foco ainda, tipo alcançando um clímax assim!

É meio que um trabalho de diretor de orquestra, e te aconselho muito fazer algo do tipo para suas palestras e apresentações. 

Bom, eu quis falar essa história sobre o Odilon Wagner por 2 motivos: primeiro, que foi um momento de virada na minha carreira de palestrante pois a partir daquele momento profissionalizei tudo e comecei a me desenvolver ao longo de 5 eixos principais que ao meu ver são os fundamentais para quem ser palestrante. 

Mas antes de chegar lá, o segundo motivo é que ele demonstrou ser uma pessoa que dá, e não tem a mentalidade do pegar. O que isso leva é admiração por parte dos outros através da generosidade dele ao dosar seu conhecimento para alguém, desconhecido para ele até pouco tempo atrás, como eu. 

Essa experiência com o Odilon foi a personificação do que significa realmente ser uma pessoa que dá, e eu comecei a pensar como podia ser assim a cada vez mais em meu negócio de palestras. Até porque admito que sim, eu estava naquela fase, palestrando para receber. Queria que as pessoas me seguissem no Linkedin, que quisessem baixar os aplicativos dos quais sou sócio ou até mesmo o Tinder, pois acho que eu estava trabalhando no Tinder ainda naquela época, e sim, admito, também visava um retorno financeiro dessa profissão. O que aconteceu? Encarava meu trabalho de forma mecânica, meio que repetindo sempre os mesmos temas de palestras, e não mudando muito o repertório, para maximizar o volume de palestras e consequentemente receber mais. 

Cheguei a um ponto, onde quase tinha perdido o prazer de dar a palestra que dava, pois eu pensava entre mim mesmo : “Nossa, de novo repetir isso tudo?”. Foi aí que eu entendi que ou mudava, ou isso não podia virar minha profissão.

E foi daí que mesmo recebendo, quis dar mais do que isso, para que o saldo ficasse positivo. O Metanoia Lab é um pouco a concretização disso, ao distribuir de forma gratuita muitos dos estudos e reflexões que eu faço ao longo da semana lendo meus autores preferidos…meio que já fazia um pouco disso com meus conteúdos  no Linkedin, eram uma forma de dar. E percebi com eles e com esse podcast que dar é muito mais prazeroso que receber, pois os feedbacks que recebo de cada um de vocês, enche meu coração de alegria. 

Mas voltamos ao momento marcante da minha trajetória após o encontro com o Odilon Wagner, pois foi mais ou menos naquela época que fiquei refletindo sobre as características que te fazem um bom palestrante ou menos. Se você almeja ser um palestrante profissional um dia, ou já é um, acho que você vai se interessar muito nessa próxima parte.

Bom, essa teoria que desenvolvi é que praticamente você precisa trabalhar 5 áreas, para ser um bom palestrante profissional. Essas áreas são, respectivamente: Autoridade, Repertório, Oratória, Networking, e Mistério. Curioso de saber mais sobre cada um? hehe agora vamos entrar mais em detalhe. 

1 – Autoridade: pra começar, você tem que ter a autoridade para falar de um determinado assunto. Sem autoridade, não há como virar profissional a menos que através do marketing, você passe uma aparência de autoridade que na realidade não possui, como acontece muito por aí. Mas a verdade é que eles podem até se vender bem em seus próprios eventos, mas particularmente em eventos de terceiros, especialmente empresas, eles são reconhecidos de longe e quase nunca trazidos. Pra começar, tenha autoridade, e se não a tiver, a construa. E para isso, você precisa do próximo ponto, o segundo. Aqui vai por exemplo o Leandro Karnal como exemplo, com os inúmeros livros que ele escreveu e os anos de aulas, ele é quem mais tem autoridade para dar essas palestras filosóficas pelas quais é conhecido. 

2 – Repertório: você precisa constantemente estudar, falar com pessoas, ler, escrever, se inspirar para ter um repertório vasto. Fazer um copia e cola da sua palestra em vários eventos não vai funcionar, pois primeiramente você não vai ser chamado de novo pelo mesmo cliente, e também você não demonstra versatilidade e originalidade. Isso é importantíssimo para poder adaptar a palestra ao mercado do cliente, e as mudanças em tempo real do mercado, e também para as sessões de perguntas pois imagina que mico você não saber responder algo após uma palestra onde prometeu o céu? Aqui no Brasil para mim uma grande referência é o Artur Igreja, palestrante de inovação, que atualiza o repertório dele praticamente a cada palestra….admiro muito o trabalho dele!

3 – Oratória: esse é o mais óbvio de todos, mas não podemos deixar ao lado justamente porque é óbvio. Oratória é fundamental, ela faz a diferença entre uma palestra prazerosa e impactante, e uma onde após 2 minutos você pega o celular e joga Candy Crush, mesmo que as duas tenham o mesmo conteúdo. E oratória não é só voz, mas é movimentação, gesticulação, entonação e pausas e assim por diante…na gesticulação eu tenho vantagem por ser italiano! E olhe só, isso é treino, não é genético: todos nascemos com medo de falar em público…simplesmente o ser humano não foi feito para isso! Eu faço o seguinte: me gravo com uma câmera e assisto novamente, não treino na frente de um espelho…mas faça da forma que preferir, porém é preciso ensaiar, ensaiar, e ensaiar. Ponto. Aqui um grande exemplo para mim é a Brene Brown, ela tem uma oratória sensacional….quem já assistiu a palestra dela no Netflix? 

4- Networking: para poder estar em mais eventos, e em mais empresas, você precisa conhecer, e ser conhecido por, muita gente. É um trabalho de relacionamento, de sempre conversar com novas pessoas para, primeiro, se inspirar com elas, e segundo, ser sempre top of mind para elas quando a situação é de escolher um palestrante. Então faça networking no mundo físico e no virtual, através do Linkedin, marcando aquele cafezinho, e sendo conhecido e reconhecido pelos tomadores de decisão nas companhias e instituições onde você almeja palestrar. Para mim um grande exemplo aqui no Brasil é a Martha Gabriel, pois ela é conhecida e querida por quase todo mundo nas empresas, graças ao excelente trabalho que ela  faz e a gentileza que a distingue. 

5- Aura/ mistério: esse é interessante, e pelo nome, você já deve estranhar. O que é isso, Andrea? Bom, um dos principais motivos pelos quais palestrantes são chamados vai além do conteúdo que eles passam, mas é o prestígio de eles estarem aí, às vezes para assinarem seus livros, tirarem foto…e o quanto mais você cria essa aura de mistério, e tem um estilo que se destaca e faz as pessoas quererem conhecer pessoalmente, isso reforça muito o seu perfil de palestrante. E isso significa às vezes ir na contra tendência e ser menos presente nas redes sociais, e menos acessível…pense no Yuval Harari, o historiador israelense autor do Sapiens, ele tem uma aura de mistério que, pelo menos para mim, o faz extremamente intrigante e interessante.

Tente fazer assim agora…se de uma nota de 0 a 10 em cada uma dessa área, e desenhe um pentágono a partir das notas que você teve, estilo um teste atitudinal…quem já fez? Pois bem, dessa forma você vai conseguir ver de forma visual as áreas onde você ainda precisa trabalhar muito, e as que você se considera forte. 

Após ter feito isso, peça para 10 colegas de responder isso, de forma anônima por exemplo em um Google Form, e veja o que eles acham de você. Agora analise as possíveis semelhanças ,e  as outras diferenças. Como você está? Pois bem, com isso claro na cabeça agora você já sabe por qual caminho ir no seu desafio de ser um palestrante profissional….só saiba que o trabalho é bem pesado e de longo prazo, tem que ter muita garra, paciência e vontade….pois não é só dar uma palestra e depois curtir a piscina do hotel onde você está, mas é estudo e prática o tempo todo. E qualquer dica para seguir esse caminho, não deixe de me contactar pois estarei feliz de te ajudar.

Para encerrar esse episódio, quero falar mais uma frase do Simon em que ele diz: “Passar muito tempo focando na força dos outros, nos faz sentir fracos. Concentrar-se em nossas próprias forças, de fato, nos torna fortes.”

É curioso que quando mudamos o ponto de vista, tudo muda. Literalmente. Talvez por isso que essa frase seja tão simples e profunda.  É preciso reconhecer que a busca pelo sucesso nos coloca em uma corrida louca para tentar entender o sucesso dos outros e, assim, seguirmos esse caminho semelhante a o dos outros, na espera do nosso momento de glória. Nos comparamos constantemente, ao final.

Mais uma vez, mude o seu ponto de vista e se coloque como ponto de observação constante. Você mesmo. Repito, constante. Estude rigorosamente a sua trajetória. Analise os seus erros e acertos. Afinal, você é o responsável pelas suas escolhas e, com toda certeza, ao se colocar como protagonista delas, você vai conseguir enxergar o que te torna forte.

Diz pra mim, qual foi a última vez que você reconheceu alguma qualidade sua e como isso se deu? Já percebeu que a vida é um jogo infinito, como o Simon gosta de dizer, onde você compete apenas com si mesmo?

Reflita nisso como dever de casa, e me conte.

 Se quiser que a sua resposta faça parte do próximo episódio do Podcast, compartilha comigo pelo WhatsApp 11 972262531 mandando um áudio de boa qualidade de até 1 minuto, se apresentando no começo. As melhores respostas irão estar no podcast. Qualquer ideia,  dúvida, comentário ou até mesmo reclamação é só entrar em contato pelos sites Andrea Iorio.com.br, metanoialab.com.br , ou por meu linkedin ou instagram!

Ah, se você gostou desse episódio, tira um print e me marca no instagram ou no LInkedIn! Vai ser o máximo ver o que você achou!

Um grande abraço e até a próxima quarta feira às 8h30 da manhã com um novo episódio do Metanoia Lab!

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